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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Retirado do Blog Antigo:

 

 

Como eu havia prometido eu fiz uma pequena entrevista com a minha captionista e vou postar hoje pra vocês.

Francesca

 

O nome da entrevistada é Francesca DiBella, ela irá completar 42 anos em agosto. Fran (como prefere ser chamada) trabalha com estenografia há 20 anos, mas esse é o seu sexto trabalhando como CART reporter  ( é como eles chamam o  Captionista para surdos e pessoas com problemas de aprendizagem. )

 

Igualmente Diferentes: Para se tornar relator ( esse é o termo correto pra captionista “vice”?) , você precisa de alguma formação acadêmica especifica? Faculdade, curso técnico? Quanto tempo demorou o seu treinamento até que você pudesse trabalhar?

Fran: Para se tornar um relator CART repórter ( prefiro esse termo porque relator é muito feinho CART repórter é mais chique ), você tem que treinar como relator de tribunais. Se você irá receber um diploma ou certificado isso depende de em qual escola você vai. Aqui no nordeste dos EUA, escolas técnicas oferecem um certificado quando se consegue atingir a meta de 225 palavras por minuto. Há também faculdade na Florida e Colorado que oferecem diplomas. Eu terminei a escola em um ano e meio. Eu sei de pessoas que precisaram de cinco anos e pessoas que precisaram somente de 9 meses. Esses curso tem uma grande taxa de abandono, se não estiver errada a taxa de abandono é de 85%. ( uxi é alta hein?)

Igualmente Diferentes: Quais são suas condições de trabalho? Quantas horas você trabalha por dia/ semana? Você está feliz com o seu salário? ( Não perguntei quanto ela ganha não viu gente?Isso seria anti ético)

Fran: Eu trabalho em todos os tipos de locais com horários variados. Eu trabalho em faculdade, reunião de negócios, consultórios médicos, escritórios de advocacia, tribunais e igrejas. Eu relato reuniões de negócios para grandes companhias por causa de um ou dois empregados que são surdos ou deficientes auditivos. Eu relato colações de grau/ formaturas porque o avô/ avó ficaram surdos por causa da idade e querem ver seus netos receberem o diploma. Eu também relato a distancia para estudantes universitários em diferentes estados enquanto eu estou no escritório de casa. Eu trabalho com seminários para o estado de Nova Jérsei. Eu trabalho para grupos que  defendem as causas da comunidade surda e deficientes auditivos. E eu também relato casamentos quando um amigo ou parente não pode mais ouvir.

Eu tenho muito orgulho do meu salário. Eu tenho um salário que é impressionante. O lado ruim é que eu tenho que pagar pelas minhas despesas como gasolina, pedágio, contas do carro, plano de saúde, equipamento, manutenção, telefone, internet que são coisas que eu preciso para trabalhar.

Igualmente Diferentes: Quais as dificuldades que você encontra no seu trabalho?

Fran: Meu trabalho tem dificuldades assim como todos os outros, entretanto eu os considero como desafios e não dificuldades. As vezes chega a ser penoso ter que aceitar um trabalho que está um pouco além do que eu posso fazer; por exemplo, eu tive que relatar um Bar Mitzvah (é o  nome da cerimônia que insere meninos judeus como um membro maduro da comunidade judaica, isso ocorre aos 12 anos e um dia, para meninas o nome é Bat Mitzvah e ocorre aos 13 anos e um dia–  Igualmente Diferentes também é cultura) para uma família de surdos. Aquilo foi um desafio e sinceramente eu acho que eu desapontei a família. Escrever palavras em Iídiche ( que significa Judeu que é um pouco mais atualizado e novo que o Hebraico e tem origem alemã) vai além da minha capacitação.  Outro trabalho foi um casamento Indiano. O noivo era surdo. Esses trabalhos são difíceis porque você tem que se preparar muito antes do tempo e não importa o quanto você se prepare, você nunca sabe tudo que vai acontecer ou está pronto para o que estará fazendo.

Igualmente Diferentes:  O equipamento que você trabalha é seu ou da companhia que você trabalha?

Fran: Eu pago pelo meu próprio equipamento. Uma maquina de esteno nova custa em torno de $5000,00 ( WOW isso sai quase R$ 12000,00). O software é exclusivo- você não pode simplesmente entrar na RadioShack (loja de eletrônicos) e pedir por ele-  e custa uns $ 5000,00 (De novo quase R$12000,00). Depois você também vai precisar de um laptop , os preços variam de acordo com marca e modelo. E então você também pode comprar um projetor e tela mas, esse é opcional, usado para grupos grandes.

Igualmente Diferentes: Porque você escolheu essa profissão?

Fran: Essa pergunta é meio complicada. Eu tenho que explicar essa historia do começo. Quando eu estava no ensino médio, eu queria ir para a faculdade. Minha família são Sicilianos e muito rígidos, e eles não acreditavam que mulheres deveriam ir para a faculdade. Meus pais acharam que era perda de tempo para uma mulher ter diploma universitário porque uma mulher deveria começar uma família e ficar em casa. Era uma mentalidade bem anos 50. Bom, teve então Dia das Profissões na minha escola e um relator de tribunais foi e demonstrou como era o trabalho. Eu fui pra casa e perguntei pro meu pai se era uma boa idéia eu fazer aquilo, e ele AMOU a idéia. Já que ele tinha me autorizado, eu apliquei para a escola e ganhei uma bolsa de estudos, e desde então eu jamais olhei pra trás. Eu me formei na escola de relator de tribunais bem rápido. Logo depois eu comecei a trabalhar na cidade de Nova Iorque. Meu primeiro chefe foi meu mentor e eu amei aprender sob a sua tutela. Quando eu me casei e tive minhas três filhas, essa carreira me deu a flexibilidade de estar em casa pra elas e me dar um pagamento respeitável. Eu amo essa profissão. Tenho orgulho de dizer que foi meu pai quem me deu o bom conselho de escolhe-lha.

 

Bom gente espero que tenham gostado.

Beijos a todos 🙂

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 8 comentários

Tradução de Comunicação Acessivel em Tempo Real  é mais ou menos a tradução do Inglês para o sistema de CART (Communication Access Realtime Translation) ou o famoso closed caption para surdos, mas a diferença do CART é que esse ai não é aquele da TV (que é basicamente a  mesma coisa), esse é aquele que eu previamente disse que usei na faculdade dos Estados Unidos.

Com esse sistema, tudo o que é dito é “captado” e transcrito em tempo real para os surdos e deficientes auditivos. Eu comparo ao Closed Caption, porque a única diferença é que não está sendo televisionado. Pode ser usado em salas de aula, casamentos, igrejas, conferencias, reuniões e mais uma série de eventos e lugares.  A transcrição pode aparecer em uma pequena tela de computador para que apenas uma pessoa surda ou deficiente auditiva possa acompanhar, ou em um telão para que todos possam ler.

O estenotipista, digita rapidamente em um estenótipo (obvio), o teclado do estenótipo possui teclas com códigos, o que permite que o estenotipista possa digitar de maneira mais rápida e fácil. Um estenotipista digita em média 300 palavras por minuto (e você ai achando que digitada rápido), alguns digitam mais, depende da destreza e tempo de experiencia. O estenótipo é conectado à um computador por meio de cabos ou receptores wireless (modelos mais modernos), no computador há um software que interpreta aqueles códigos (criptologia) digitados, e os transforma instantaneamente em palavras. O tempo entre o que foi dito e o que foi digitado é tão pequeno que dá pra achar que ocorreram ambos no mesmo centésimo de segundo.

Esse serviço era previamente usado para tribunais, mas com a tecnologia, a inserção dos surdos no mundo dos ouvintes e também com a necessidade de surdos e deficientes auditivos que usam a língua falada (surdos oralizados), a estenotipia deu origem à transcrição em tempo real para que essas pessoas pudessem ter acesso ao que fosse dito por outras pessoas.

Em países mais avançados, em faculdades, escolas, conferencias, reuniões, basta  pedir ao responsável, e ele é obrigado a prover o serviço para quem precisar. Há também a possibilidade de se contratar um estenotipista fixo para que vá com a pessoa à todos os lugares aonde haverá discursos ou palestras.

Não é uma tecnologia muito conhecida no Brasil, até mesmo o Closed Caption que é obrigatório em todas as emissoras de países como Estados Unidos,  Canadá, Inglaterra e França, não é muito conhecido por aqui. Infelizmente, o Closed Caption em nosso país é obrigatório apenas em uma parcela muito pequena das programações da TV aberta, canais pagos fazem o que bem entenderem.

Mas voltando ao assunto, no exterior há empresas especializadas apenas no serviço de CART. O sistemas faz tanto sucesso, que há empresas que o oferecem online. Por exemplo, se você estiver em uma reunião e não tiver um estenotipista disponível naquele momento, não se preocupe, essas empresas tem estenotipistas online, basta você acesssar o site, digitar as informações necessárias, incluindo cartão de credito, ter um bom microfone, abrir um outro link especifico que te redireciona pra um “chat” com o estenotipista e ele através do seu microfone ouve o que está rolando na reunião e transcreve tudo pra você. Ao fim do evento, o valor de acordo com o tempo é debitado no seu cartão e pronto.

Há também a possibilidade de instalar um software especial no computador do surdo que quiser usar o serviço, ele se conecta por esse software com o estenotipista, e o programa que funciona tipo um Messenger permite que a pessoa do outro lado ouça e transcreva tudo pro cliente.

Lá fora, há escolas especializadas em formar estenotipistas, o diploma tem o mesmo valor de uma faculdade, e além do treinamento no estenótipo a pessoa ainda tem matérias mais complexas que vão de álgebra ao idioma falado no país. Ainda nesses países, a taxa de desistência é alta, por volta de 80%, porque exige muita habilidade. A pessoa sai tão bem treinada, que ela nem precisa olhar pro computador pra saber quando errou. Alguns modelos de estenotipo possui um pequeno visor que exibe a criptologia, o que ajuda o profissional a notar o erro, mas com ou sem o visor não faz diferença alguma.

Os aparelhos e software são bem caros, custam por volta de U$5,000. Fora o laptop e a manutenção de tudo isso, por esse mesmo motivo, o salário desses profissionais é bem alto, o valor médio é de U$500 por dia. Alguns ganham menos, outros bem mais, mas como eu disse, essa é a média. Cada estenotipista costuma ter seu próprio equipamento por questão de conforto e costume.

Infelizmente não consigo me lembrar de toda informação que me passaram na época, porque eu usei o serviço há quase 2 anos e também era coisa demais pra lembrar. Se tiverem dúvidas especificas podem perguntar que procurarei responder.

Acho que seria extremamente interessante se conseguíssemos trazer esse tipo de serviço ao Brasil. Se existem tantas pessoas com vontade de aprender LIBRAS para traduzir pra surdos sinalizados depois, aposto que havia muitas também interessadas em aprender estenotipia, fora que o salário seria bem mais alto. Acho que deveríamos dar inicio a uma campanha rs “Estenotipia Para Surdos Já.”

Esse é um exemplo de Estenotipo

Esse é um exemplo de Estenotipo

Essa é a disposição das teclas do estenótipo

Estenotipista. Ela digita (nem precisa olhar pro computador) e tudo sai na tela

Exemplo de Criptologia. Do lado, está a tradução em inglês do que os codigos significam: (nova linha) esse é um exemplo de criptologia de um teclado de estenotipo com papel (ponto final)

Para mais informações podem visitar esse link no meu antigo blog

Captioning System a 8ª Maravilha do Mundo

Beijos a todos. 🙂

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