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Atitudes que magoam uma pessoa com deficiência auditiva – By Paula Pfeifer (com adições)
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Pensando em atitudes alheias que magoam uma pessoa que tem deficiência auditiva, várias me ocorreram. Porém, como tudo na vida, dói mais quando vem das pessoas que gostamos. Não é verdade? Quando um estranho tem uma atitude dessas, a gente nem dá bola, afinal, não vale o gasto de energia. Mas quando alguém próximo nos magoa (mesmo sem intenção), chega a parecer traição. E das graves.

Duas coisas me tiram do sério – por 5 minutos, mas tiram. Primeiro, quero estrangular a pessoa, depois, esqueço. Mas meu sangue ferve, porque sou humana, né?

PRIMEIRA: Quando alguém que você adora (pode ser mãe, irmão, amigo, namorado, filho, marido, etc) age como um idiota completo que nada sabe sobre surdez apesar dos longos anos de convivência com você e solta a maldita frase:

- Mas você não está de aparelho???

Aaaargh!! Pra completar, só se a pessoa em questão dá aquela olhadinha para as suas orelhas pra confirmar a suspeita. Meu Deus!! Me considero uma pessoa sensata e calma na medida do possível mas, quando isso acontece, minha reação primitiva é a de querer tirar meus AASI e fazer a pessoa engolir. E a triste verdade é que isso acontece MUITO. Acho que a gente se acostuma a a abafar o caso e não surtar quando se trata de familiares e pessoas próximas. Com eles, temos 1.000x mais paciência do que com estranhos. O trágico é que eles deveriam ter 1.000x mais paciência e respeito conosco do que efetivamente têm.

SEGUNDA: Quando estou numa conversa com alguém próximo ou, outra opção, quando estou distraída e a pessoa fala algo que não entendo. A questão é não entender o que foi dito. Aí, a(o) bendita(o) solta a pérola:

- Deixa. Esquece. Não é nada. Não importa.

Jesus!! A reação primitiva é sentir vontade de pegar o interlocutor pelos cabelos como faziam na Idade da Pedra e arrastá-lo pelo chão dizendo “importa siiiiiiiiiimmmm!”.

Do fundo do coração, não acho que eles façam isso de propósito, com a intenção de nos deixar mal, de magoar, de ferir. Mas é tremendamente irritante a desatenção de quem mais convive conosco para coisas básicas. De quantos anos a família, os amigos, os colegas, etc precisam pra entender de uma vez por todas que estar de aparelho auditivo não é garantia de que vamos entender tudo o que é dito e que é horrível quando não entendemos e eles não querem repetir??

E vocês? Que tipo de atitude das pessoas próximas os magoa pra valer??

Até aqui o Texto foi escrito pela Paula e o texto original pode ser encontrado no Crônicas da Surdez. Mas já que a ultima frase dela foi uma pergunta, vou aproveitar pra acrescentar o que me magoa ou deixa brava.

- Falar quando obviamente estou sem o IC

Eu acabo de sair do banho, com o cabelo pingando, e alguém vem falar comigo, e depois ficam extremamente bravos porque eu estava sem o IC e não entendi, porque ao invés de virem e falarem comigo frente a frente, ou falam de costas ou falam quando não estou olhando. Já cansei de discutir aqui em casa e falar que o IC não funciona Wi-FI como a internet, que o processador precisa estar na minha cabeça pra funcionar, que ele não é a prova d’água o que me obriga a tirá-lo pra tomar banho, e que quando eu acordo – embora às vezes durma com ele –  eu não o coloco imediatamente, porque meu mau humor precisa de uma meia hora pra ficar bom e ai sim posso ligar.

- Achar que sei técnicas Ninja de leitura labial

Eu leio lábios muitissimo bem, mas dai achar que consigo entender TUDO que TODO MUNDO fala, em qualquer velocidade, articulação, tipos diferentes de lábios, com barbas e bigodes e outros obstáculos, é demais pra minha cabeça. Não eu não sei nenhuma técnica ninja de leitura labial, sou humana, erro, não entendo, muitas palavras a articulação é parecida, fora outros fatores, então não fiquem achando que tenho obrigação de entender tudo.

- Todo mundo falando ao mesmo tempo

DE NOVO não, eu não tenho técnicas ninja de leitura labial e MUITO MENOS consigo ler os lábios de 3/4 ou mais pessoas ao mesmo tempo – pra quem usa LIBRAS e diz que seria vantagem a LIBRAS em cima disso, se poupe do trabalho, eu tenho dois olhos e não da pra ficar um em cada direção, então mesmo LIBRAS não me salvaria – então me dá nos nervos quando estou falando com alguém e mais dez pessoas falando junto e depois todo mundo reclama que eu não prestei atenção, me sobe o sangue pra cabeça.

- Sair andando pelo cômodo enquanto fala comigo

Não tem coisa que me tira mais do sério do que a pessoa estar conversando comigo e sair andando pelo cômodo em que estamos, ou sair andando pela casa mesmo, pior ainda se estivermos na cozinha e além de sair andando aindar vai lavar louça pra fazer mais barulho e me atrapalhar mais.

- O pior de tudo

Não importa o que aconteça, quem sabe que você usa IC ou AASI e escuta relativamente bem com eles, ou até muito bem, SEMPRE fará questão de retornar a um tópico anterior citado pela Paula e dizer “você tá sem aparelho?” ao que respondo “não ele tá aqui” e dizem “então não tá ouvindo por que? Não tá funcionando direito?”….eu geralmente fico quieta e balanço a cabeça só….mas SIM tá funcionando, mas eu fiquei SETE ANOS sem ouvir, não é rápido assim que vou entender TODAS as palavras que sairem falando pra mim, especialmente porque o pessoal aqui em casa fala rápido demais, embolado demais e dependendo da pessoa, adora falar errado propositalmente, e acham que tenho obrigação de entender. Tem hora que parece que o cidadão está de BRINCADEIRA com a minha cara.

 

Essas são as coisas que me deixam extremamente frustrada. Agora, faço a mesma pergunta que a Paula, o que mais magoa/irrita vocês? 

 

Beijos a todos :smile:

Comentários
Jusselia Bengert Lima
2 de janeiro de 2012 às 3:43 pm

As coisas que me deixam mais magoada são:
*dizer que tenho ouvido seletivo e só escuto o que quero.
* dizerem deixa, assim, esquece não é nada…(isso é muito frustrante para quem é surdo)
* me chamar de surdinha
* sugerir que eu namore surdos pois surdo namora surdo.
* depois de repetir mais de uma vez e eu não entender, falarem bem alto “pau no cu do surdo” e qd eu protesto dizer: “ah, então tu estavas escutando não é?”
*quando eu informo que sou surda sair gritando bem alto,em vez de falar.Eu não entendo gritos, pois não escuto sons agudos, informo que é preciso falar devagar e claro, na minha direção, mas em geral as pessoas preferem gritar.

Renato Moreira Fonseca
8 de fevereiro de 2012 às 10:27 am

Muito Legal esse post. Minha filha tem IC, desde os dois anos de idade, hoje ela tem 11. E já passou por algumas situações destas, vou imprimir isso e fazer toda a familia ler.
Grande abraço!!

Jacqueline
16 de março de 2012 às 10:58 pm

Camilas (DVD e LP) ,Leporace: sim, essa vergonha acraepe em diversos momentos tanto no escrever como no falar, em especial outra ledngua, muita gente vai considerar que este post, estimula o Deus dare1 , mas note que, da mesma maneira que no Wikipedia, eu vou lendo, relendo, recebendo sugestf5es.Na verdade, ne3o existe post morto, mas posts vivos.Pois os posts se3o linkados, recuperados pelo Google, eu cito de novo, as pessoas revisitam e eu releio e mudo coisas, vejo erros.Ou seja, tornar disponedvel o que este1 em produe7e3o, o que e9 mancha, hoje tem releve2ncia pois e9 um processo de aprendizagem coletiva entre quem posta e quem lea, que pode comentar.Obviamente, eu tenho sentido isso, que quanto mais escrevo, menos erro cometo, e isso e9 engrae7ado, poderia ser o contre1rio, mas ne3o e9, vou ganhando ritmo e aprendendo a ver os erros mais comuns.Sf3 se anda de bicicleta ou pega onda, quem se atira.Leite: e9 difedcil pensarmos assim, pois vivemos ou estamos saindo de uma sociedade que para exercer a sua fune7e3o, preciso consolidar sensos comuns.Aprendemos, desde quando deram aquele tapa na bunda, de que somos o que pensamos e isso era bom para a sociedade, pois esta ia devagar quase parando.A rede atualiza o mundo, pois com tanta gente junta, pensamos diferentes, vamos mudando conforme vamos nos encontrando, isso pode ate9 parecer ne3o te3o evidente, mas ficare1 mais e mais.Acho que tem coisas mais perenes (jeito de ser) e outras mais mutantes (jeito de pensar).O problema e9 que muitas vezes o nosso jeito de ser e9 por causa do que achamos que somos, mas no fundo pensamos. E vive-versa, li ontem do Jose9 Castello do Globo que nf3s devemos tentar ficar entre o corpo e a alma, nesse meio de campo difedcil.Possedvel?Valeram as visitas,beijoNepf4.

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