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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

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Uma das maiores dificuldades que uma pessoa com surdez tardia ou diagnosticada tardiamente, é de fazer com que as pessoas que estão ao seu redor não somente compreendam o que está acontecendo e acreditem nisso mas acredito que a maior dificuldade está em educa-las sobre a surdez.

É bastante comum que as pessoas que convivem com o deficiente auditivo, fiquem desacreditadas. Professores, colegas de trabalho, colegas de escola, família, todos aqueles que deveriam dar suporte, acabam interpretando as dificuldades de comunicação como desinteresse ou falta de atenção.

Sem o apoio daqueles que deveriam estar ao seu lado, se a deficiência auditiva ainda não tiver sido diagnosticada, é muito provável que o individuo irá adiar a sua ida ao médico e acreditará que todos ao seu redor estão certos. Há casos em que as pessoas procuraram médicos somente após a situação ter se tornado extremamente crítica. Se já diagnosticada, muitos passam a ter vergonha da deficiência auditiva e passam a evitar situações sociais.

Uma vez compreendida e aceita pela família e amigos próximos, começa a tarefa de ensina-los todas as necessidades do deficiente auditivo. Falar sempre de frente, não falar enquanto está em outro cômodo, mandar mensagem ao invés de ligar, pedir pra sentar na ponta de uma mesa pra conseguir acompanhar uma conversa lendo lábios. A lista é infindável e varia de acordo com o DA.

No ambiente acadêmico, vem a necessidade de educar professores e colegas sobre como lidar. Não falar enquanto está virado para o quadro, não deixar a sala completamente escura se for passar vídeos ou slides, não andar pela sala enquanto fala, reservar cadeira na frente para que o aluno DA se sente e consiga acompanhar. Pedir aos alunos para fazer silêncio para não atrapalhar aqueles que ouvem com próteses, ensina-los que atirar objetos para chamar atenção não é legal, em vez disso, toque no ombro e fale olhando diretamente.

No ambiente de trabalho tudo funciona mais ou menos da mesma forma como no ambiente acadêmico e familiar. Os colegas e superiores precisam entender que às vezes a pessoa não participa de uma discussão por não ouvir, precisam aprender que em uma reunião, é preciso estar sentado em um lugar da mesa onde se possa olhar para todos e que se a pessoa usa próteses, isso não significa automaticamente que ela consiga acompanhar tudo, especialmente conferências pelo telefone ou vídeo, havendo a necessidade de que alguém os atualize presencialmente.

No ambiente acadêmico e profissional, também há a necessidade de entender que talvez aquela pessoa use Língua de Sinais e precisa de um intérprete mas não apenas isso, se ela tem um intérprete, isso não significa que você deva falar com ele. Fale diretamente com o surdo, olhando para ele, o interprete irá traduzir tudo o que você falar e depois o contrário. Muitos usuários de Língua de Sinais, relatam que as pessoas se dirigem ao intérprete e não a elas, tornando a conversa não somente desconfortável e muito impessoal como passa a impressão de que a pessoa ouvinte não se importa com o DA

Em todos os meios, fazer com que as pessoas entendam que nem todo DA é igual. Existe aquele que é oralizado, aquele que usa Língua de Sinais, aquele que usa próteses. Temos ainda o surdo que não se identifica com a Língua de Sinais e não quer aprende-la, tem o que não se identifica com a oralização e não queira passar pelo processo. O DA que que usa próteses e que não usa, aquele que se dá bem com as próteses que usa e aquele não. Tem aquele surdo que usa prótese, ouve bem, fala bem e usa Língua de Sinais, tem aquele que usa, não ouve bem, fala e não usa Língua de Sinais mas lê lábios muito bem. A diversidade é infinita, porque até mesmo quando se acha que conheceu todos os tipos de DA, aparece um que é diferente.

Em todos esses meios, as pessoas também precisam entender que às vezes a pessoa não precisa de nenhum desses recursos e em todos os casos, seja do DA que precisa de recursos ou não, há a necessidade de que todos entendam que ter necessidades diferentes das de um ouvinte, não significa que devemos ter tratamento especial.

Algo que há muito venho tentado explicar para as pessoas é que não existe “necessidades especiais”, existe apenas necessidades. Uma necessidade não é mais ou menos importante. A necessidade de um intérprete não é menos importante do que a necessidade de um colega que precisa de um apoio de punho para usar o seu mouse pois tem tendinite, por exemplo.

Então entramos no âmbito mais complexo e difícil ao se educar alguém sobre a deficiência auditiva, que é a de fazer com que as pessoas deixem de ver o DA/surdo como especial e passem a vê-lo como um ser humano qualquer, um ser humano que poderia necessitar de apoio de punho ou para os pés mas ao invés disso precisa de um intérprete, precisa de ler lábios, precisa de uma prótese auditiva.

Tornar as pessoas conscientes de que todos temos necessidades e que o fato de uma necessidade ser conhecida por todos e outras não, não as torna mais ou menos especiais é talvez a mais difícil de todas as tarefas.

 

Beijos a todos

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1. ESPERA, MAS SE VOCÊ CONSEGUE ME OUVIR, ENTÃO VOCÊ NÃO É SURDO DE VERDADE

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TRADUÇÃO DA IMAGEM: “VOCÊ NÃO SABE NADA SOBRE MIM”

– SURDO, DEFICIENTE AUDITIVO…TANTO FAZ

 

2. QUANDO ALGUÉM TE DIZ ALGO SEM SOM

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VOCÊ É TÃO ESPERTO E ENGRAÇADO!,

 

3. POSSO EXPERIMENTAR SEUS APARELHOS AUDITIVOS?

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TRADUÇÃO DA IMAGEM (EMBORA ÓBVIA): NÃO! 

 

4. SE VOCÊ MURMURA

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TRADUÇÃO DA IMAGEM: ADEUS!!!

NÓS NÃO PODEMOS SER AMIGOS.

 

5. VOCÊ É CURDO?

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NÃO SÃO APENAS AS PESSOAS SURDAS QUE PRECISAM QUE VOCÊ TENHA UM BOM ENUNCIADO.

 

6. QUANDO ALGUÉM SUGERE JOGAR “TELEFONE MUDO”

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7.  SE VOCÊ NÃO OUVE, PORQUE NÃO SABE LÍNGUA DE SINAIS?

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EU SEI SIM, VIU?

 

8. A MAIORIA DAS MINHAS CONVERSAS

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TRADUÇÃO DA IMAGEM: MULHER: VOCÊ DISSE OLÁ? 

MINHOCA: NÃO EU DISSE “ROLA”, MAS PASSOU PERTO.

 

9. OU ENTÃO SIMPLESMENTE

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TRADUÇÃO DA IMAGEM: DO QUE VOCÊ TÁ FALANDO?

 

10. MEU AVÔ USA APARELHO AUDITIVO

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TRADUÇÃO DA IMAGEM: EU TENHO UMA OPINIÃO BEM CLARA SOBRE ISSO…EU NÃO ME IMPORTO!

 

11. QUANDO AS PESSOAS RECLAMAM DA LEGENDA DO FILME ESTAR LIGADA

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12. TENTANDO TER UMA SIMPLES CONVERSA COM ALGUÉM

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TRADUÇÃO DA LEITURA LABIAL DA IMAGEM: EU NÃO ESTOU TE OUVINDO

 

13. QUANDO ALGUÉM FICA SEM PACIÊNCIA POR TER QUE REPETIR ALGO VÁRIAS VEZES

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TRADUÇÃO DA IMAGEM: OH! EU NÃO ME IMPORTO. 

 

14. O QUE EU DIGO PARA MIM MESMO QUANDO ESTOU PERDENDO UMA CONVERSA APARENTEMENTE INTERESSANTE

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TRADUÇÃO DA IMAGEM: SEMPRE AS MESMAS PESSOAS DE MENTE FECHADA, AS MESMAS CONVERSAS SEM SENTIDO. 

 

15. QUANDO ALGUÉM ME PERGUNTA SE EU ÀS VEZES FINJO NÃO OUVI-LO

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FONTE: BUZZFEED

 

 

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Helen Adams Keller (Tuscumbia27 de junho de 1880 —Westport1 de junho de 1968) foi uma escritora, conferencista e ativista social estadunidense. Tornou-se uma célebre escritora, filosofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas com deficiência.

Biografia

Filha do capitão Arthur H. Keller e de Kate Adams Keller, que eram de famílias respeitadas e tradicionais na região.Nascida no Alabama, foi dos maiores exemplos de que as deficiências sensoriais não são obstáculos para se obter sucesso. Helen Keller foi uma extraordinária mulher, triplamente deficiente, que ficou cega e surda e consequentemente muda desde tenra idade, devido a uma doença diagnosticada na época como febre cerebral (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina). Através do contato que teve com Martha Washington a filha de seis anos da cozinheira, ela desenvolveu uma linguagem de sinais própria, qual a qual se comunicava com a família. Helen dizia que Martha fazia tudo que ela pedisse e raramente dizia não, e que isso era extremamente prazeroso para ela que tinha gênio forte.

Os pais de Helen após ouvirem falar do sucesso na educação de Laura Bridgman (cega e surda), a levaram até o Dr. J. Julian Chisolm,  especialista em olhos, nariz, ouvidos e garganta e nada podendo fazer, o médico lhes encaminhou para Alexander Graham Bell que na época trabalhava com crianças surdas. Bell aconselhou que eles entrassem em contato com o Instituto Perkins Para Cegos, que era a mesma escola aonde Bridgman foi educada. Michael Anaganos, diretor do instituto, pediu a uma antiga estudante, Anne Sullivan que contava com então 20 anos e era deficiente visual (ainda enxergava um pouco) para que fosse tutora de Helen Keller. Era então o começo de uma relação que durou 49 anos.

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Helen Keller e Anne Sullivan.

 Anne chegou na casa dos Keller em março de 1887 e imediatamente começou a ensinar Helen. A primeira palavra sinalizada e soletrada em sua mão foi doll ( boneca) para mostrar a boneca que ela havia levado de presente para Helen. O grande avanço na comunicação de Helen Keller foi em Abril daquele mesmo ano, quando ela notou que aqueles movimentos feitos por sua professora na palma de sua mão enquanto deixava escorrer água fria em sua outra mão, simbolizavam a ideia de água.  Ela então quase exauriu Anne Sullivan correndo e pedindo o nome de todos os objetos familiares de seu mundo. A história do encontro entre as duas é contada na peça The Miracle Worker, de William Gibson, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962, dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller).

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Cena do filme The Miracle Worker quando Helen percebeu que aqueles sinais

simbolizavam coisas e palavras.

Sullivan ensinou a Helen o metodo de comunicação chamado de Tadoma, em que a pessoa toca os labios e garganta de outras pessoas enquanto eles conversam, combinado com soletrar ( em alfabeto de linguagem dos sinais)  na palma da mão da criança as palavras. Mais tarde, Helen aprendeu Braile e com ele aprendeu não somente a ler em Ingles, mas também em Alemão, Latim, Grego e Francês.

Em maio de 1888, foi estudar no Instituto Perkins. Em 1894, ela e Anne se mudaram para Nova York para que ela estudasse no Wright-Humason e Horace Mann, ambas escolas para surdos. Em 1890 após saber sobe Ragnhild Kaata uma surda-cega que aprendera a falar, Keller também quis aprender. Na primavera de 1890 teve aulas com Mrs Fuller que através das vibrações da garganta e movimentos da boca e língua, ensinou Helen a falar. Helen ficou contente que com o tempo todos passaram a entende-la e principalmente de como era mais fácil falar do que soletrar as palavras em linguagem dos sinais. Em 1896 retornaram para Massachusetts e Keller ingressou em Cambridge Para Jovens Senhoritas e permaneceu por lá até ser admitida em Radcliffe College em 1900. Seu admirador, Mark Twain a apresentou para Henry Huttleston Rogers, um magnata do óleo, que com sua esposa, pagou pela educação de Helen. Em 1904 graduou-se bacharel em filosofia pelo Radcliffe College, tornando-se aos 24 anos se tornou a primeira mulher surda- cega a ter um diploma de bacharel em artes, a instituição a agraciou com o prêmio Destaque ao Aluno, no aniversário de cinquenta anos de sua formatura. Falava os idiomas francês, latim e alemão.

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Foto de sua graduação

Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade deHarvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia eÁfrica do Sul. Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil, com a do Tesouro Sagrado, no Japão, dentre outras. Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.

Anne continuou como sua companheira, se casou em 1905 com John Macy e sua saúde começou a definhar em 1914. Polly Thompson foi contratada para cuidar da casa. Era uma jovem mulher Escocesa e não tinha experiencia com cegos ou surdos. Ela fez grande progresso, passando mais tarde ao cargo de secretaria e consequentemente se tornou companheira constante de Helen. Depois que Anne morreu em 1936, Keller e Thompson se mudaram para Connecticut. Elas viajaram ao redor do mundo levantando fundos para dos cegos. Thompson teve um enfarte em 1957, mas nunca se recuperou completamente vindo a falecer em 1960. Winnie Corbally, que foi a enfermeira contratada para cuidar de Thompson, acabou ficando depois de sua morte e se tornou companheira de Helen até o fim de sua vida.

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Keller e Polly Thompson.

Em 1961 Keller teve vários enfartes, e passou o resto de seus anos em sua casa. Em 14 de Setembro de 1964, o presidente Lyndon B. Johson a agraciou com a Medalha Pesidencial da Liberdade, uma das duas maiores honras para um cidadão dos Estados Unidos. Em 1965 ela foi eleita ao Women’s Hall of Fame ( Corredor da Fama Feminino) na Feira Mundial de Nova York. Ela morreu enquanto dormia em 1 de Junho de 1968 em sua casa. Foi feito uma homenagem a ela na Catedral Nacional em Washington D.C e suas cinzas foram colocadas ao lado de suas constantes companheiras Anne Sullivan e Polly Thompson.

 

 Beijos a todos 🙂

 

Ps: Em breve mais pessoas surdas famosas.

 

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Gente, no dia que embarquei pros EUA, um surdo vendendo chaveiros com aqueles papeizinhos “sou surdo me ajude comprando esse chaveiro por dois reais” apareceu, eu não comprei, mas comentei com minha tia que às vezes compro, porque ser surdo no mercado de trabalho é complicado, pra achar algo é uma labuta, mas que também não confiava em todos que apareciam vendendo essas coisas e acabei citando esse video:

Que é uma surda tentando conseguir um emprego numa cafeteria, mas não consegue por causa da surdez. O cara alega várias coisas e muitos clientes se revoltam saindo da cafeteria ou defendendo a moça. Entretanto, aparece uma falando que pessoas com deficiência tem mais direitos do que qualquer um, e que se ele não aceitasse a aplicação de trabalho dela, poderia ser processado e então a mulher diz “aceite a aplicação, só não ligue depois.” No fim ele passa a aceitar a aplicação e finge que vai ligar.

Uma amiga minha viu o video e ficou revoltada dizendo “Deve ser isso que fazem quando você manda o seu curriculo, isso é ridiculo e ultrajante.”

Pois bem, comentei tudo isso com minha tia e ela disse o seguinte “Às vezes acho que não é nem preconceito, mas desespero, na verdade dá uma certa angustia falar com um surdo, especialmente se ele não foi oralizado ou não usar protese auditiva, porque ai você vai ter a certeza de que a comunicação vai ser dificil e limitada. Você mesma antes do implante, a gente te falava as coisas e se você não dissesse nada a gente ficava naquela coisa de “ai será q ela entendeu?”, porque quando a gente conversa com um cego, ele não está vendo você, mas ele te entende, se comunica, não existem barreiras pra isso, com um surdo não acontee o mesmo, é angustiante não saber se a pessoa tá balançando a cabeça porque entendeu ou se é porque não entendeu e não quer perguntar de novo, ou ver a pessoa sinalizar sem você entender nada. Acredito que no final, pra se livrarem dessa barreira, eles pulam fora e descartam logo quem tiver surdez.”

Pois bem, eu nunca havia pensado dessa forma, que talvez não seja sempre somente por preconceito ou falta de informação, mas angustia pela dificuldade ou limitação na hora de se comunicar. Porque a gente sempre pensa na NOSSA  angustia de não entender os outros, na nossa agonia de querer se comunicar direito sem às vezes conseguir, mas nunca pensei que no lado de lá isso também rolasse. Vivendo e aprendendo.

Beijos a todos 🙂

09
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Pessoal em 2000 foi lançado um documentário (filmado em 1999), chamado Som e Fúria, que relatava parte da vida da família Artinian. O casal Peter e Nita Artinian são surdos e todos seus filhos também são surds. A mais velha, Heather Artinian, diz que gostaria de fazer implante coclear. No vídeo ela diz que gostaria dele porque gostaria de ouvir um acidente de carro, televisão, pessoas falando, alarmes, buzinas entre outros.

A família após muito pesquisar, e conhecer algumas famílias com crianças implantadas, optam por não implatarem a sua filha. O que aconteceu, foi que os pais de Heather, conheceram uma família de ouvintes com filha surda, a menina, ainda muito pequena, tinha implante coclear e não sabia língua de sinais. Nem ao menos sabia o que era língua de sinais, e Nita, mãe de Heather, se sentiu ultrajada por isso, dando inicio a uma briga homérica na família por causa disso. Pois os avós de Heather eram a favor do implante.

Nesse meio, há também o irmão de Peter, que tem um filho surdo e opta por implantar o filho, todos da comunidade surda acham um absurdo, criticam, falam mal, dizem “viva a cultura surda” ou “a cultura surda existirá para sempre”. O bebê é implantado e mais tarde ativado e percebe-se a emoção dos pais no vídeo. O documentário termina e Heather então com 5 anos, não é implantada. Segue abaixo um pedaço do primeiro documentário com legenda.

Então, 6 anos depois o diretor procura a família novamente, e faz Som e Fúria – 6 Anos Depois. Mostra Heather, então com 12 anos Implantada. Os pais decidiram que ela faria o implante quando ela estava com 9 anos. Aos 12, Heather já ouvia e falava muito bem. Qual não foi a surpresa, quando vi que todos os irmãos e primos surdos de Heather também estavam implantados, e quase entrei em choque, quando vi que a mãe dela, que estava totalmente contra o IC e ultrajada por outra criança não conhecer a cultura surda, também havia se submetido ao implante.

Heather é uma menina muito falante, com vários amigos, frequenta escola comum, aonde ela era a única aluna surda, participa de esportes, faz tudo normalmente e com um sorriso nos lábios. É também possível ver a felicidade dela por conseguir falar e ouvir. Percebe-se que é algo que a faz muito feliz. Ela faz aulas de italiano na escola, e para eventuais problemas, tem uma interprete a disposição. Abaixo segue o segundo documentário completo, mas dividido em 3 partes. Infelizmente as poucas legendas que tem são em inglês, quem souber LIBRAS vai entender algumas coisas também, porque ASL é de certo modo parecido.

Partes do Documentário com CC em Português

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Parte 7

Parte 8

Parte 9

Parte 10

Agora mais 6 anos depois, me passaram o link de uma entrevista atual com Heather, que está atualmente com 18 anos. Segue abaixo a entrevista

Heather Atualmente

Agora que você tem o seu Implante Coclear por 9 anos, como você se sente o tendo hoje, como adulta?

Uau, eu nunca pensei nisso. Eu acabei de completar 18 anos. Acho que agora sou adulta. Eu acho que me sinto um pouco nervosa, porque vou embora para ir à faculdade, e lá todos os alunos são ouvintes. Estou feliz que tenho o IC comigo, porque definitivamente vai me ajudar a me entender com o mundo. Estou também nervosa qye as pessoas não vão me entender ou eu não as entenderei em situações que serão agora de grande importância (como adulta)

Se você estava no colegial, em uma escola aonde os estudantes eram ouvintes, porque você se sente mais nervosa indo para a faculdade?

Os alunos no colegial estava comigo desde os 13 anos, eles sabem que sou surda e eles sabem que as vezes cometerei erros ou os interpretarei de maneira errada. Eles aprenderam a aceitar isso. Já na faculdade, eu ainda tenho medo que eles não entenderão o fato de eu ser surda.

Como o Implante Coclear fez diferença na sua vida até agora?

Definitivamente mudou tudo. Eu fui de estar exclusivamente na cultura surda, para estar nas duas. Eu aprendi a como me comunicar com ouvintes. Eu fui capaz de assumir posições de liderança na escola, bom, por causa do IC eu fui capaz de freqüentar uma escola comum para ouvintes. Eu estou mais preparada para o mundo ouvinte. Eu sinto como se eu fosse ambos surda e ouvinte.

Quais posições de liderança você assumiu na escola?

Eu fui presidente do DECA, que era um programa de negócios e serviço comunitário. Fui presidente da minha turma do 2º colegial e fui capitã dos times de vôlei, basquete e lacrosse.

Nessas atividades em que você liderava, você poderia dar alguns exemplos de atividades onde era necessário que você usasse suas habilidades de fala e audição?

Para o DECA eu tinha que fazer reuniões com aproximadamente 130 membros toda segunda-feira, e fazer uma reunião com a diretoria do DECA com 13 pessoas toda sexta-feira. E eu também precisava conversar com pessoas de negócios e pessoas que estavam ajudando. Para a posição de presidente da turma do 2º colegial, eu tinha que participar de reuniões com o pessoal da administração e reuniões com toda a turma. Como capitã eu precisava conversar com juízes e colegas de times. E para o DECA eu não poderia ter feito nada sem a melhor conselheira do mundo, a Sra. Pearson.

O que a Sra. Pearson fez por você? Eu imagino que ela era uma pessoa que compreendia bem a sua perda auditiva?

A Sra. Pearson me tratou como uma filha. Ela me motivou muito quando eu precisei, e ela se importava comigo. Eu me sentia muito confortável pra conversar perto dela, como se ela fosse minha melhor amiga. E sim, ela era muito compreensiva e sempre me disse para não me importar tanto quando cometesse um erro e simplesmente repetir o que eu havia errado.

Por causa da perda auditiva, você encarou muitos obstáculos nessas suas posições de liderança?

Pessoalmente eu não os chamaria de obstáculos. Eu os chamaria de situações “ah tá”. Porque é sempre o que eu digo. As vezes muitas pessoas estarão falando ao mesmo tempo, e ai eu não saberei o que aconteceu. Ou em reuniões, eu ainda estava falando e um monte de gente começava a falar e eu não notava, então a Sra. Pearson me pedia pra parar por um segundo e esperar para que todos ficassem quietos. Eu não fico triste por causa disso, é somente parte da minha vida e eu tive grandes amigos que me contavam depois tudo que tinha acontecido.

Você se lembra como foi a ativação do seu implante coclear?

Só um pouquinho. Eu lembro que eu estava saindo do prédio e indo pro carro e dizendo “o que é esse barrulho?” e minha avó dizia que era um carro buzinando e meu sorriso ia de orelha a orelha. Todo mundo estava muito emocionado, mas eu estava muito feliz.

Você tem alguma lembrança do motivo que te fez querer um implante coclear?

Quando eu tinha 5 anos eu não me lembro de fato, mas no filme eu disse que era porque eu queria ouvir uma batida de carro e pessoas falando na na Florida, mas aos 9, pra ser honesta, foi porque meu irmão disse que ele queria, e eu não podia deixa-lo fazer antes de mim.

Agora que você é adulta, eu imagino que você veria o filme, Som e Fúria, de maneira diferente de quando você tinha 5 anos. Quais são seus pensamentos sobre o filme como uma jovem adulta?

Eu realmente nunca assisti o filme mais do que uma vez. Eu fico envergonhada assistindo, pois na conferencia de Massachusetts as pessoas chegavam em mim e diziam o quanto eu e o filme tínhamos feito diferença em suas vidas, e minha família estava obviamente brigando o tempo todo, muitas emoções estavam envolvidas. Eu fico feliz porque eu sinto como se eu realmente tivesse feito diferença.

Há ainda controvérsias em ambos os lados do mundo surdo, há aqueles que ainda se dizem contra o implante coclear e aqueles que são contra o uso de língua de sinais. Como você se sente em relação a isso?

Como uma pessoa que usa ambos língua de sinais e o implante como grande parte da minha vida, eu acho que eles são burros, e digo isso por não conseguir achar uma palavra melhor. Eu acho que é problema de cada um o que eles querem fazer. Se é que isso faz sentido.

Você acha que acha que há muita falta de informação em ambos os lados?

Às vezes, mas para aqueles que são grandes defensores de qualquer lado, eles geralmente procuram se manter muito informados sobre aquilo por razões especificas. Um lado, e não o outro. Eu acho que há muito preconceito e falta de compaixão.

Voltando aos seus envolvimentos no colegial, eu vejo que você estava sempre muito envolvida com esportes. Você pode explicar como é  experiência de praticar esportes como usuária de implante coclear?

Esportes sempre foram a minha maneira de me integrar ao mundo ouvinte. Eu amo pratica-los, então eu sempre treinei. Eu não estou tentando ser a “boazuda” ou elevar meu ego, mas por ser boa, meus amigos quando tínhamos 13 anos ou 14 viram algo além da surdez. Houve incidentes nos quais os juízes não me deixaram usa-lo, ou quando eu recebia uma penalidade por me mover antes do apito, mas foram raros. E eu aprendi com eles. Quando alguém cai, os outros caem junto.

Eu sei que o colegial é uma correria e empolgante para muitos, você poderia compartilhar algumas das suas melhores memórias e conquistas no colegial?

Eu tenho que dizer, sair com meus amigos, sair para jantar, para festas e ir à conferencias do DECA. Tudo isso, era o melhor e mais divertido! Eu me formei com 9 premios, toneladas de amigos e professores maravilhosos, e eu sentia que fui reconhecida pelo que fiz no colegial independente da minha surdez. O colegial foram os melhores anos da minha vida até agora.

Você usou alguma acomodação? Se sim, qual?

Eu usei uma interprete para minhas aulas e terapia de fala em casa. E se precisasse, ela fazia hora extra nos dias de prova, mas normalmente não precisava.

Eu sei que muitos adolescente não gostam de ter terapia de fala porque eles acham que não e divertido e que não sobra tempo para outras atividades, mas o que te fez manter as terapias de fala?

Eu os entendo perfeitamente. Entretanto, minha terapeuta de fala, Betty tem sido parte fundamental da minha vida. Eu quero ter a melhor fala possível. Claro que fiquei um pouco sem tempo para outros atividades, mas agradeço muito minha fala e agradeço muito a Betty. Sem isso, eu não estaria aonde estou hoje.

O que influenciou na sua decisão de ir para Georgetown (Universidade)? Você tem planejado usar alguma acomodação por lá?

Georgetown…simplesmente pisei no campus e pensei “é isso”. Eu simplesmente soube que era a faculdade que eu queria ir. E sim, tenho planos de acomodações. Eu tenho conversado com o pessoal do centro acadêmico sobre ter um interprete e eles estão sendo maravilhosos.

Através de pessoas que ouviram seu discurso em Sturbridge (Cidade), eu fiquei sabendo que você disse que sua família se mudou para Rochester e você ficou com sua avó em Nova York. Eu imagino que foi uma decisão dificil certo? O que fez você optar por ficar em Nova York com sua avó?

Na verdade, meus pais sabiam que eu queria ficar porque eu estava terminando o 2º ano do colegial e eu tinha trabalhado duro para chegar aonde cheguei na escola. Eles então me disseram “você pode ficar” e eu fiquei.

Eu fico muito feliz em ouvir que você teve pais que te apoiaram. Eu percebo que no filme você parecia bem próxima da sua avó. Eu imagino que ela. Sra. Pearson e Betty, foram pessoas muito importantes na sua vida?

Betty, Sra. Pearson, vovó. Tia Jeanette. Tio Jay, meus pais, todo mundo que considero importante na minha vida. Todos eles de alguma maneira me deram algum tipo de suporte e encorajamento. E minha melhor amiga Alison.

Quais são seus objetivos, alguma aspiração para o futuro? Onde você gostaria de se ver nos próximos 10 anos?

Meu objetivo é me formar em direito, me tornar uma advogada. Ainda não se qual área, talvez direito constitucional. E sair da escola o mínimo de debito possível. E em 30 anos, gostaria de me tornar juíza da do supremo tribunal.

Heather na sua formatura do Colegial

Pessoal, espero que tenham gostado do post de hoje. Eu adorei a história da Heather, tanto que quis compartilhar com vocês.

Beijos a todos. 🙂

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