02
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Como citei em um post anterior, fui testar o Roger Pen e acabou sendo amor à primeira ouvida e eu comprei um para mim. Há muito tempo eu queria comprar um acessório que me auxiliasse e embora eu ainda não tivese testado os sistemas FM, eu sabia do problema de interferências e ficava com pé atrás. Isso mudou quando conheci o Roger Pen, que funciona por meio de frequência digital.

O meu Roger chegou ponto antes do Carnaval, motivo pelo qual eu não tive o prazer de vir compartilhar minahs deliciosas experiências antes. Minhas aulas começaram dia 14/02 e na outra semana imendados tudo, portanto eu preferi postar após ter tido o prazer de testar com todos os professores.

rogermeu

Na segunda-feira testei o Roger em modo de conferência com meu professor de Banco de Dados, ele dá aula quase toda sentado, então não houve necessidade de pedir para ele colocar o Roger no pescoço como eu fiz com os outros. Consegui entender 100% da aula, mesmo quando eu estava distraída fazendo anotações no caderno (coisa que antes era impossível). As 4 aulas foram com o mesmo professores e tudo correu perfeitamente bem.

Terça-feira eu testei com dois professores diferentes, ambos colocaram o Roger no pescoço e mais uma vez pude acompanhar perfeitamente as aulas. O engraçado é que o laborátorio em que eu estava na terça, era perto do banheiro, quando eu precisava ir, sai da sala e continuava ouvindo o professor falando. Foi uma experiência um tanto diferente, nem mesmo um ouvinte sai da sala e continua ouvindo o professor.

Na quarta-feira o professor usou o Roger só para passar instruçõe e depois não precisou mais, ficamos fazendo trabalhos e estávamos em duas turms (3º e 4º anos), já as duas últimas aulas, embora eu não as tenha, pois são de matérias aproveitadas quando me transferi, eu frequentei, mas não pedi para a professora usar o Roger, essa semana irei pedir, pois as discussões em sala eram bastante interessantes, mas consegui acompanhar parcialmente, na hora nem me toquei apenas pensei “Vou ver a matéria pois gosta de interpretação e produção de textos, então se perder coisas não faz mal” mas descobri que ela levanta assuntos muito interessantes, a partir dessa semana usarei.

Na quinta-feira foi dia de usar com professores com quem já havia testado mas dessa vez em um laboratório ainda mais próximo do banheiro, então cada vez que eu saia, a aula continuada “ecoando” na minha cabeça. Isso é uma vantagem que não tenho desde quando possuia estenotipista nos EUA, pois quando eu saia da sala ela continua fazendo a transcrição da aula e depois eu podia reler tudo, a diferença é que agora saio e continuo ouvindo, sem perder nada, especialmente do professor de Grafos, ele fala baixo rs, nunca consegui entende-lo 100%.

Sexta-feira usei na aula de Cálculo Numérico II. Meu maior desafio sempre foram as aulas com turma Poli, pois essas aulas tem por volta de 5 ou 6 turmas diferentes, são mais de 100 alunos de diferentes áreas de exatas e é simplesmente um INFERNO conseguir ouvir o professor e compreender. Eu fiz o Ensino Médio nos EUA e minha base de matemática é bem ruim, então tenho bastante dificuldade, acho que agora com o Roger ficará mais fácil, a bagunça da turma continua, mas a voz do professor se sobressai. Já para a última aula, o professor me dá aula em outros dias, mas ele estava passando alguns videos e o Roger permitiu que o som do video não atrapalhasse o que ele falava.

Eu estou simplesmente morrendo de amores pelo Roger Pen, eu confesso, teve gente que teve problemas com ele, conexão caindo, mas comigo funcionou tudo perfeitamente bem. Não tenho do que reclamar, minha única decepção, é que essa tecnologia não estava disponível em 2012 quando decidi trocar de instituição, pois assim teria me salvado desde o início. Eu uso ele na TV também, mas sem o cabo, apenas coloco o microfone em modo de conferência e coloco ele do ladinho da TV. É uma maravilha.

Ele tem alguns contras como gastar bastante bateria do IC, especialmente se você NUNCA tirar o receptor, é importante que você retire os receptores quando não estiver usando o Roger, senão o gasto com baterias será muito alto. Ele precisa ser carregado todos os dias, pois a bateria dele dura por volta de 7 horas, para mim está perfeito e eu não me importo, mas tem gente que pode achar ruim se for comparar com sistemas FM e tem aquele probleminha da distância, ele funcionou bem quando eu estava no banheiro, com várias paredes entre microfone e receptores mas tem gente que diz que ele não pega mesmo próximo se houver uma barreira e que o limite é 10 metros no máximo, quanto à isso, entrei em contato com a Phonak e me esclareceram que basta levar lá para fazer um ajustes.

O Roger PEN é uma tecnologia nova, eu não tenho dúvida de que em breve teremos algo imensamente mais avançado mas na minha opinião valeu o investimento. Quando comprei, os leitores do Crônicas da Surdez estavam tendo 30% de desconto no Roger Pen, em tods as lojas Audium do Brasil e agora a promoção voltou, leitores do Crônicas terão 30% de desconto até o final de março. Vale MUITO pena.

Quero apenas fazer uma observação, alguns processadores de fala não são compatíveis com a tecnologia Roger Pen, PORTANTO, antes de compra o seu e depois ir dar dor de cabeça para o pessoal reclamando e pedindo reembolso, MARQUE UM TESTE, o teste é de graça e 100% livre de compromisso, você não precisa comprar só porque testou.

Agora quero fazer outras observações referentes ao Roger, pois muita gente anda com preguiça de ler o manual de instruções.

1 – O Bluetooth não serve para ouvir música, ele serve somente para realizar/atender chamadas telefônicas, se quiser ouvir música, basta conectar no Roger e no dispositivo de audio, aquele cabo de aúdio que vem no Kit, com o cabo dá para ouvir música no iPod, no computador, no smartphone e até ouvir o audio da TV (nesse caso só você ouve, bloqueando o som para o resto da família).

2 – O microfone possui 3 modos (por ordem em que acontecem) : O de apontar (você liga ele, sincroniza e basta apontar para quem ou o que quer ouvir e pronto) e quando ele está ativado, a luz lilás do microfone piscará UMA VEZ (com intervalos). O modo de conferência é para quando você quer ouvir várias pessoas ao mesmo tempo OU alguém que não vai sair de onde está, para ativa-lo, basta apertar o botão com o símbolo do microfone apenas UMA vez e rápido, a luz lilás piscará DUAS VEZES indicando que esse modo está ativo ai basta deixar em cima da mesa e pronto. Caso o som ambiente esteja muito alto e atrapalhando, basta colocar no modo microfone, para usar ele, basta você apertar o botão do microfone uma vez e rápido e a luz lilás piscará TRÊS VEZES indicando que está ativo, ai basta colocar ele preso naquele cordãozinho ou na lapela do locutor. É importante que ele esteja a mais ou menos 20 cm de distância da boca para não ficar cortando o som.

3 – Luz lilás ligada direto sem piscar, indica microfone MUDO. Luz verde indica dispositivo com bateria carregada, laranja indica mais ou menos carregada e vermelha descarregada.

4 – É importante que o microfone nunca esteja obstruído para não haver microfonia OU o usuário não ficar sem ouvir.

5 – Se usá-lo com telefone via bluetooth, não atenda o telefone DIRETAMENTE NO APARELHO, aperte o botão dom o simbolo de um telefone para atende-lo, senão você atenderá direto pelo celular e não pelo Roger.

6 – Deixem de preguiça, leiam o manual e perguntem TUDO para a profissional durante o teste.

7 – A bateria dele carrega surpreendentemente rápido, no máximo 1:30 hora para carga completa via USB no computador.

O Roger Pen é uma tecnologia nova e ainda é bastante cara, mas as lojas Audium possuem vários métodos de pagamento e parcelamento que ACREDITO caberem em quase todos os bolsos. Vale a pena testar, vale mais a pena ainda o investimento e mais uma coisa, o Roger Pen não funciona somente com implantes cocleares, ele funciona também com AASI e outras próteses que possuem entrada para FM mas como eu disse anteriormente, nem todos são compatíveis, por isso é muito importante que você antes marque testes.

Queria agradecer especialmente a Bianca Silva e Camila Barata que além de amigas queridas da Audium de Ribeirão Preto, me apresentaram o Roger, me tiraram todas as dúvidas no dia do teste e até mesmo depois, a Roberta também da Audium de Ribeirão Preto que foi quem me entregou o Roger e me tirou muitas 0utras dúvidas e a Marília Botelho que SEMPRE me atualiza das tecnologias e novidades que vão surgindo. Vocês são nota 10!!!!

E em suma o Roger é PERFEITO!!!!!!

Beijos a todos!

13
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Eu havia dito que testaria o sistema Roger Pen na sexta, mas eu estava indisposta e remarquei para hoje e finalmente pude ter o prazer de experimenta-lo.

Antes de mais nada, devo ressaltar que eu nunca fiz um teste decente com sistemas FM, o teste que fiz foi quando eu era implantada unilateral e estava no segundo ou terceiro mapeamento.

Embora eu tenha feito teste com sistema FM apenas uma vez (e achado bom) uma coisa é fato, a maior desvantagem desse tipo de sistema são as interferências. Se houver dois ou mais sinais de FM emitidos na mesma frequência, o receptor FM irá responder ao sinal de maior protência e ignorar os restantes, além de ter váriações de frequências de acordo com q distância, podendo oscilar em lugares mais altos e baixos. E sim, essa frequência FM é a mesma FM dos rádios, ou seja, interferência é o que não falta.

Logo que cheguei na Phonak/Audium de Ribeirão, as meninas foram me introduzindo ao dispositivo. Tem o microfone que dá pra usar pendurado na blusa e é pequeno e meio quadrado e tem o em formato de caneta, que além de tudo, é super leve. Quando olhei para o dispositivo que mais se parecia com aquelas canetas com ponteira laser, não levei muita fé. Quando se trata de tecnologia, só acredito no resultado depois de testar.

 

 

052-3187_Roger_Clip_On_Mic_Front-1

Roger_Pen_Family

 

Coloquei os receptores e precisei trocar a bateria do IC porque ela não estava boa o suficiente pro “negócio” conectar. Minha primeira boa impressão foi a rapidez pra conectar. É questão de 1 segundo e pronto, está funcionando. A segunda boa impressão foi a leveza dos receptores, os de sistema FM são bem mais pesados. Ai começamos a testar, batemos papo, conversaram enquanto eu estava de costas, até ai beleza, funcionando muito bem.

“Vamos fazer uma ligação? Liga o bluetooth do seu celular”

Liguei o bluetooth, pareei e liguei pra minha tia, porque precisava de um favor e ia ligar de todo jeito. Ouvi perfeitamente o que ela falava e ouvi perfeitamente a televisão, o problema é que a televisão estava ridiculamente alta e ELA não me ouvia nem quando eu pedia pra desligar a TV pra eu poder falar (depois que eu falo que ela ouve TV nas alturas, sou exagerada).

Ai fui testar ouvir música, como o iTunes fez o favor de desligar o iMatch, eu não tinha músicas no celular, fiz o teste com alguns videos, alguns gravados com smartphones e outros que me mandaram mas foram baixados do youtube. A única diferença entre falar no telefone e ouvir música com ele, é que ligações são 100% bluetooth, já músicas precisa conectar um cabo no dispositivo e ele é conectado na saída de audio do iPod, smartphone e seja lá mais o que for, mas é um cabo bem curtinho e dessa forma, eu ouço a música pelo Roger Pen e os sons ambientes pelo IC normalmente. Bem legal isso e o MELHOR, não preciso usar cabos extremamente longos e um duplicador pra poder conectar os dois cabos de audio que vem com os ICs rs. Ficava um emaranhado de fios sem fim.

Tudo testado, tudo lindo, bora pra rua ver como fica o som lá e eis a maior vantagem do Roger Pen, o microfone vai captar melhor o som de onde ele estiver direcionado, portanto, enquanto o microfone estava apontado pra Camila, eu ouvia a voz dela e nenhum ruído absurdo de carro e estavamos na esquina de uma das Avenidas mais lotadas de Ribeirão Preto e em pleno horário de almoço, só passei a ouvir os carros quando direcionei o microfone para a rua. Ele bloqueia muitissimo bem os ruidos do ambiente, de forma que o som seja focado onde o microfone estiver “mirando”.

Pra mim, a maior vantagem do Roger em cima dos sistemas FM, é o fato de que ele é uma caneta. Não é algo que chama atenção, dá pra levar pra qualquer lugar porque não ocupa espaço e com os olhos famintos da bandidagem, ele passa despercebido aos olhos dos ladrões e assaltantes (sim, me chamem de neurótica). Porque pagar uma pequena fortuna em algo pra ser assaltado depois, é pedir pra sumir do mundo.

Outra enorme vantagem dele em cima dos FMs convêncionais, é o fato de que ele NÃO precisa ficar o tempo todo pendurado no pescoço do locutor, o usuário pode simplesmente pegar o dispositivo e mirar o microfone pra quem estiver falando e pronto, ele consegue ouvir. Isso facilita em conversas com várias pessoas, pois o FM não dá pra ficar tirando de uma pessoa e colocando na outra, dá pra por em cima da mesa do restaurante e acompanhar conversa com a galera numa boa e ele possui “zoom” para vozes mais fracas ou distantes.

roger3

Ele possui algumas limitações como a bateria dele aguentar o uso por 7 horas “apenas” ou 5 horas com o bluetooth ativado, mas não é como se ele fosse realmente necessário por mais tempo que isso durante o dia. Ele também gasta um pouco mais de bateria do IC, testei com as descartáveis, mas acredito que as recarregaveis não aguentem muito tempo. A faixa de operação dele varia entre 10 e 20 metros, mas se você pensar bem, 10 metros já é uma BOA distância e eu não fico a menos de 5 dos meus professores da faculdade.

O saldo do teste foi que eu achei o Roger Pen um dispositivo EXCELENTE e vou comprar o meu. Mês passado ele estava com 50% de desconto e eu perdi a promoção, porque estava super enrolada, mas o pessoal da Audium está com uma parceria com o blog Crônicas da Surdez e sendo leitor do blog, você pode adquirir o seu Roger Pen com 30% de desconto, mas a promoção é válida somente até o dia 31/02/2015 (como já perdi uma, estou aproveitando essa), então se tiver interesse, marque um teste, pode apostar que não vai se decepcionar, ele funciona com implantes cocleares e aparelhos auditivos.

Para mais informações (técnicas) sobre o Roger Pen, acesse: http://www.phonak.com/br/b2c/pt/products/wireless-accessories.html

 

rogerPen_2

07
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Queridos leitores, pois é eu sumi. Confesso que foi um pouco de preguiça, mas a faculdade tomou conta da minha vida no semestre passado, foi uma correria do caramba, muitos trabalhos pra serem entregues (e trabalhos dificeis) e acabei largando o blog jogado pras traças mas estou de volta e com várias coisas pra contar.

maddison

“Surpresa!!! Aposto que acharam que não me veriam mais” (tradução não literal e sem o palavrão rs)

No ínicio do ano passado, fiz processo seletivo pra me tornar membro de uma ONG e depois fui promovida ao cargo de Diretora de Recursos Humanos e Supervisora de TI, sendo assim, minhas responsabilidades aumentaram, controle de membros, processos seletivos, procurar novos membros, agendar reuniões, agendar salas para eventos, organizar eventos com o resto do pessoal, enfim, uma correria, mas uma correria extremamente prazerosa, pois eu detesto ficar parada e todos sabem disso. Gosto de me sentir util.

Quem me acompanha pelo facebook, sabe que eu há muito estava procurando um trabalho, fosse efetivo ou estágio, eu queria encontrar algo não pelo dinheiro (claro que é importante, pois tenho contas pra pagar), mas porque por mais que eu estude na faculdade e tenha uma excelente base educativa, tudo que vemos no mercado de trabalho foge completamente da nossa zona e conforto acadêmica. Minha ânsia era por experiência.

Em outubro eu havia sido contatada pelo dono de uma empresa, sobre uma vaga de estágio para a qual eu havia enviado curriculo e depois de conversarmos um pouco por e-mail, ele agendou uma entrevista no começo de novembro. Algumas semanas já haviam passado e eu achei que já tinham contratado alguém, mas pouco antes de dezembro iniciar, recebi um e-mail dele, dizendo que gostariam que eu ficasse com a vaga e que começasse no dia primeiro. Pois é pessoal, fiquei feliz pra caramba.

A felicidade em encontrar um trabalho, foi além do fato de agora eu poder ser mais independente financeiramente e adquirir experiência no mercado de trabalho, a felicidade MAIOR foi porque para o meu chefe, a minha deficiência auditiva pouco importou, não fez diferença alguma, eu não fui contratada para preencher cotas, fui contratada pelo meu potencial.

A gente sabe que ser pessoa com deficiência no Brasil não é fácil, encontrar um emprego é tarefa dificil, mesmo quando é por cotas, pois nas vagas para cotistas a preferência é por quem tem deficiência física. Cegos e surdos só sonham com a vaga, mesmo que ela não necessite de usar telefone e que as próteses auditivas, leitura labial ou LIBRAS bastem para a comunicação. Poder ter a oportunidade de trabalhar em uma boa empresa, com colegas e chefes bacanas e sem ser por cotas é dificil. E meu chefe ainda foi super atencioso perguntando se precisava falar mais alto, mais baixo, como que ficava melhor pra ele conversar comigo. Agora trabalho com desenvolvimento e manutenção de software e sistemas web.

Depois que comecei a trabalhar (faz 1 mês e 6 dias rs), o pessoal da ONG se reuniu e resolvemos abrir um instituto dentro da ONG, esse instituto seria o dono dos projetos, ou seja, chegará o ponto em que os projetos da ONG não precisarão mais da ONG e o instituto fará com que seja dada a continuidade nos projetos. Claro, óbvio que topei fazer parte do instituto como co-fundadora e ter o mesmo cargo nele, que tenho na ONG.

O ano acabou de começar, eu sei, mas sinto que 2015 será um ano excelente. Tenho os cargos na ONG e no instituto, a faculdade, meu trabalho, minha irmã (na verdade prima, mas fomos criadas juntas e somos filhas únicas, então nos vemos como irmãs) está grávida e eu serei “titia” e acho que está tudo encaminhado, só fico com coração apertado porque não pude ir ver minha família e amigos nos Estados Unidos essas férias, mas ainda terei tempo para vê-los.

Quanto ao IC, vai tudo muito bem, obrigada rs. Testarei o sistema Roger essa semana para ver se cumpre o que promete (sou crítica, vejamos rs). E tem dia que sinto prazer enorme em ter a possibilidade de me desligar do mundo e poder descansar de verdade. Ser surda tem suas vantagens, tem quem acha que não, mas tem. No ano novo falei ao telefone, com direito a gritaria e fogos de artificio no fundo e claro que tive que pedir para repetirem, até quem tem audição perfeita pede, mas o importante é poder transmitir o carinho aos que amo em um dia especial.

Por hoje fico por aqui, depois que testar o Roger venho contar pra vocês. Feliz 2015 para todos vocês, que seja um ano cheio de dádivas para todos.

 

Beijos

15
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 1 comentário

1. ESPERA, MAS SE VOCÊ CONSEGUE ME OUVIR, ENTÃO VOCÊ NÃO É SURDO DE VERDADE

1

TRADUÇÃO DA IMAGEM: “VOCÊ NÃO SABE NADA SOBRE MIM”

– SURDO, DEFICIENTE AUDITIVO…TANTO FAZ

 

2. QUANDO ALGUÉM TE DIZ ALGO SEM SOM

2

VOCÊ É TÃO ESPERTO E ENGRAÇADO!,

 

3. POSSO EXPERIMENTAR SEUS APARELHOS AUDITIVOS?

3

TRADUÇÃO DA IMAGEM (EMBORA ÓBVIA): NÃO! 

 

4. SE VOCÊ MURMURA

4

TRADUÇÃO DA IMAGEM: ADEUS!!!

NÓS NÃO PODEMOS SER AMIGOS.

 

5. VOCÊ É CURDO?

5

NÃO SÃO APENAS AS PESSOAS SURDAS QUE PRECISAM QUE VOCÊ TENHA UM BOM ENUNCIADO.

 

6. QUANDO ALGUÉM SUGERE JOGAR “TELEFONE MUDO”

6

 

7.  SE VOCÊ NÃO OUVE, PORQUE NÃO SABE LÍNGUA DE SINAIS?

7

EU SEI SIM, VIU?

 

8. A MAIORIA DAS MINHAS CONVERSAS

8

TRADUÇÃO DA IMAGEM: MULHER: VOCÊ DISSE OLÁ? 

MINHOCA: NÃO EU DISSE “ROLA”, MAS PASSOU PERTO.

 

9. OU ENTÃO SIMPLESMENTE

9

TRADUÇÃO DA IMAGEM: DO QUE VOCÊ TÁ FALANDO?

 

10. MEU AVÔ USA APARELHO AUDITIVO

10

TRADUÇÃO DA IMAGEM: EU TENHO UMA OPINIÃO BEM CLARA SOBRE ISSO…EU NÃO ME IMPORTO!

 

11. QUANDO AS PESSOAS RECLAMAM DA LEGENDA DO FILME ESTAR LIGADA

11

 

12. TENTANDO TER UMA SIMPLES CONVERSA COM ALGUÉM

12

TRADUÇÃO DA LEITURA LABIAL DA IMAGEM: EU NÃO ESTOU TE OUVINDO

 

13. QUANDO ALGUÉM FICA SEM PACIÊNCIA POR TER QUE REPETIR ALGO VÁRIAS VEZES

13

TRADUÇÃO DA IMAGEM: OH! EU NÃO ME IMPORTO. 

 

14. O QUE EU DIGO PARA MIM MESMO QUANDO ESTOU PERDENDO UMA CONVERSA APARENTEMENTE INTERESSANTE

14

TRADUÇÃO DA IMAGEM: SEMPRE AS MESMAS PESSOAS DE MENTE FECHADA, AS MESMAS CONVERSAS SEM SENTIDO. 

 

15. QUANDO ALGUÉM ME PERGUNTA SE EU ÀS VEZES FINJO NÃO OUVI-LO

15

 

FONTE: BUZZFEED

 

 

12
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 1 comentário

Todo mundo que tem perda auditiva, acaba de certa forma criando um certo medo de algumas tecnologias. De todas, eu acredito que telefone, interfone e drive-thru automatizados, são os 3 piores.

 

Como vocês sabem, eu uso telefone. Eu confesso que não ligo em SAC, até porque me falta paciência, pra isso, nunca tive. O meu uso porém é sempre cheio de ansiedade. Normalmente são conversas rápidas com algum parente. A primeira vez que falei mais tempo ao telefone, foram 30 minutos com uma amiga e não houve nenhum problema de comunicação entre a gente. E não foi por facetime, só pra deixar claro. Pra ser honesta, comprei iPhone usando desculpa do facetime, mas nunca usei a tecnologia. O uso do telefone por mim no entanto, sempre gera um pouco de ansiedade dependendo de pra quem eu preciso ligar. Eu no entanto, não uso telefone fixo, eu tinha um aparelho para deficiente auditivo que quebrou, desde então só uso celular. Hoje mesmo liguei pra marcar horário com meu ortopedista e embora eu tenha ficado um pouco ansiosa por causa do barulho no consultório, foi tudo bem, sem repetições e eu marquei com ele numa boa.

falandonotel

Em relação aos interfones, o problema não é só o fato da deficiência auditiva atrapalhar, mas é que a qualidade dos aparelhos, em sua maioria, são HORRIVEIS. Quem está tocando o interfone, tem pra piorar, carros passando na rua, bicicleta, criança, som alto, enfim, tudo que pode atrapalhar até o melhor dos ouvintes. Eu acabei “desenvolvendo uma técnica”. Por exemplo, no pilates, preciso tocar interfone e a rua é movimentada e o estudio/academia, fica em frente a uma Escola Municipal de ensino fundamental. A barulheira é constante, mas geralmente chego bem perto do interfone e espero parar de passar carros e toco. Ao atenderem, já estou próxima do aparelho e prestando atenção, sem correr risco de ficar sem ouvir. Na casa da minha prima no entanto, eu sofro, porque a cachorra dela vai no portão latir, por fim eu berro o nome dela e ela sabe que sou eu.

interfone

Ah, os benditos drive-thru automatizados rs. Nos EUA eu usava pouco, porque lá conheci os prazeres do pedido online, então tudo que precisava, eu pedia online. Até os 16 eu não dirigia, então nunca ia sozinha aos drive-thrus e quando comecei a dirigir, eu conseguia ouvir quando alguém começava a falar, mas não sabia o que, mas sabia que era hora de pedir, pedia, aparecia na tela, eu confirmava e pronto, pagava, pegava e ia embora, mas na maioria das vezes eu entrava na lanchonete e ia comer lá mesmo, era mais prático, tinha refil de bebidas e se eu quisesse, pedia sobremesa depois de comer. Aqui no Brasil na maioria dos lugares o costume é ter um atendente numa janela, então a leitura labial era o que eu usava e depois com o IC, eu ouvia numa boa. Porém, agora começaram as automatizações e a primeira vez que usei, faz até pouco tempo e pra minha surpresa, foi tudo imensamente bem. Eu não só falei com atendente pela máquina, como estava no telefone com minha tia vendo o que ela ia querer e com o rádio do carro ligado. Sai de lá mais do que satisfeita.

drivethru

 

Porém, entretanto, contudo, nada disso seria possível, se não fosse pela maravilhosa tecnologia chamada implante coclear, que me permite driblar essas coisas. O IC não é a cura para a surdez, pelo contrário, quem tem um pouco de audição residual, por minima que seja, acaba a perdendo quando se submete ao implante, pois as células ciliadas morrem no processo e são substituidas pelos eletrodos, então tecnicamente, você fica ainda mais surdo, mas quando ativado, o IC é um recurso que me auxilia e me ajuda a ouvir com clareza. Eu uso ele o tempo todo, só não durmo com ele, porque pode quebrar o cabo e acaba doendo a orelha, mas já dormi algumas vezes. Amo o que essa tecnologia me proporciona, que é a sensação de ser plena e CAPAZ.

Beijos 🙂

07
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Esse mês estava navegando a toa pelo Facebook, quando me deparei nas comunidades sobre surdez e implante coclear, o apelo do Marivaldo de Paula, aos 30 anos de idade, o professor que mora em Rio Branco, está lutando para conseguir um implante coclear para sua filha, Ana Cristina, de apenas 4 anos.

Marivaldo notou sinais de surdez desde que Ana era bebê, pois além de não desenvolver a fala, ela não atendia aos chamados, como a esposa é surda, ele resolveu consultar um médico, que constatou a surdez profunda na filha. Ele relata que antes do diagnostico ele ainda tinha esperanças de que fosse apenas um atraso no desenvolvimento da fala, pois ela sempre foi uma criança com muita energia e cheia de vida, ainda se emociona ao lembrar de quando recebeu a noticia do médico.

No começo foram criando gestos caseiros e depois a filha entrou na escola infantil e com ajuda da intérprete aprendeu LIBRAS, a mãe se matriculou em um curso de LIBRAS, de acordo com Marivaldo, as duas se adaptaram muito bem e aprenderam com tanta rapidez que chegou a ser espantoso, ele ficou de fora por falta de vagas, mas vem aprendendo em casa. Em 2013 a pequena Ana Cristina começou a frequentar a escola e tem uma interprete de LIBRAS que a acompanha nas aulas.

Apesar da filha se comunicar muito bem através da LIBRAS, Marivaldo percebia que havia um certo distanciamento involuntário com sua filha por parte de algumas crianças, por estas não entenderem a LIBRAS. Ana Cristina, por ser uma criança, não entende que tem a deficiência auditiva. Ele ficou sabendo sobre o implante coclear aos poucos. De cara lhe disseram que para ela não servia, pois era apenas para crianças até dois anos. Não se deu por convencido e continuou pesquisando e encontrou muitos casos de implantados que só passaram pela cirurgia depois de adultos.

Algumas opiniões depois, tentou fazer o implante pelo SUS, disseram que os relatórios que ele possuía eram do plano de saúde e teria que ser de um médico da rede pública, conseguiu marcar então consulta com médico da rede pública para tentar novamente passagens pelo TFD. Para esclarecer, o estado do Acre não faz cirurgia de Implante Coclear, de acordo com o que pesquisei, já foi requisitado que a cirurgia seja feita lá, mas os profissionais ainda estão passando por treinamento para que sejam capacitados a fazê-la. O problema, é que o treinamento demora. O médico que será o responsável pela cirurgia precisa viajar para fora do país para aprender como faz, é um processo longo e bem complexo.

O estado o Acre, usou essa desculpa para o fato de adiar qualquer resposta ao pedido de Marivaldo, que dará entrada com novo pedido, agora com laudo médico da rede pública, da forma que o estado do Acre exigiu. Honestamente, quando li a resposta do responsável ao G1 (site onde Ana Cristina teve sua história contada), contando que o estado do Acre estava apenas esperando o treinamento dos profissionais, eu entendi nas entrelinhas um “vai esperar estar tudo certinho e vai fazer a cirurgia aqui, nada de ir pra fora e gastar verba publica pra isso.” Acredito que Marivaldo tenha entendido da mesma forma, pois ele mesmo disse que não podia esperar tanto tempo. Ele relata que ao saber da possibilidade de ouvir, Ana Cristina ficou empolgada e feliz, ela quer ouvir.

O pai de Ana Cristina, começou então uma outra batalha e traçou um novo plano. Marcou consulta com os responsáveis pelo IC em Campinas para o dia 25/03/2014 e disse que pagaria hospedagem, comida e viagem do próprio bolso. Acontece que o valor precisado por ele, é alto para o que ganha. Ele começou uma campanha online, pedindo doações, vendendo rifas e acabou decidindo colocar o carro a venda para custear as despesas. O Marivaldo agora está pedindo a minha, a sua, a NOSSA ajuda para que o sonho de ver a pequena Ana Cristina seja realizado. Ele não está pedindo suas curtidas no Facebook, ele está pedindo doações e que a mensagem seja repassada.

Não quer fazer doação? Tem a possibilidade de comprar uma rifa. Ele está vendendo rifas de uma cesta de produtos da Natura, avaliada em R$ 200,00. O valor de cada rifa é R$ 2,00. Para quem acha que é falcatrua ou marmelada, clique no link para ser redirecionado pra página da G1, “Acreano Faz Campanha Na WEB Por Cirurgia Para a Filha Deficiente Auditiva” .

 

Qualquer valor, R$ 1,00 que seja já será de enorme ajuda e mais um passo a caminho do IC para Ana Cristina. Vocês não acham que ela tem direito de ouvir? Eu acho e já fiz minha contribuição, a família conta com todos nós.

 Abaixo, a imagem que Marivaldo colocou para circular na rede e as fotos da cesta que será sorteada na rifa, quem quiser pode entrar com contato com ele pelo Facebook: Marivaldo de Paula


Conta

 

cestarifa2

cestarifa

18
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Pessoas, eu sumi, mas é que por aqui anda tudo muito corrido e eu até tenho assunto, mas falta um pouco de tempo. Depois de passar alguns dias nos EUA, voltei com aquela sensação de sempre: “ONDE DIABOS ESTÁ A ACESSIBILIDADE PARA SURDOS NO BRASIL?”

Deve estar escondida em algum buraco, alguma gaveta de parlamentar, porque não é possível. Quando comparado com os EUA, o Brasil parece um “bichinho estranho e gosmento” nesse quesito. A acessibilidade está lá pra todos. Os museus possuem cadeiras de rodas, elevadores, rampas. Só fica em casa quem quer.

O fantástico mesmo pra mim é a acessibilidade para surdos e olha que eu nem uso nada quando vou lá. Dessa vez só fiz uso das cadeiras nos museus, mas onde eu procurei, tinha acessibilidade para surdos. No cinema, todos os filmes e horários possuíam closed caption, bastava pedir ao atendente. Show da Broadway? Eu queria ver O Rei Leão (acabei não indo) e fui checar se tinha algo pra mim, porque eu tinha medo de perder alguma parte ou fala interessante já que estaria sentada mais pro fundo porque é mais barato. Bom, tinha closed caption. ONDE tem closed caption em um musical no Brasil? Se souberem me digam, porque eu preciso ver pra crer. TV? No Brasil estão dublando tudo enquanto nos EUA é obrigatório.

Nos museus eles tem  cinema 4D, algumas exibições especiais com video ou palestras e tudo tem closed caption, basta fazer a solicitação. Os trens e metrôs tem um sinal luminoso que diz “This station X”, “Next station Y”. Os aeroportos tem telão pra todo lado informando portões, mudanças de portões, atrasos e coisas do tipo.

Sério, é tão dificil dar acessibilidade para quem precisa? Gente, não custa caro. Se falarem que sai caro é mentira. Eu falo com conhecimento de causa, que colocar closed caption e legendas em filmes e afins, sai infinitamente mais barato do que pagar dubladores e demora 1/4 do tempo ou menos. Isso é descaso e preguiça dos governantes.

Enfim “respira fundo”, eu espero viver pra ver o Brasil acessível, mas gente, às vezes parece que a semente plantada não vai brotar nunca. Enquanto isso, continuo levantando a bandeira e mostrando o que tem lá fora, pra ver se ajuda. Segue pra vocês imagens de como são os aparelhos de closed caption em cinemas e teatros.

 

 

0408-v-movies captiview-in-seat

Entertainment_Glasses oculoscc

 

Beijos a todos

🙂

 

 

06
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 1 comentário

Desde que comecei a ter contato com outros surdos, eu noto divergências de pensamentos. Veja bem, quando digo divergências, eu me refiro ao radicalismo de alguns surdos usuários de LIBRAS e de outros tantos surdos usuários de Língua Portuguesa. Existe uma grande parcela que ou é bilíngue ou respeita a escolha do próximo, mas é TRISTE a quantidade de radicais que existem em ambos os lados.

Para falar desse assunto de forma mais aprofundada, vou voltar muitas décadas na história. Durante mais da metade do século XX (vou me ater ao século que nasci) os surdos passaram por diversos problemas. Primeiro existia aquele conceito de que surdo deveria ficar em hospitais psiquiátricos a vida inteira. Naquela época chamavam de hospício mesmo. Muitas famílias não sabiam que seus filhos surdos eram perfeitamente normais e inteligentes e por falta de conhecimento, essas crianças eram enviadas para essas instituições, onde eram maltratadas e viviam em condições péssimas de higiene.

Para as famílias que não enviavam seus filhos para esses lugares, muitas vezes sobrava a vergonha e uma vida inteira tentando esconder seus filhos da sociedade. Logo depois a Língua de Sinais foi tomando mais espaço, as escolas para surdos começaram a surgir e um mundo novo se abriu. Acontece que essas crianças e adolescentes que iam para essas escolas, acabavam ficando segregadas em guetos, não conseguiam se comunicar com a família, nem com o mundo lá fora.

Acredito que foi baseado no fato de estarem se segregando, que alguém, em meados do século XX começou a proibir que Língua de Sinais fosse usada. A criança deveria aprender a ler lábios e a falar. A criança que OUSASSE usá-la, era castigada. Naquela época era permito alunos apanharem na escola, logo, essas crianças sofriam violência física única e simplesmente por estarem se comunicando com a língua que conheciam.

Alguns anos mais tarde, língua de sinais voltou a ser permitida e essas pessoas podiam se comunicar livremente. Mas já adentravam uma década cheia de aparelhos auditivos, métodos de oralização e outras tecnologias. As famílias e muitas pessoas que os conheciam ficavam empurrando aquilo goela abaixo e com isso, começaram a se sentir oprimidos. Passaram muito tempo sendo castigados, hostilizados e violentados por tentarem se comunicar e com tanta novidade, é como se estivessem sendo proibidos disso novamente, especialmente quando alguém dizia “Você não quer fazer parte do mundo e ter uma vida boa? Então, use aparelho, aprenda a falar.”

O que aconteceu, é que muitos já haviam passado da idade adequada para uma oralização eficiente ou uso também eficiente de aparelhos auditivos. As terapias de fala e de audição causavam extrema frustração, cansaço e tristeza. Queriam ser aceitos como são, não queriam que impusessem como deveriam se comunicar. Essa frustração às vezes levava à depressão. Eles percebiam o desapontamento dos familiares ao ver que seus filhos não progrediam como esperado. Era um estado de ansiedade extrema e crônica.

Por tal opressão, frustração com o que lhes foi imposto durante tanto tempo e depois pressão para falarem e ouvirem, eles começaram a lutar pelos seus direitos e o movimento surdo foi ganhando cada vez mais espaço, ganhando mais adeptos e conseguiram até que língua de sinais fosse considerada como uma língua oficial ao invés de uma mera linguagem. Para aqueles que estudavam em escolas regulares, havia a lei que deixava claro que um interprete deveria ser disponibilizado, entre outras coisas.

Mas enquanto esses surdos sinalizantes conquistavam seu espaço, a turma surda de usuários de Língua Portuguesa foi esquecida. Muitos se sentiam ouvintes, mas presos em um corpo surdo. Outros tantos se sentiam excluídos do mundo ouvinte, porque sabiam falar, sabiam ler lábios, mas era muito difícil e cansativo fazer parte desse mundo. Participar de uma conversa com 10 pessoas ao mesmo tempo, assistir uma aula com professor virado de costas em serem dependentes da família para telefone e várias outras coisas causava ansiedade, stress e depressão.

Muitas vezes esses surdos procuravam seus semelhantes, e acabavam encontrando surdis usuários de LIBRAS e acabavam aprendendo a língua de sinais, dessa forma se tornando bilíngues, mas esses surdos faziam parte de uma singela parcela de sortudos que foram aceitos pelos surdos sinalizante. Havia os que se sentiam excluídos da comunidade surda, porque não sabiam usar língua de sinais, eram maltratados e hostilizados pelos surdos usuários de Língua dos Sinais. Outros muitos queriam mesmo fazer parte do mundo ouvinte, mas era estressante e frustrante não conseguir compartilhar plenamente das mesmas sensações.

Ainda hoje, para a maioria das pessoas no mundo, um surdo é sinônimo se Língua dos Sinais. Acham que surdos são mudos e outros conceitos adquiridos de forma errônea. É chato precisar ficar o tempo todo falando da diferença entre surdos e ressaltando que você fala e entende porque lê lábios. É chato também a pessoa precisar ficar explicando que não precisa gritar, que isso não fará diferença e ainda atrapalhará na leitura labial, mas se tornou ainda mais cansativo ter que ficar explicando na escola “não, eu não preciso de  um interprete de LIBRAS, eu preciso de respeito do professor e colegas e um pouco de paciência.” Mais chato e estressante ainda é o fato de que muitas pessoas, incluindo familiares e professores, tentavam a todo custo insistir para que aquele surdo oralizado, usuário de Língua Portuguesa, aprendesse LIBRAS.

Chegou um ponto em que muitas escolas incluíram na grade curricular a aprendizagem de LIBRAS para alunos surdos e suas famílias. E isso era imposto, o aluno tinha obrigação de ir, mas não era aquilo que queria, ele queria falar, ouvir o que conseguisse com suas próteses e ler lábios em paz, mas era difícil.

Na década de 80, começaram a ser comercializados os implantes cocleares. Uma tecnologia inovadora e que tinha uma promessa: FAZER UM SURDO OUVIR. Devagar o implante coclear foi tomando mais espaço e mais e mais pessoas começaram a passar pelo procedimento cirúrgico para poder ouvir. O sucesso foi grande, não que todos tivessem a mesma resposta ao procedimento, mas em sua maioria, foram bem sucedidos.

Anos 80, anos 90, a tecnologia indo cada vez mais longe e a partir de 2000 houve um estouro e uma grande popularização dos implantes cocleares. Pais de crianças surdas enviavam seus filhos ainda bebês para fazerem o procedimento, adolescentes e adultos querendo fazer. O fato é que o implante estava se tornando popular não pela promessa, mas porque cumpria exatamente o que prometia. Com essa popularização e com a possibilidade de ter seus filhos ainda bebês implantados para crescerem ouvindo, as instituições para surdos começaram a entrar em declínio. Muitas foram fechadas e muitas viraram escolas bilíngues.

Quando um bebê nasce e é diagnosticado com surdez é muito comum que ao ser enviado ao otorrinolaringologista ou à fonoaudióloga, esses profissionais indiquem o implante coclear, pois pela alta taxa de sucesso, é provável que seus pais vão querer que os filhos façam parte do mundo com plenitude. Acontece que isso foi mal visto pela comunidade dos surdos sinalizantes, como os profissionais não indicavam LIBRAS e muitos pais nem procuravam saber e pesquisar sobre surdez, eles começaram a achar que uma nova ditadura estava sendo imposta, a dos implantes cocleares e que essa ditadura ameaçava o que eles haviam conquistado até agora.

Desde então, o que se vê, é uma briga constante de surdos usuários de Língua dos Sinais e surdos usuários de Língua Portuguesa. Não todos, claro, apenas os mais radicais, mas e fato que a guerra parece nunca cessar. Os usuários de LIBRAS inventam mentiras sobre aparelhos, sobre oralização, sobre implantes e do outro lado, os que são usuários de Língua Portuguesa, atacam falando do português ruim, da “burrice” e outras ofensas.

O que se vê, é um desrespeito infinito de ambas as partes, porque nenhum dos radicais se coloca no lugar do outro. Ao invés de aprenderem a se unir e lutarem juntos, agem como se fossem raças diferentes. Como se não fossemos todos humanos e fizéssemos parte da mesma escala evolutiva.

Porém, os surdos usuários de Língua Portuguesa, não tentam exterminar e acabar com os direitos que já foram adquiridos pelos surdos usuários de Língua dos Sinais. Esse grupo não é a favor da LIBRAS, se alguém vier e perguntar o que acha melhor, esses radicais dirão “próteses, oralização, leitura labial e implantes cocleares.” E junto dos surdos não radicais que usam a mesma língua, tentam conseguir direitos como aulas transcritas em tempo real, closed caption e legenda em todos os programas de TV e cinemas (mesmo dublados e nacionais), entre outras coisas, mas nunca se teve noticia de que algum surdo usuário de Língua Portuguesa, quisesse que LIBRAS fosse extinta.

Já os surdos usuários de Língua dos Sinais, não só continuam lutando pelos direitos, como fazem alguns pedidos descabidos. Por que descabidos? O mais atual e que tem gerado mais debate atualmente é: Querem que vestibulares e concursos públicos passem a ser 100% em LIBRAS. Ai varia um pouco, porque alguns pedidos enviados ao Ministério Público pedem que os usuários de LIBRAS tenham as perguntas dadas em forma de vídeo e que ela seja respondida por eles usando a Língua de Sinais, com algum interprete escrevendo a resposta no papel. Outros projetos pedem que as provas sejam em conferencias de vídeo e outros pedem que a prova seja dada em LIBRAS, mas em sua forma escrita (sim existe uma forma escrita cheia de símbolos ao invés de palavras).

Além do citado acima, eles lutam para que LIBRAS seja obrigatório nas escolas para TODOS os alunos (até os ouvintes). A luta deles é por Língua de Sinais em todo lugar a todo custo e obrigatória. É impressão minha, ou isso parece um pouco similar ao que esses usuários de Língua dos Sinais viveram quando eram obrigados a falar e a ler lábios ao invés de usar as mãos para se comunicar? Eu respondo, não é impressão, a situação é exatamente a mesma, mas invertida. Parece que criaram de alguma forma, um medo de que aquilo vá acontecer novamente, então tentam impor que seus direitos virem obrigação de todos.

Para todos os pedidos feitos, os juízes negaram os pedidos. Alegaram que é inconstitucional e que a própria lei que reconhece LIBRAS como uma língua, diz que ela não pode substituir a forma escrita da Língua Portuguesa. Porque eles são surdos e usam LIBRAS, mas são cidadãos brasileiros e devem aprender a escrever o idioma do país em que nasceram e domina-lo.

Bom, além de tudo isso, eles alegam que o governo gasta um valor ridiculamente alto para implantes cocleares e nada na educação para surdos. Outros ainda criam comunidades e grupos como “Sou Contra o Implante Coclear” e ficam falando que dá choque, que causa retardamento cognitivo entre outras mentiras.

Eu particularmente acho que o uso de aparelhos, LIBRAS, Língua Portuguesa, Implante Coclear e seja lá o que for, deve ser opção e não imposição, e que a escolha das pessoas e dos pais deve ser respeitada. Nenhum pai envia um filho pra fazer implante porque quer o mal dele, assim como nenhum adulto vai fazer o implante achando que vai morrer. Todos querem qualidade de vida. Também não acho que LIBRAS seja péssima escolha, acredito que o que falta é um bom apoio e uma boa base educacional nas escolhas por eles frequentadas, para que aprendam a dominar a escrita da Língua Portuguesa. Infelizmente a educação em nosso país é falha para a maioria da população seja ela ouvinte ou não.

Nessa história toda, não existe o mocinho e o vilão. Existe apenas pessoas com medo. Não podemos no entanto, deixar que o medo cegue a todos. Eu proponho novamente que nós, surdos, bilíngues, usuários de Língua dos Sinais, usuários de Língua Portuguesa, devemos nos unir e lutar por uma causa em comum, lutar para que independente das escolhas, todos tenham seus direitos atendidos para viver com dignidade de acordo com aquilo que faz bem para a alma de cada um. Somados, somos mais de 9 milhões de surdos, acho que a luta de todos seria bem mais valida se houvesse união.

E peço encarecidamente aos amigos usuários de LIBRAS ou Língua Portuguesa que fazem parte dos radicais, que  por favor, parem de brigar. Aos amigos usuários de LIBRAS, não tentem fazer com os outros o que por tanto tempo fizeram com vocês e causou tanto sofrimento, não é correto. Aos amigos usuários de Língua Portuguesa, peço paciência e tolerância, vocês sabem o quanto foi difícil dominar o idioma e aprender certas coisas, então não desmereçam o esforço dos outros. Somos todos humanos, somos todos iguais e todos queremos dignidade e respeito. Digam NÃO à imposição, seja ela qual for.

sayno

 

Beijos a todos.

🙂

26
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

PROGRAMA QUALIFICAR PARA INCLUIR
Novas Oportunidades para profissionais com deficiência.

PQI

O Programa Qualificar para Incluir foi criado no CPqD em 2008 e desde então vem capacitando pessoas com deficiência em Tecnologia da Informação e Comunicação para o mercado de trabalho.

Sem custos para os interessados, o programa tem foco nas áreas de tecnologia e trabalha o desenvolvimento humano, oferece como diferencial a oportunidade para os alunos de aumentarem as chances de sucesso no mercado de trabalho, cada vez mais exigente nos dias de hoje.

Não fique fora desta você também , e para se inscrever acesse o site:http://programapqi.jimdo.com


Mais informações de como se inscrever no programa podem ser obtidas através do e-mail:alinenunes.sqi@gmail.com e do telefone: (19) 3705-4225 ou 3705-6585.

Faça sua inscrição, e ao ser convidado para entrevista tenha em mãos:

1. Laudo Médico atestando a deficiência

2. Apresentar os exames que comprovem a deficiência:

– Auditiva

– Visual (avaliação de acuidade visual e campimetria – quando for o caso de redução do campo visual).

 
Link para inscrição :

http://programapqi.jimdo.com/inscri%C3%A7%C3%B5es/

LINK COM VÍDEOS QUE EXPLICAM MAIS SOBRE O PROGRAMA :

http://www.youtube.com/watch?v=oowwBq5jJDA

 
 
22
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 11 comentários

Eu ando meio sumida ultimamente, muita coisa tem acontecido e eu tenho assunto pra pelo menos mais 3 posts aqui no blog, mas no momento gostaria de tratar de um assunto que muitos desconhecem, muitos sentem na pele e outros fingem não ver: O PRECONCEITO COM SURDOS.

A ideia surgiu a partir de uma postagem de um primo meu no facebook. A postagem em questão era uma entrevista com Antonio Fagundes, falando sobre seu personagem homofobico na novela Amor à Vida na qual seu personagem tem um filho gay e a ultima pergunta que fizeram foi sobre a peça que ele está ensaiando e onde contracenará com seu filho. A resposta foi “É sobre uma família disfuncional, formada por pai, mãe e três filhos. E um dos filhos é surdo. Mas ele é criado como se não fosse. Eles o ensinam a falar e a ler lábios. Tudo corre bem até que ele conhece um garota, que também está ficando, por quem ele se apaixona. O problema é que ela está aprendendo a linguagem dos sinais e ensina pra ele. Isso causa um alvoroço na família. Agora, troque filho surdo por filho gay. Não parece a mesma discussão da novela? Estreia de 14 de setembro, no Tuca, em São Paulo. Meu filho, o Bruno Fagundes, faz o surdo.”

Esse primo meu, que é gay, ativista e militante da causa homossexual comentou o seguinte ao compartilhar o link não, não é o mesmo “problema” entre o preconceito contra o surdo e o preconceito contra o homossexual, mesmo porque ninguém apanha na rua por ser surdo, nenhum pai deserda um filho por ser surdo.”

Minha primeira reação foi primitiva, fiquei brava, como ele poderia falar algo sem conhecer? Minha segunda reação foi comentar calmamente sobre discordar e o motivo de eu discordar. Minha terceira reação foi pensar e depois repensar e escrever no blog sobre o assunto.

Caros leitores, embora muitos desconheçam histórias e até pensem “mas quem vai fazer algo assim com um surdo ou um deficiente, coitadinhos” quem vive cercado por surdos sabe que o buraco é bem mais embaixo e o problema pode sim ser considerado o mesmo. “Ah Diéfani, para de querer causar polêmica e de querer fazer os surdos de coitados.” Não, eu não estou exagerando.

Homossexuais apanham na rua, na escola, são alvos de chacota, são expulsos de casa pelos pais, são abusados sexualmente, são deserdados pela família, são humilhados, são proibidos de demonstrarem afeto em publico, em muitos lugares são proibidos de casar e muitos pais dizem que preferiam filho ladrão, bandido do que gay. “Tá a gente sabe tudo isso, mas como você ainda pode falar algo assim sobre os surdos?” amigos, os homossexuais, tem VOZ, tem espaço na mídia e não só tem muitos direitos, como são vistos pelo mundo e os surdos?

Conheci surdos usuários de LIBRAS, surdos oralizados e surdos bilíngues e vocês ficariam horrorizados com a quantidade deles, homens e mulheres que foram abusados sexualmente pelos pais ou algum cretino oportunista. Na maioria das vezes o que eles ouviram de quando eram crianças até o começo da adolescência foi “Isso vai te ajudar” e a criança sem entender o que acontecia nunca falava nada, mas mesmo depois de entenderem, aprenderam apenas a evitar, porque ao tentar contar achavam que estavam mentindo porque “quem faria isso com uma criança que nem pode ouvir?”

Na escola e nas ruas não é diferente, são apontados, são alvo de bullying e piadinhas cruéis. Conheci incontáveis surdos que disseram que apanhavam na rua pelo simples fato de serem surdos, eram agredidos porque eram “aberrações” e alvos fáceis. Há surdos que ficam na casa dos pais apenas até os 18 anos porque a lei obriga, mas com 18 anos os filhos são EXPULSOS de casa e a família nunca mais quer saber, se está morto ou se está vivo “não é problema deles.”

Muitas crianças surdas são criadas sem aprender nenhuma forma de comunicação, cresce com os pais que são dois estranhos com quem mal conseguem se comunicar e o contato com o mundo exterior é ZERO, se ela for inserida na sociedade ela não vai conseguir nem dar oi pra uma pessoa. Muitos desses são mais tarde “salvos” por alguém, que com muita paciência os levam pra escolas de surdos, onde se alfabetizam e aprender a se comunicar, mas é assustadora a quantidade de surdos que ficam pra trás.

Para uma criança nascida em família ouvinte, antigamente muitas vezes eram trancados em hospitais psiquiátricos até o fim da vida, mas existe os casos das famílias que levam a criança em uma fono para falarem, usarem aparelhos auditivos, fazem implantes cocleares, ensinam a ler lábios mas se o filho acaba se interessando pelo “mundo” surdo e quer ter amigos surdos, aprender LIBRAS e coisas desse tipo, é como se estivessem assassinando alguém. A família não aceita, acha errado e quer que o filho viva uma vida “normal” com gente “normal”.

Por outro lado, há as crianças surdas que nascem em famílias surdas e são deserdadas, humilhadas pela família e comunidade surda em que vivem, quando querem aprender a falar ou até usar um implante coclear. Para a família não existe coisa pior, eles dizem que se sentem rejeitados pelo membro da família que quer “ser ouvinte” e dizem coisas como “ele vai ser uma aberração, não vai ser surdo e nem ouvinte, ninguém vai aceita-lo é melhor que morresse.”

Há ainda os casos de preconceito de Surdos usuários de LIBRAS contra os Surdos usuários da Língua Portuguesa. Em fóruns de discussão já vi Surdos sinalizantes desejarem a morte para a filha de uma amiga minha, que é surda oralizada e falarem que surdos oralizados são potenciais suicidas.

Fora aqueles probleminhas HUMILHANTES que acontecem com praticamente todos no dia-a-dia. Tem que pegar senha mas não dá pra ouvir chamar e não tem monitor, tem que resolver algo pelo SAC de uma empresa mas não pode ser outra pessoa, não pode ser numa loja física da empresa e nem por e-mail ou chat, TEM QUE SER POR TELEFONE. Vai estudar e às vezes acontece de alguém dizer “seu lugar não é aqui, deveria ir pra escola especial”, precisa pedir acompanhante em um aeroporto porque não ouve os auto falantes e não dá pra se virar completamente sozinho. Tem que quase ajoelhar na frente de um professor e implorar pra que ele explique a matéria virado pra frente pra que possa ler os lábios. Acabar não indo a certos lugares como teatro, cinema porque não tem legenda e interprete de LIBRAS. Mercado de trabalho? Até por cota é difícil conseguir um emprego, na maioria dos lugares eles aceitam deficientes físicos, visuais, mas surdos não, porque a surdez “atrapalha a comunicação”. Um a amiga uma vez disse que estava com o marido na feira e falavam sem som, já que ele apesar de ouvinte aprendeu a ler lábios e uma senhora perguntou o motivo para aquilo e ele explicou que a minha amiga é surda e a mulher “Ah que bom que você trouxe ela pra dar uma voltinha” como se a minha amiga fosse um cachorro ou uma inutil. Outros ainda ficam horrorizados ao saber que podemos dirigir porque somos “perigosos” por não ouvir sirenes e buzinas.

E quem fala por todos esses que sofrem discriminação? Ninguém. Quando aparecem na mídia falando de direitos e acessibilidade para surdos o que já é raro, é focado pros surdos usuários de LIBRAS e o resto fica de fora. O fato é que num geral, somos invisíveis pra sociedade. Não temos assim como homossexuais, boates, bares, restaurantes, hotéis e outras coisas que são focadas naquele grupo e seus simpatizantes. Mal há escolas especiais (que alguns preferem), algumas escolas se recusam a aceitar um aluno por ele ser surdo. É como se por sermos surdos, deveríamos ficar enfiados em casa.

Para um gay, a opção de dizer “Eu sou gay” existe, mas para um surdo não, se um surdo quer ter uma boa comunicação com todos ao seu redor, precisa sempre avisar e falar “Eu sou surdo” ao que quase instantaneamente se ouve depois “mas tão bonita” ou “nossa que dó” entre outros absurdos. Isso quando não acham que é contagioso e tiram seus filhos de perto (sim em pleno século XXI isso ainda existe). Ai dizem “Ah mas na maioria dos lugares gays não podem casar” bom sabiam que até pouco atrás em muitos países, casamentos entre surdos era proibido, assim como casamento inter racial e que isso só mudou porque nem sei quem, viu que era ridículo demais, ainda mais vendo o fato de que muitos surdos passavam a vida inteira tendo contato unica e exclusivamente com surdos sem nunca terem conversado ou interagido de verdade com um ouvinte?

Estamos há anos tentando conquistar um direito MINIMO de ter closed caption ou legendas em programas de TV, cinemas, teatros, mesmo quando for algo dublado ou nacional e nem isso conseguimos. E o motivo? Como eu disse, somos invisíveis. Só pra deixar claro, deficientes num geral são invisíveis e às vezes ser invisível cansa e muitas vezes leva a querer desistir de tudo, inclusive da própria vida. Enquanto isso, gays conquistaram espaços exclusivos pra eles, casamento tá sendo legalizado, entre muitas outras coisas.

Tudo isso me fez lembrar uma frase do filme Filadélfia, com Tom Hanks “O Ato Federal de Reabilitação Vocacional de 1973 proíbe discriminação contra pessoas deficientes e com qualificação capazes de executar as tarefas exigidas pelo seu emprego. Apesar da lei não se referir diretamente à discriminação relacionada ao HIV e à AIDS, decisões subsequentes sustentaram que a AIDS é considerada como deficiência dentro da lei, não apenas por causa das limitações físicas que impõe, mas porque o preconceito que a envolve causa uma morte social que precede a morte física. Esta é a essência da discriminação: formular opiniões sobre outros, baseadas não em seus méritos individuais, mas em sua afiliação a um grupo com supostas características.”

As palavras desse projeto de Lei são diferentes, essa frase tem o intuito de explicar de uma forma que possa ser compreendido, e o foco do filme era AIDS, mas a parte da morte social que precede a morte física está lá mesmo antes da AIDS ter sido introduzida como uma deficiência perante a lei. Refletindo, morte social é um termo extremamente pesado, mas o preconceito em relação às pessoas com deficiência e isso inclui os surdos causa uma morte social e o que pode ser pior do que estar vivo, mas morto pra sociedade?

Esse post teve o intuito de única e simplesmente dizer que ninguém deve falar daquilo que não sabe, daquilo que não conhece e de meios em que não vive, a grama do vizinho sempre parece mais verde e os nossos problemas sempre nos parecem piores. E como eu disse, ser invisível às vezes cansa, queremos ser vistos, mais do que vistos, queremos ser ouvidos e sermos vivos aos olhos da sociedade.

Procura ai
Que dia é hoje?
June 2017
M T W T F S S
« Jul    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  
Contador de Visitas

Licença Creative Commons
O trabalho Igualmente Diferentes de Diéfani Favareto Piovezan foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.
Todos os direitos reservados - Design e Programação Igualmente Diferentes