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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Queridos leitores, pois é eu sumi. Confesso que foi um pouco de preguiça, mas a faculdade tomou conta da minha vida no semestre passado, foi uma correria do caramba, muitos trabalhos pra serem entregues (e trabalhos dificeis) e acabei largando o blog jogado pras traças mas estou de volta e com várias coisas pra contar.

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“Surpresa!!! Aposto que acharam que não me veriam mais” (tradução não literal e sem o palavrão rs)

No ínicio do ano passado, fiz processo seletivo pra me tornar membro de uma ONG e depois fui promovida ao cargo de Diretora de Recursos Humanos e Supervisora de TI, sendo assim, minhas responsabilidades aumentaram, controle de membros, processos seletivos, procurar novos membros, agendar reuniões, agendar salas para eventos, organizar eventos com o resto do pessoal, enfim, uma correria, mas uma correria extremamente prazerosa, pois eu detesto ficar parada e todos sabem disso. Gosto de me sentir util.

Quem me acompanha pelo facebook, sabe que eu há muito estava procurando um trabalho, fosse efetivo ou estágio, eu queria encontrar algo não pelo dinheiro (claro que é importante, pois tenho contas pra pagar), mas porque por mais que eu estude na faculdade e tenha uma excelente base educativa, tudo que vemos no mercado de trabalho foge completamente da nossa zona e conforto acadêmica. Minha ânsia era por experiência.

Em outubro eu havia sido contatada pelo dono de uma empresa, sobre uma vaga de estágio para a qual eu havia enviado curriculo e depois de conversarmos um pouco por e-mail, ele agendou uma entrevista no começo de novembro. Algumas semanas já haviam passado e eu achei que já tinham contratado alguém, mas pouco antes de dezembro iniciar, recebi um e-mail dele, dizendo que gostariam que eu ficasse com a vaga e que começasse no dia primeiro. Pois é pessoal, fiquei feliz pra caramba.

A felicidade em encontrar um trabalho, foi além do fato de agora eu poder ser mais independente financeiramente e adquirir experiência no mercado de trabalho, a felicidade MAIOR foi porque para o meu chefe, a minha deficiência auditiva pouco importou, não fez diferença alguma, eu não fui contratada para preencher cotas, fui contratada pelo meu potencial.

A gente sabe que ser pessoa com deficiência no Brasil não é fácil, encontrar um emprego é tarefa dificil, mesmo quando é por cotas, pois nas vagas para cotistas a preferência é por quem tem deficiência física. Cegos e surdos só sonham com a vaga, mesmo que ela não necessite de usar telefone e que as próteses auditivas, leitura labial ou LIBRAS bastem para a comunicação. Poder ter a oportunidade de trabalhar em uma boa empresa, com colegas e chefes bacanas e sem ser por cotas é dificil. E meu chefe ainda foi super atencioso perguntando se precisava falar mais alto, mais baixo, como que ficava melhor pra ele conversar comigo. Agora trabalho com desenvolvimento e manutenção de software e sistemas web.

Depois que comecei a trabalhar (faz 1 mês e 6 dias rs), o pessoal da ONG se reuniu e resolvemos abrir um instituto dentro da ONG, esse instituto seria o dono dos projetos, ou seja, chegará o ponto em que os projetos da ONG não precisarão mais da ONG e o instituto fará com que seja dada a continuidade nos projetos. Claro, óbvio que topei fazer parte do instituto como co-fundadora e ter o mesmo cargo nele, que tenho na ONG.

O ano acabou de começar, eu sei, mas sinto que 2015 será um ano excelente. Tenho os cargos na ONG e no instituto, a faculdade, meu trabalho, minha irmã (na verdade prima, mas fomos criadas juntas e somos filhas únicas, então nos vemos como irmãs) está grávida e eu serei “titia” e acho que está tudo encaminhado, só fico com coração apertado porque não pude ir ver minha família e amigos nos Estados Unidos essas férias, mas ainda terei tempo para vê-los.

Quanto ao IC, vai tudo muito bem, obrigada rs. Testarei o sistema Roger essa semana para ver se cumpre o que promete (sou crítica, vejamos rs). E tem dia que sinto prazer enorme em ter a possibilidade de me desligar do mundo e poder descansar de verdade. Ser surda tem suas vantagens, tem quem acha que não, mas tem. No ano novo falei ao telefone, com direito a gritaria e fogos de artificio no fundo e claro que tive que pedir para repetirem, até quem tem audição perfeita pede, mas o importante é poder transmitir o carinho aos que amo em um dia especial.

Por hoje fico por aqui, depois que testar o Roger venho contar pra vocês. Feliz 2015 para todos vocês, que seja um ano cheio de dádivas para todos.

 

Beijos

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

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Para quem convive com pessoas que nasceram surdas ou ficaram surdas muito jovens e que foram oralizadas, é comum se acostumarem com o sotaque do deficiente auditivo. Normalmente a voz desses indivíduos, é meio nasalada, meio rouca, meio fanha. Como ela é, depende um pouco de cada um. Cada pessoa tem seu tempo e ritmo.

Como a maioria dos meus amigos, seguidores, leitores e companhia limitada sabem, eu passei metade da minha vida nos EUA e metade no Brasil. O período mais critico da minha perda auditiva foi vivido nos Estados Unidos. Comecei a perder audição aos 14 anos e aos 18 havia perdido completamente.
Assim como no Português, eu não conheço todas as palavras que existem em Inglês e muita coisa eu aprendi por pura leitura labial, o que também aconteceu com palavras em Português quando voltei ao Brasil para fazer a cirurgia do Implante Coclear. Além de falar Inglês e Português, eu sei um pouco de Italiano, pois meu bisavô materno ensinava aos netos e bisnetos e nos Estados Unidos aprendi Espanhol com 17 anos (era a minha idade quando freqüentei as aulas).

A questão é que: Nos Estados Unidos ou no Brasil a pergunta que nunca cala é “de onde você é?”
Aqui no Brasil, muitos acham que meu sotaque é meio americanizado, pois apesar de ser do interior de São Paulo, eu puxo mais o “R” do que o normal e exalto muito o “L” nas palavras. Nos Estados Unidos sempre me perguntam “Você é de algum estado do Sul?” pelo mesmo motivo.
Minha família e amigos que são acostumados com meu jeito de falar, dizem que não notam diferença, mas quando comecei a fazer fonoterapia (fiz apenas um ano e na base do esculacho) elas disseram que eu tinha uma deterioraçãozinha na fala para alguns fonemas. Sempre me perguntei se isso seria de fato uma deterioração ou se seria causado por viver metade da vida em cada país e eu literalmente penso em dois idiomas ao mesmo tempo, não consigo falar algo em Português sem pensar em Inglês e vice-versa, é muito comum eu misturar os idiomas ao conversar.

Acho que de fato, nunca vou descobrir se o meu sotaque é deterioração, se é “caipirês” como meus amigos Paulistanos chamam ou se é por causa desse “metade cá e metade lá”, o que importa é: Aonde quer que eu vá, entendo e sou entendida.

Tenho aqui no Brasil, muitos amigos surdos oralizados com sotaque. Eu particularmente adoro o da Lak Lobato, autora do Desculpe Não Ouvi. É uma voz rouca, porém não é forçada (muitos surdos a gente percebe que forçam pra falar, por causa da dificuldade), é suave, sai quase deslizando, misturada com um leve sotaque carioca (Lak é do RJ) e unido ao fato dela falar Francês perfeitamente, ela faz biquinhos para falar. Se eu não a conhecesse e esbarrasse com ela hoje em algum lugar, poderia jurar por Deus, que é Francesa.

Tenho ainda, amigos com voz irritante, a voz é um ganido fino, chega a doer o tímpano quando a pessoa fala, parecem Japoneses ou Coreanos ao falar as vogais, mas importa? Absolutamente não. Pelo contrário, tenho tanto prazer em ouvi-los quanto qualquer outra pessoa, porque o sotaque é a prova do esforço da pessoa em falar, em se fazer entender, em se fazer ouvir.

Tem gente que tem vergonha ou insegurança em relação a própria voz por causa disso, pois não deveriam. A voz de cada um é única e LINDA e por trás dela há toda uma história. Tem também aqueles que hesitam em aprender um novo idioma com medo do sotaque atrapalhar, de não conseguir se fazer entender e eu acho isso um medo bobo. Vocês foram capazes de aprender a verbalizar em Português, por quê não conseguiriam em outro idioma? Eu, antes dos 21 anos nunca nem pensei que eu falasse com “sotaque” diferente, mas nunca deixei o fato de eu não ouvir, me impedisse de aprender novos idiomas.

Isso aqui também vale para as mães dos pequenos implantados. Crianças que são implantadas antes de aprenderem a falar, geralmente desenvolvem a fala normalmente, não apresentam sotaque (não é regra), mas os que foram implantados um pouco depois ou que foram oralizados sem o apoio de próteses auditivas, geralmente tem um sotaque carregado.

O importante nesses casos é a família dar apoio, incentivar e o MAIS importante é tentar manter ansiedade em baixa, porque isso atrapalha imensamente. Vi casos de pais que atrapalham o progresso dos filhos porque a velocidade do progresso deles não acompanha a do desejo e expectativa dos pais. Aí ficam procurando problemas no IC ou na terapia e chega um ponto que a criança fica estressada a ponto de não querer mais usar os implantes. Acompanhamento psicológico é importantíssimo.

O fato é que cada surdo, assim como qualquer pessoa no mundo, tem o seu próprio tempo e passo para tudo, cada um tem sua voz, seu sotaque e tudo isso é LINDO. Você não precisa ter medo de esconder isso do mundo, pelo contrário, precisamos mostrar cada vez mais tudo que somos capazes pra nos tornarmos mais visíveis e assim, o movimento dos Surdos Usuários da Língua Portuguesa, terá mais força e mais vozes, que juntas se tornarão uma só.

Beijos a todos 🙂

18
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Pessoas, eu sumi, mas é que por aqui anda tudo muito corrido e eu até tenho assunto, mas falta um pouco de tempo. Depois de passar alguns dias nos EUA, voltei com aquela sensação de sempre: “ONDE DIABOS ESTÁ A ACESSIBILIDADE PARA SURDOS NO BRASIL?”

Deve estar escondida em algum buraco, alguma gaveta de parlamentar, porque não é possível. Quando comparado com os EUA, o Brasil parece um “bichinho estranho e gosmento” nesse quesito. A acessibilidade está lá pra todos. Os museus possuem cadeiras de rodas, elevadores, rampas. Só fica em casa quem quer.

O fantástico mesmo pra mim é a acessibilidade para surdos e olha que eu nem uso nada quando vou lá. Dessa vez só fiz uso das cadeiras nos museus, mas onde eu procurei, tinha acessibilidade para surdos. No cinema, todos os filmes e horários possuíam closed caption, bastava pedir ao atendente. Show da Broadway? Eu queria ver O Rei Leão (acabei não indo) e fui checar se tinha algo pra mim, porque eu tinha medo de perder alguma parte ou fala interessante já que estaria sentada mais pro fundo porque é mais barato. Bom, tinha closed caption. ONDE tem closed caption em um musical no Brasil? Se souberem me digam, porque eu preciso ver pra crer. TV? No Brasil estão dublando tudo enquanto nos EUA é obrigatório.

Nos museus eles tem  cinema 4D, algumas exibições especiais com video ou palestras e tudo tem closed caption, basta fazer a solicitação. Os trens e metrôs tem um sinal luminoso que diz “This station X”, “Next station Y”. Os aeroportos tem telão pra todo lado informando portões, mudanças de portões, atrasos e coisas do tipo.

Sério, é tão dificil dar acessibilidade para quem precisa? Gente, não custa caro. Se falarem que sai caro é mentira. Eu falo com conhecimento de causa, que colocar closed caption e legendas em filmes e afins, sai infinitamente mais barato do que pagar dubladores e demora 1/4 do tempo ou menos. Isso é descaso e preguiça dos governantes.

Enfim “respira fundo”, eu espero viver pra ver o Brasil acessível, mas gente, às vezes parece que a semente plantada não vai brotar nunca. Enquanto isso, continuo levantando a bandeira e mostrando o que tem lá fora, pra ver se ajuda. Segue pra vocês imagens de como são os aparelhos de closed caption em cinemas e teatros.

 

 

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Beijos a todos

🙂

 

 

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PROGRAMA QUALIFICAR PARA INCLUIR
Novas Oportunidades para profissionais com deficiência.

PQI

O Programa Qualificar para Incluir foi criado no CPqD em 2008 e desde então vem capacitando pessoas com deficiência em Tecnologia da Informação e Comunicação para o mercado de trabalho.

Sem custos para os interessados, o programa tem foco nas áreas de tecnologia e trabalha o desenvolvimento humano, oferece como diferencial a oportunidade para os alunos de aumentarem as chances de sucesso no mercado de trabalho, cada vez mais exigente nos dias de hoje.

Não fique fora desta você também , e para se inscrever acesse o site:http://programapqi.jimdo.com


Mais informações de como se inscrever no programa podem ser obtidas através do e-mail:alinenunes.sqi@gmail.com e do telefone: (19) 3705-4225 ou 3705-6585.

Faça sua inscrição, e ao ser convidado para entrevista tenha em mãos:

1. Laudo Médico atestando a deficiência

2. Apresentar os exames que comprovem a deficiência:

– Auditiva

– Visual (avaliação de acuidade visual e campimetria – quando for o caso de redução do campo visual).

 
Link para inscrição :

http://programapqi.jimdo.com/inscri%C3%A7%C3%B5es/

LINK COM VÍDEOS QUE EXPLICAM MAIS SOBRE O PROGRAMA :

http://www.youtube.com/watch?v=oowwBq5jJDA

 
 
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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Como todos sabem, eu sou oralizada, usuária de IC e sei LIBRAS muito porcamente. Recentemente, conheci um aplicativo do iPhone (infelizmente só tem pra iPhone) que você escreve em Português e ele traduz para LIBRAS. Achei muito bacana, não só é uma forma de se comunicar com os usuários da Língua de Sinais Brasileira, como também uma forma de aprender. Há a opção de colocar o Hugo (personagem 3D criado para traduzir as frases) para sinalizar de maneira bem mais lenta e aprender as palavras. Eu baixei e achei muito legal, dou nota 10 pro app.
Falta agora algum grupo desenvolver um BOM aplicativo que transcreva fala para texto de maneira pelo menos 90% satisfatória. Eu pretendo criar algo para projeto de pesquisa e TCC, mas só dá pra fazer disso um app de verdade com um enorme banco de palavras, se eu tiver ajuda de alguma empresa, pois é um projeto muito extenso. Bom, segue um texto sobre o Hand Talk, que foi retirado do próprio site do aplicativo que é http://www.handtalk.me

Hand Talk

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Hand Talk: Uma solução digital para inclusão social

A Hand Talk é uma plataforma de tradução digital do português para LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais, comandada por um simpático intérprete virtual, o Hugo, personagem 3D que torna a utilização da solução interativa e de fácil compreensão. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui quase 10 milhões de pessoas com algum tipo de problema auditivo, entre eles, há uma parcela que não compreende corretamente o português e dependem exclusivamente da LIBRAS para se comunicar.

Diante desse cenário, a solução surge como uma ferramenta para auxiliar a comunicação entre surdos e ouvintes e trazer mais conhecimento para seus usuários, possibilitando uma troca continua de informação entre eles. “Pretendemos oferecer acessibilidade à comunidade surda e as pessoas que de alguma forma necessitam da LIBRAS para se comunicar. Além disso, um dos nossos objetivos é difundir ainda mais a Língua Brasileira de Sinais em nosso país”, comenta Ronaldo Tenório, CEO da Hand Talk.

Aplicativo Hand Talk:

O Hand Talk App é um tradutor mobile para smartphones e tablets, que converte, em tempo real, conteúdos em Português para LIBRAS, seja ele digitado, falado ou até fotografado. Através da opção de tradução de texto, o usuário pode escrever uma frase ou uma simples palavra e o Hugo se encarrega de interpretá-la. Com a opção de conversão de áudio, o aplicativo reconhece a voz e traduz em LIBRAS.

Além dessas opções, o app também consegue converter fotografias. Basta capturar uma foto, por exemplo, de uma frase curta na capa de um livro, e a mensagem é interpretada simultaneamente para a Língua Brasileira de Sinais. O aplicativo, que foi eleito pela ONU o melhor App social do mundo, está disponível para download gratuitamente na App Store (www.handtalk.me/app) e em breve também será lançado para dispositivos Android.

HT Plus

Para oferecer ainda mais acessibilidade aos surdos, a Hand Talk criou o HT Plus, soluções coorporativas de tradução em LIBRAS sob medida. Com esta solução, é possível inserir o tradutor em Totens em eventos ou empresas, como também obter vídeos personalizados com o Hugo interpretando na Língua Brasileira de Sinais. Para conhecer melhor este serviço, acesse www.handtalk.me/plus.

Premiações

Desde sua criação, a empresa vem conquistando destaque e recebendo prêmios no mercado nacional e internacional A solução foi eleita em 2012 a mais inovadora do Brasil na Rio Info, um dos maiores eventos de Tecnologia do país. Em 2013, concorrendo com cerca de 15.000 aplicativos de várias partes do planeta, o Hand Talk foi eleito o melhor app social do mundo, no WSA-mobile, evento organizado pela ONU – Organização das Nações Unidas – realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. “Já foi uma vitória participar desse evento. Sabemos de sua importância, afinal, trata-se do “Oscar dos Aplicativos”. Estamos muito felizes em saber que fomos considerados por todos os jurados os melhores do mundo. Isso só nos deixa com mais ânimo para trabalhar cada vez mais”, diz Carlos Wanderlan, CTO da Hand Talk.

Futuro:

Após o evento do WSA-mobile e o lançamento oficial do aplicativo Hand Talk, várias portas se abriram. Foram iniciadas negociações para sua expansão até mesmo para outros países, refletindo a preocupação mundial com a inclusão social e acessibilidade. “Queremos levar nossa ideia para todos os lugares do mundo. Esperamos contribuir para estreitar ainda mais a relação entre surdos e ouvintes”, comenta Thadeu Luz, COO – da Hand Talk.

 

 

04
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Eu estava no Facebook, quando vi no perfil de uma amiga, a Karla Lima, uma placa de assentos especiais no aeroporto de Paris com a seguinte pergunta: O que quer dizer o simbolo no canto inferior à esquerda?

A placa em questão era essa

 

Bom, como eu tenho amigos com deficiências variadas e muitos deles adoram viajar, fui perguntar no meu perfil se alguém sabia, surgiram várias especulações até eu encontrar o significado correto no Desculpe Não Ouvi, da Lak Lobato. E foi a Sô Ramirez do SULP quem encontrou a informação na época e repassou, mais tarde a Lak fez um post sobre o simbolo e como post dela foi feito em 2011, eu vou repassar a informação encontrada no DNO, para cá.

 

“Symbole d’accueil, accompagnement et accessibilité :
Símbolo de recepção, acompanhamento e acessibilidade:

Ils sont utilisés pour indiquer les lieux ne présentant pas d’obstacles, où les personnes en fauteuil roulant peuvent se déplacer sans avoir besoin d’assistance, les services et aménagements destinés aux personnes déficientes auditives, aux personnes handicapées visuelles.
São usados para indicar que o local não têm obstáculos, em que as pessoas de cadeiras de rodas podem se mover sem necessidade de ajuda, os serviços e facilidades para pessoas deficientes auditivas, visuais.”

Mas, na verdade, essa explicação se referia à junção dos 4 símbolos, tal como na foto que coloquei, que são usados sempre nesse conjunto.

Quem forneceu a resposta completa sobre o significado do tal desenho foi Giseli Ramos, autora do blog CyberGi, que também é usuária do Implante Coclear:

“O símbolo representa acessibilidade às pessoas com deficiência mental. Significa apoio, acolhimento e local acessivel às pessoas com essa deficiência, através de gestos como usar frases simples e dar tempo para que eles posssam responder e entender, de forma que possam usufruir os mesmos serviços que todo mundo.”

Quem quiser ler a explicação completa em francês (ou simplesmente copiar o link e jogar no google translate): http://www.brivemag.fr/?p=7027

 

O para o link completo e original do post é só clicar aqui  e os créditos como eu disse, são da Lak Lobato, só quis dar uma atualizada, porque nem ela e nem a Sô lembravam mais rs.

 

Beijos a todos 🙂

 

16
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Pessoal , hoje o blog completa 3 anos e 1 mês, e como prometido, hoje joguei as informações em um programinha (acabei optando pelo programinha e não site) feito por um amigo, pra não haver favoritismos, e aqui está o resultado.

 

Parabéns ao Heron, o prêmio será postado no correio na Terça- Feira, entro em contato para pegar o endereço. Espero que goste do despertador, e obrigada a todos que participaram, o blog Igualmente Diferentes realizará novos sorteios mais pra frente e todos terão chances novamente.

Beijos a todos 🙂

26
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 5 comentários

Essa semana, eu fui entrevistada pela Lak Lobato para a coluna dela no Acessibilidade Total. Então como toda entrevista rs, o entrevistado participa da criação do texto. O texto foi originalmente postado na Coluna da Lak no Acessibilidade Total (o link vai redirecionar pra entrevista, mas quem quiser a coluna em si ou só o site é só clicar no nome completo da Lak lá em cima e no nome do Site também lá em cima, vale a pena). Aqui vai a entrevista na integra pra vocês.

 

Aulas Acessíveis 2: Transcrição de Aulas

POR LAK LOBATO 26 DE OUTUBRO DE 2011

Se tem algo que é um ”sonho de consumo” para os estudantes surdos oralizados, é a transcrição das aulas por estenotipia. Você já ouviu falar disso?

É, provavelmente, não. Aqui no Brasil, não sei de alguma escola ou faculdade que ofereça esse serviço. Que eu saiba, só existe duas empresas de estenotipia no Brasil.

Mas, afinal, o que seria estenotipia? Basicamente, a transcrição de textos por escrito, conhecido em inglês como CART – Communication Access Reatime Transation – algo como “Tradução de comunicação acessível em tempo real”, o mesmo sistema usado para produzir a legenda oculta (closed caption) dos canais de televisão, com a diferença que, nesse caso, é usado em sala de aula.

O estenotipista digita tudo o que ouve num aparelho chamado estenotipo, que possui um teclado especial, com as teclas dispostas em código, permitindo que o estenotipista escreva de maneira muito mais rápida. Para você ter uma idéia, um bom estenotipista digita 300 palavras por minuto (ou mais, dependendo da destreza do profissional). Numa aula com transcrição simultânea, o estenotipista senta do lado do aluno com deficiência auditiva e digita com o estenotipo conectado a um computador, cuja tela fica virada para o aluno, que copia a matéria. Mas, o mais legal é que não apenas a matéria é digitada, mas toda e qualquer informação sonora da sala de aula: fala de professor e aluno, risada da turma, aplausos, etc .

Como eu não tenho qualquer conhecimento da causa, porque nunca vi um aparelho desses na minha vida e, até pouco tempo atrás, nem sabia que isso existia, pedi para uma amiga, Diéfani Favareto Piovezan, que morou boa parte da vida nos Estados Unidos e teve oportunidade de assistir aulas de universidade com esse recurso de acessibilidade, nos explicar um pouco sobre o estenotipo.

Lak:Então, você perdeu a audição gradualmente, né? Quando começou a ter dificuldade em sala de aula?

Diefani : Sim, comecei perder gradualmente quando tinha 14 anos, mas dificuldades mesmo comecei a notar dois anos depois já com 16.

Você estava em que série?

Era nos EUA, 10th grade, segundo ano do colegial. Lembrando que o colegial lá possui quatro anos e não três como aqui.

Bom, quando você soube do sistema de transcrição de aula?

Na verdade só fiquei sabendo quando já estava na faculdade. Eu tinha visto na Comunidade (do Orkut) de Tecnologia Para Surdos sobre a companhia C-Print que trabalha com isso. E minha professora me orientou a procurar o departamento de deficiências da faculdade. Lá no departamento comentei sobre o C-Print e soube que não usavam o C-print, mas contratavam estenotipistas particulares e que já havia alguns alunos surdos que usavam.

E como é o trabalho do estenotipista?

Basicamente, ele transcreve as aulas, palestras, o que for preciso. Se for necessário digitam horas a fio. O trabalho deles consiste não só em transcrever as aulas e palestras, mas integrar o aluno no ambiente escolar e na sala de aula, escrevendo o que se passa ao redor, os comentários que outros alunos fazem, por exemplo. Escrevem também sobre os barulhos do ambiente como palmas ou música. Fora isso, eles gravam tudo, depois revisam em casa porque às vezes, não conseguem entender algo. E repassam pra gente por e-mail pra estudarmos depois.

Quanto tempo leva pra entregarem a transcrição?

No mesmo dia, à noite ou no dia seguinte. Nunca passava disso.

E a faculdade que oferecia esse serviço ou o aluno contrata por fora?

A faculdade, eu não pagava nem um centavo. Eu era bolsista, mas mesmo os alunos que não eram não pagavam. As escolas e faculdades lá são obrigadas a fornecer acessibilidade e melhorar as instalações para alunos com qualquer tipo de deficiência.

Como era feito o serviço? O estenotipista ia lá, gravava a aula e mandava pra você ou já digitava algumas coisas em sala de aula?

Já digitava na aula, ele ia com o estenotipo e o laptop. O laptop ficava logo ao lado do meu caderno, enquanto ele digitava, eu ia tomando notas do que o professor falava e aparecia na tela. O lance de mandar depois é porque algumas palavras não estão no dicionário deles, ou algum barulho interfere e não entendem, ou às vezes o professor acaba falando enrolado mesmo, ai eles anotavam o que entenderam ou colocavam entre parênteses pedindo desculpas dizendo que não entenderam. Noutras vezes, o aluno também precisa beber água ou ir ao banheiro e perdia parte da explicação, então mandavam por e-mail com as correções e partes perdidas enquanto o aluno estava fora da sala.

E isso te ajudava a compreender a aula melhor?

Muito melhor. Antes só entendia o que era escrito na lousa, o resto eu tinha que me virar, ler e pesquisar pra entender mais sobre o assunto, depois com o estenotipista não precisava . Quando ia estudar pra prova, conciliava o livro com as aulas transcritas enviadas por e-mail e as notas eram sempre acima da média depois.

E esse serviço é comum nos Estados Unidos?

Sim, muito comum, depois fui apresentada a outros alunos surdos pelos estenotipistas. Havia 5 alunos surdos além de mim, que usavam o serviço. Inclusive uma me disse que apesar de ser bilíngüe (usava língua de sinais e inglês oral, falando e fazendo leitura labial), ela preferia a estenotipia, porque achava ficava tudo mais clara a compreensão, em relação ao ensino fundamental e médio ela usou intérpretes. Ma faculdade o diretor do departamento de deficiências falou sobre a transcrição, e ela quis testar, ai ela disse que ficou maravilhada.

Há quanto tempo existe esse serviço por lá, você sabe?

Não faço idéia, mas a minha principal estenotipista (eram vários por questão de cansaço) me disse que na área de transcrição pra surdos ela está há mais ou menos 10 anos. Antes ela trabalhava como estenotipista para tribunais. Ela trabalha com isso há mais de 20 anos.

Acontecia dos alunos ouvintes pedirem cópia do seu material?

Já pediram, mas a verdade é que o diretor do departamento de deficiência disse que eu não deveria. Então no Maximo, eu repassava o que estava lá, mas com as minhas palavras e também, só passava o que eles tinham dúvidas. Mas, foram poucas vezes, dá pra contar nos dedos das mãos e ainda sobra.

Agora que você está fazendo faculdade aqui no Brasil, como faz para assistir as aulas sem esse sistema?

Bom, agora aqui no Brasil é mais complicado. Na verdade, atualmente com o IC consigo acompanhar todas as aulas sem problemas, as notas baixas são por conta da dificuldade mesmo (risada), mas antes de fazer o IC e antes de ele realmente me fazer ouvir (o implante coclear requer algum tempo de adaptação), eu pedia pros professores darem uma ajuda extra, falarem virados pra mim, me repassarem slides. Os colegas de sala me ofereciam as anotações pra copiar e, logo após eu ter feito o IC, uma colega de sala que era promotora me sugeriu interprete oralista, mas eu não quis.

Você sabe qual o preço do aparelho de estenotipia nos EUA?

Sim, os aparelhos custam em torno de cinco mil dólares.

É, são caros. As faculdades possuem um aparelho ou contratam o serviço?

Contratam os serviços, o aparelho é do próprio estenotipista, ele escolhe o que for melhor pra ele. A faculdade só paga as horas que eles trabalham, e pelo que sei, são bem remunerados, tanto que ano passado o marido da mesma estenotipista que citei anteriormente como sendo a principal, perdeu o emprego, ela quem sustentou a casa sozinha por oito meses, mantendo as duas filhas mais velhas na faculdade e as mais novas em escolas particulares sem problema algum.

Beijinhos,

Lak

 

 

04
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 4 comentários

Eu passei uns dias falando pra todo mundo no facebook em grupos e aqui no blog dizendo que redigiria e enviaria uma carta ao MPF ou melhor dizendo, para o Procurador Geral da Republica e pedi que me enviassem dados pessoais pra colocar o nome na carta como assinatura. Infelizmente apenas 20 pessoas me passaram os dados e eu não podia segurar mais a carta, então segunda-feira passada eu a coloquei no correio. Em 15 dias terei o número do protocolo gerado.

Para quem quiser ler a carta, segue abaixo o conteudo:

“Pontal, 10 de setembro de 2011.
Ilustríssimo Sr. Roberto Gurgel, procurador geral da república.

 

Dirijo-me a V, Excia. para indagar o motivo pelo qual a Procuradoria Geral da Republica se mantém inerte em melhorar o acesso de surdos no que diz respeito a todo tipo de comunicação.

Há leis que garantem o acesso de surdos aos meios de comunicação – Lei n.º 10.436, de 24 de abril de 2002 art. 84, inciso IV da Constituição – por intermédio de um intérprete de LIBRAS, sendo assim, escolas, bancos, hospitais, faculdades e outros, devem disponibilizar esses interpretes quando solicitado. E adiciono ainda, o fato de algumas redes televisivas possuírem intérprete em algumas programações.

O que deve ser apontado, é que apenas uma parcela dos surdos pode usufruir desses serviços. Esses são chamados Surdos Sinalizados, existe, no entanto, um grupo de surdos, que usam a língua Portuguesa falada para se comunicar, são chamados Surdos Oralizados. Embora pareçam ser uma parcela mínima, eles são muitos e têm tanto direito a acessibilidade quanto os Sinalizados. Surdos oralizados são tão surdos quanto os sinalizados, e dependem de leitura labial pra tudo, o que quase sempre, não é o bastante. Esses surdos usam aparelhos auditivos e implantes cocleares, mas as barreiras continuam existindo, pois mesmo com a tecnologia, a compreensão de certas coisas continua difícil, e alguns nem mesmo conseguem de fato ter algum ganho com esses aparelhos.

Caro Sr. Gurgel, nesse momento pode ser que passe pela cabeça de muitas pessoas “Por que então não aprendem LIBRAS?” Porque assim como qualquer outra Língua, não temos a obrigação de gostar. É uma questão de escolha, de afinidade e de facilidade e nós, surdos oralizados, achamos mais fácil verbalizar.

Devo ressaltar que há ainda projetos de lei como Projeto de Lei 3979/00 que visa à obrigatoriedade do Closed Caption nas programações televisivas, no entanto apenas uma pequena parcela de programas possuem as legendas ocultas dificultando com que certas coisas sejam compreendidas, mas ¼ da grade horária com closed caption não é o suficiente.

Recentemente, foi levantada por um grupo de surdos oralizados, essa questão de acessibilidade inexistente. A discussão se deu primeiramente ao fato de que muitos estão cansados de muitas vezes terem que perder um dia de trabalho para irem ao banco, lojas, concessionárias e outros lugares, para resolver problemas que seriam facilmente resolvidos por telefone por uma pessoa ouvinte.

Beira o humilhante o fato de sermos empurrados de mesa em mesa até que alguém resolva nos colocar em frente a um aparelho TDD que é um telefone especial de texto para surdos. É uma tecnologia obsoleta, cara e a maioria não sabe como usar. No fim somos novamente redirecionados aos gerentes desses estabelecimentos, porque por TDD não pode ser resolvido.

Em inúmeros casos, ficamos impossibilitados de resolver nossos próprios problemas, muitas vezes pedimos pra alguém se passar por nós ao telefone, mas isso não só implica em fraude como também em ter que passar dados confidenciais a terceiros. Tudo isso poderia ser evitado se houvesse leis obrigando que nos assistam de outra maneira.

Senhor Procurador Geral da Republica, meu desejo por meio dessa, é pedir para que como cidadãos, nossos direitos sejam garantidos. Se formos assaltados, levarem nossos cartões de crédito e celular precisaríamos contatar essas empresas depois para cancelar os seus serviços, e como fazer isso por telefone sem precisar cometer fraude? Se acontecer um acidente na estrada, como pedir ajuda pra policia ou postos de atendimento de pedágios se não conseguimos falar ao telefone? Como podemos assistir e compreender normalmente aulas na escola ou faculdade, se o professor nem sempre tem como se manter de frente pros alunos enquanto explica? Como avisar minha operadora de cartão de credito que vou viajar se eles não possuem um sistema de chat ou SMS? Como assistir televisão sem problemas, se não ouvimos o que falam? É impossível.

O que me chamou atenção foi que passei um tempo no exterior, e pude notar a grande diferença entre os países de lá e aqui. No nosso país, acham que LIBRAS é o máximo da revolução para surdos, mas aqui embaixo, citarei as tecnologias usadas por mim lá fora, e que facilitam não só a vida de surdos, mas de ouvintes também. A maioria desses serviços funcionam das 7 às 23 horas, mas muitos tem funcionamento 24 horas.

 

Escolas e faculdades públicas ou particulares:

Possuem sistema de transcrição de fala em tempo real com um estenotipista.

Comunicação com diretoria e professores por e-mail em caso de alguma eventualidade.

 

Bancos:

Sites com atendimento online por meio de chat.

E-mails aos quais são obrigados a responder em no máximo 24 horas.

Serviços via SMS, como bloqueio de cartão.

 

Lojas:

Sites com atendimento online por meio de chat.

E-mails aos quais são obrigados a responder em no máximo 24 horas.
Operadoras de Cartão de Crédito, Operadoras de Telefonia:

Sites com atendimento online por meio de chat.

E-mails aos quais são obrigados a responder em no máximo 24 horas.

Cadastramento por meio de carta autenticada em cartório, de uma ou duas pessoas autorizadas a resolverem problemas no lugar do titular.

Serviços via SMS.

 

Hospitais, Clinicas e Laboratórios:

Agendamento por uma seção especial no site.

Agendamento e contato por e-mail.

Atendimento online por meio de chat.

Retirada de exames online.

 

Bombeiros, Ambulâncias e Policia:

Atendimento via SMS

 

Hotéis:

Seção especial no site para reservas

Reservas por e-mail

 

Restaurantes:

Pedido de entrega online.

 

Televisão:

TV aberta ou paga com closed caption 24 horas por dia em todas as emissoras, até mesmo as direcionadas ao publico infantil.

Devo reconhecer que alguns desses serviços são disponíveis em nosso país, mas com falhas e brechas enormes, e a diferença entre os países do exterior e o Brasil é que lá essas acessibilidades são lei. Se não forem cumpridas os responsáveis por cada órgão serão punidos com multas de valores exorbitantes, muitas vezes chegando à casa dos seis dígitos.

Pode parecer difícil no começo, mas se eles podem por que não a gente? Esses serviços seriam bons em todos os sentidos, tanto no quesito acessibilidade, quanto na geração de empregos para mantê-Los.

Gostaria de deixá-lo à par do fato que em um recente fórum da Anatel o órgão FENEIS foi convidado para discutir acessibilidade para surdos sinalizados, mas em momento algum a Anatel convidou um surdo oralizado que fosse para discuti-las também. Onde está a igualdade para todos? 

Prezado Sr. Roberto Gurgel, tenho esperança em um Brasil melhor e mais acessível, e tenho fé que o senhor irá ser de grande ajuda nessa jornada. Uma intervenção para serviços semelhantes aos citados é o que nós esperamos de V. Excia e do Ministério Publico Federal.”

 

Bom, está ai, eu nem ia postar porque depois o que chove de gente da oposição enchendo o saco não está escrito, mas é bom que todos saibam exatamente pelo que lutamos.

Beijos a todos 🙂

02
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 2 comentários

Não é de hoje que nós, surdos oralizados brasileiros, reclamamos da falta de acessibilidade e informação no nosso país. Na terça – feira (30/08), surgiu no Blog Crônicas da Surdez a reclamação da Paula, sobre isso.

A Paula estava reclamando sobre o fato dos bancos não possuírem serviçoes acessíveis a surdos para a realização de coisas simples como bloquear um cartão de crédito roubado. Quem quiser ler na integra é só clicar aqui.

Ela teve um problema no banco, e mesmo se dando ao trabalho de ir até a agência bancária, disseram à ela que aquilo poderia ser resolvido somente por telefone, então sugeriram a ela que utilizasse a linha especial, com aqueles trambolhões chamados TDD (Telecommunication Device for the Deaf). Para quem não sabe, é um telefone, aonde você escreve mensagens e envia à alguém com o mesmo aparelho que vai digitar uma mensagem e responder. Digamos que é quase um serviço de Torpedo SMS mal feito e arcaico, aonde os aparelhos custam de 210 a 600 reais.

Enfim, como disse a Paula, 0800 por si só já é uma coisa ridícula, porque nem ouvinte tem paciência praquilo, 0800 “especial” então é o fim da picada. Agora me digam, quem tem um TDD em casa? Eu obviamente não tenho um, nem saberia usar, e seria algo praticamente INUTIL dado o fato de que eu usaria pouco. Fora que há também o fato de que certas coisas o pessoal do atendimento TDD diz que tem que ser resolvido por telefone ou diretamente com o gerente do banco/loja/supermercado.

E ontem, na quinta-feira (01/09) ela fez um novo post falando que tentou cancelar um cartão da C&A por e-mail e recebeu uma resposta que eu chamaria até de sarcástica e irônica, mesmo não tendo sido essa a intenção. Simplesmente agradeceram e mandaram ela LIGAR para cancelar. Clique aqui para esse post no blog da Paula.

A questão aqui, é que nós, surdos oralizados, muitas vezes nos vemos obrigados a pedir pra um amigo ou familiar ligar em um 0800 e MENTIR, fingindo ser a gente. Isso por si só já é CRIME, é FRAUDE. Agora me digam, é justo termos que passar por isso todas as vezes? Sendo que esses serviços poderiam ser resolvidos por e-mail e por chat?

Se você é roubado, se o seu cartão é bloqueado enquanto você está no exterior, se o seu cartão for clonado, extraviado ou se o surdo não possui acesso a TDD de maneira alguma, como ele pode resolver o problema?

O curioso é que na mesma semana eu tive um probleminha com minha conta no Santander, eu recebi meu cartão, mas não recebi a senha e a chave de segurança, e no papel que veio co m o cartão disse pra ligar no 0800 pra desbloquear o cartão e ouvir a senha e a chave, mas olha que MERDA (desculpem), pra desbloquear o cartão precisava da senha, e pra ouvir a senha precisava desbloquear o cartão.

O pessoal do SAC disse que tinha que resolver isso na agência, uma vez na agência, o gerente disse que faria o pedido da senha pra chegar por correio E DESBLOQUEOU O CARTÃO. Porra (desculpem mais uma vez), como diabos uso o cartão sem a maldita da senha? Agora estou com dinheiro na conta, pegando grana emprestada com minha tia, porque simplesmente não posso movimentar um centavo do que está ali, porque não tiveram a decência e a capacidade de resolver isso pra mim na própria agência e muito menos por telefone, já que o serviço por si só entra em contradição.


Não seria muito mais fácil se houvesse a possibilidade de eu mesma resolver isso por chat/sms/e-mail? Eu não me importo com o fato da senha chegar por correio agora, sabe Deus que dia, mas me importo com o fato de ter que além do SAC ir até a agência pra conseguir isso, quando eu poderia ter feito isso no meu computador ou no meu celular.

Está ai mais um momento pra eu sentir falta de quando morava nos EUA, as operadoras de cartões de crédito possuem um sistema de e-mail e de chat online para resolver eventuais problemas e tirar dúvidas. Se o problema precisa ser resolvido única e exclusivamente por telefone, há a opção de você ir à um advogado e ele redigir um documento com informações suas, especificando a sua deficiência auditiva/fala e informando os dados de 1 ou 2 pessoas autorizadas a resolverem essas coisas por telefone. O Advogado coloca um carimbo, autentica (lá isso é feito por advogados, sem necessidade de cartórios), e manda isso por fax ou por correio para a operadora do cartão. Quanto o advogado cobra pra fazer isso? 20 ou 30 doláres, depende de quem for.

Os bancos possuem sistema de SMS ou até aplicativos para celulares, por meio dos quais pode ser feito o bloqueio do cartão dentre outros serviços. Lojas e companhias como a de TV a cabo, telefonia e internet, possuem sistema de chat 24/7 (24 horas por dia, 7 dias da semana) para resolver problemas.

É uma diferença gritante de ver como funciona um país com pouca informação e  povo preguiçoso, e um outro com muita informação e povo sem preguiça. Porque esses serviços não são exclusivos de surdos, eles foram criados para facilitar também a vida dos ouvintes que vivem num corre-corre danado.

Eu não poderia ficar calada diante de um absurdo desses. É a mesma coisa que você chegar em uma faculdade e dizer aos professores que é surda oralizada e sugerirem um interprete de LIBRAS, é simplesmente um absurdo, é ultrajante, é desgastante e as vezes beira o humilhante dependendo dos casos. Nos EUA o aluno tem acesso a um sistema de transcrição em tempo real, que ainda da a vantagem de ter as aulas enviadas por e-mail para poder “assisti-las” novamente.

Em função disso o nosso amigo Raul Sinedino, também bem conhecido por muitos que freqüentam o Igualmente Diferentes, teve a brilhante idéia de organizar um PANELAÇO (fazer barulho) no Twitter, no dia no dia 20/09/2011 a partir das 15:30h, basta postar a seguinte frase no Twitter:

#Acessibilidade p/ #SurdosOralizados em bancos: INEXISTENTE! http://bit.ly/qKfiH6 (ajude a divulgar)”.

Não se esqueçam de acrescentar as hashtags (# antes da frase) do contrario o Twitter não computa as frases e o assunto fica longe de passar nos trend topics. Se você não tiver Twitter, use seu facebook, Orkut ou até mesmo apelido do MSN para ajudar na divulgação. Mãos à obra por um país mais acessível porque nossa acessibilidade aqui foi pro esgoto.

Beijos a todos. 🙂

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