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Prezados leitores, recebi diretamente da assessoria de imprensa da MED-EL essa notícia super legal de que foi lançada no Spotify a primeira playlist desenvolvida especialmente para usuários de implante coclear. E sim, ela foi desenvolvida para usuários de todas as marcas e não apenas MED-EL.

O Spotify para quem não sabe, é uma plataforma para computadores e dispositivos móveis que disponibiliza músicas online e de forma grátis, claro que existe algumas opções como ouvir músicas off-line que requerem pagamento mas online é de graça.

Pensando nessa maravilhosa ferramenta disponível, a MED-EL fez a combinação perfeita entre arte e ciência, a playlist foi criada com base em estudos e pesquisas chave sobre música e implante coclear.

A musicologista e pesquisadora, Johanna Pãtzold, precisou utilizar alguns critérios na montagem da playlist para identificar o que mais agradaria os pacientes:

  • As músicas precisavam ser populares pois os usuários de implante reconhecem mais facilmente as músicas que lhe são familiares ou que ouviram várias vezes.
  • Arranjos simples com ênfase no vocal.
  • Quantidade controlada de efeitos para não intimidar o ouvinte
  • Representar um grande e variado espectro de gêneros e décadas para promover maior variedade e para que seja agradável para todas as faixas etárias.
  • Músicas sem letras explícitas.
  • Músicas cujas letras estão disponíveis no Spotify para que o usuário possa acompanhar caso queira.

Então a partir de agora, todos os usuários de implante coclear estão convidados a seguir

a playlist MED-EL Music for Cochlear Implant, bem como compartilha-la com a galera. Para acessar, entre no Spotify, faça o login ou crie uma conta gratuita com seu e-mail e em Pesquisar digite medelcochlearimplants e pronto, basta clicar, seguir e começar a ouvir as músicas selecionadas com tanto carinho e especialmente para nós usuários de implante coclear.

Vale lembrar que por enquanto a playlist contém apenas músicas na língua inglesa mas possui uma grande variedade e mais de 100 músicas no repertório. Assim que soube da novidade, fui correndo ouvir e tirar alguns prints para mostrar para vocês. As músicas são extremamente agradáveis e são músicas que conheço e gêneros que me agradam bastante. Boa diversão pra vocês.

 

Beijos a todos.

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Acessórios – Capa a prova d’água

 

Eu prometi anterior que falaria novamente sobre acessórios para IC e aparelhos auditivos e tem muita gente perguntando sobre as capas a prova d’água. Antes de mais nada, cada marca possui a sua capa, não existe uma capa que seja universal, portanto, você deve entrar em contato com a empresa responsável pelos acessórios da sua marca, para solicitar o seu.

Todas as informações abaixo foram retiradas dos sites de seus respectivos fabricantes.

 

MED-EL

A MED-EL possui as capas WaterWear para Rondo, Opus 2 e Sonnet. A capa é reutilizável e é auto adesiva. A do Rondo é obviamente diferente das usadas nos modelos BTE (atrás da orelha). Elas têm como objetivo, garantir o conforto do usuário, de forma que não sejam incomodas.

Vale lembrar que o Sonnet apesar de ser resistente a água, não é submergível, ou seja, se você tomar chuva, não vai precisar ficar preocupado com seus processadores mas praticar surf e mergulho por exemplo, sem a capa, fará com que você corra risco de danificar o processador.

Como as capas selam completamente os processadores, eles não funcionam com baterias descartáveis que são Zinc Air e precisam de circulação de ar para funcionar, se quiser usar descartáveis, precisará comprar as do tipo alcalina, do contrário, use as recarregáveis.

As capas ficam bem justinhas e não alteram em praticamente nada o tamanho do IC. Elas custam por volta de R$ 100,00 (esse foi o preço no lançamento, atualmente acho que subiu um pouco), ao meu ver, é um valor justo para se ter a oportunidade de ouvir enquanto está na piscina ou na praia.

O pacote vem com 3 capas e cada uma delas, se usadas corretamente, podem ser usadas até 3 vezes, durante até 16 horas cada vez.

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WaterWear para Rondo

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WaterWear para Sonnet e Opus 2

Cochlear

Assim como o Sonnet da MED-EL, o Nucleus 5 e o Nucleus 6, são processadores resistentes a água mas a empresa deixa claro que para submersão, o Kit Aqua+ é necessário. Além disso, vapor também pode ser um problema para os processadores, então se for em uma sauna, já sabe.

A capa também sela completamente o implante, portanto ou usa pilha descartável alcalina ou recarregável. O Kit Aqua+ contém uma capa e uma antena especial, um imã também especial e um clipe de segurança para que possa ser preso a roupa de banho.

O preço do kit é R$ 1100,00 pois ele também vem com antena própria mas para quem pratica muitas atividades aquáticas, acredito que o preço seja justo. A capa pode ser usada até 3 metros de profundidade e permanecer submersa por até 2 horas.

Caso você não disponibilize do valor para o kit Aqua+, existe uma capa, a Aqua, bem mais simples que é tipo zip-lock, custa apenas R$ 77,00 e é também reutilizável. O problema com a capa mais barata é mais a questão do conforto, mas funciona muito bem. O preço é bem mais em conta.

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Capinha Aqua, estilo ZipLock

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Capa Aqua+

Advanced Bionics

A Advanced Bionics tem um processador que é 100% a prova d’agua e não necessita de nenhum tipo de capa, o Neptune. No entanto, o Neptune não é usado atrás da orelha. Ele é uma caixinha bem pequena que pode ser presa na roupa, uma faixa no braço ou até mesmo no elástico do cabelo.

Para o Naida, a empresa tem a AquaCase. Que é uma caixinha de acrílico, muito bem selada, que você coloca o processador dentro e é preciso comprar separadamente o AquaMic que é o microfone a prova d’agua. Eu não consegui achar os preços no Brasil mas nos EUA, sem impostos e taxas, custa aproximadamente R$ 1800,00.

Tanto o Neptune quanto o AquaCase podem ser usados sem preocupações até 3 metros de profundidade.

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Neptune da Advanced Bionics, 100% a prova d’Água

aquacase

AquaCase

 

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As inscrições para o 2º Concurso Cultural “OS MELHORES SONS DA VIDA” já estão abertas no site da Audimax. Este concurso é realizado pela Audimax e Phonak e tem inscrições do dia 09 de Novembro a 09 de Dezembro. Envie a sua história, as cinco melhores histórias definidas pela comissão julgadora receberão os aparelhos auditivos. Saiba mais em http://www.audimax.com/melhores-sons-da-vida

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Galera usuária de implantes cocleares da Med-EL, esse mês, dia 30/09 às 8:00 haverá o Open House da Med-EL no HC da USP de Ribeirão Preto. “Ah o que é esse Open House?” É um evento exclusivo para usuários Med-EL, com palestras, presença de fonoaudiólogas, dicas de como usar seu IC de forma correta, a oportunidade de experimentar algumas tecnologias (da outra vez que fui há alguns anos, experimentei o aparelho FM), técnico verificando se os aparelhos estão ok e realizando manutenção caso necessário (e se der pra fazer ali, claro). E tem coffee break também, como todo bom evento. NÃO PERCAM!!!!

Data: 30/09/2015

Horário: 8:00

Local: Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto – Balcão 1| Sala 31 

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Como citei em um post anterior, fui testar o Roger Pen e acabou sendo amor à primeira ouvida e eu comprei um para mim. Há muito tempo eu queria comprar um acessório que me auxiliasse e embora eu ainda não tivese testado os sistemas FM, eu sabia do problema de interferências e ficava com pé atrás. Isso mudou quando conheci o Roger Pen, que funciona por meio de frequência digital.

O meu Roger chegou ponto antes do Carnaval, motivo pelo qual eu não tive o prazer de vir compartilhar minahs deliciosas experiências antes. Minhas aulas começaram dia 14/02 e na outra semana imendados tudo, portanto eu preferi postar após ter tido o prazer de testar com todos os professores.

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Na segunda-feira testei o Roger em modo de conferência com meu professor de Banco de Dados, ele dá aula quase toda sentado, então não houve necessidade de pedir para ele colocar o Roger no pescoço como eu fiz com os outros. Consegui entender 100% da aula, mesmo quando eu estava distraída fazendo anotações no caderno (coisa que antes era impossível). As 4 aulas foram com o mesmo professores e tudo correu perfeitamente bem.

Terça-feira eu testei com dois professores diferentes, ambos colocaram o Roger no pescoço e mais uma vez pude acompanhar perfeitamente as aulas. O engraçado é que o laborátorio em que eu estava na terça, era perto do banheiro, quando eu precisava ir, sai da sala e continuava ouvindo o professor falando. Foi uma experiência um tanto diferente, nem mesmo um ouvinte sai da sala e continua ouvindo o professor.

Na quarta-feira o professor usou o Roger só para passar instruçõe e depois não precisou mais, ficamos fazendo trabalhos e estávamos em duas turms (3º e 4º anos), já as duas últimas aulas, embora eu não as tenha, pois são de matérias aproveitadas quando me transferi, eu frequentei, mas não pedi para a professora usar o Roger, essa semana irei pedir, pois as discussões em sala eram bastante interessantes, mas consegui acompanhar parcialmente, na hora nem me toquei apenas pensei “Vou ver a matéria pois gosta de interpretação e produção de textos, então se perder coisas não faz mal” mas descobri que ela levanta assuntos muito interessantes, a partir dessa semana usarei.

Na quinta-feira foi dia de usar com professores com quem já havia testado mas dessa vez em um laboratório ainda mais próximo do banheiro, então cada vez que eu saia, a aula continuada “ecoando” na minha cabeça. Isso é uma vantagem que não tenho desde quando possuia estenotipista nos EUA, pois quando eu saia da sala ela continua fazendo a transcrição da aula e depois eu podia reler tudo, a diferença é que agora saio e continuo ouvindo, sem perder nada, especialmente do professor de Grafos, ele fala baixo rs, nunca consegui entende-lo 100%.

Sexta-feira usei na aula de Cálculo Numérico II. Meu maior desafio sempre foram as aulas com turma Poli, pois essas aulas tem por volta de 5 ou 6 turmas diferentes, são mais de 100 alunos de diferentes áreas de exatas e é simplesmente um INFERNO conseguir ouvir o professor e compreender. Eu fiz o Ensino Médio nos EUA e minha base de matemática é bem ruim, então tenho bastante dificuldade, acho que agora com o Roger ficará mais fácil, a bagunça da turma continua, mas a voz do professor se sobressai. Já para a última aula, o professor me dá aula em outros dias, mas ele estava passando alguns videos e o Roger permitiu que o som do video não atrapalhasse o que ele falava.

Eu estou simplesmente morrendo de amores pelo Roger Pen, eu confesso, teve gente que teve problemas com ele, conexão caindo, mas comigo funcionou tudo perfeitamente bem. Não tenho do que reclamar, minha única decepção, é que essa tecnologia não estava disponível em 2012 quando decidi trocar de instituição, pois assim teria me salvado desde o início. Eu uso ele na TV também, mas sem o cabo, apenas coloco o microfone em modo de conferência e coloco ele do ladinho da TV. É uma maravilha.

Ele tem alguns contras como gastar bastante bateria do IC, especialmente se você NUNCA tirar o receptor, é importante que você retire os receptores quando não estiver usando o Roger, senão o gasto com baterias será muito alto. Ele precisa ser carregado todos os dias, pois a bateria dele dura por volta de 7 horas, para mim está perfeito e eu não me importo, mas tem gente que pode achar ruim se for comparar com sistemas FM e tem aquele probleminha da distância, ele funcionou bem quando eu estava no banheiro, com várias paredes entre microfone e receptores mas tem gente que diz que ele não pega mesmo próximo se houver uma barreira e que o limite é 10 metros no máximo, quanto à isso, entrei em contato com a Phonak e me esclareceram que basta levar lá para fazer um ajustes.

O Roger PEN é uma tecnologia nova, eu não tenho dúvida de que em breve teremos algo imensamente mais avançado mas na minha opinião valeu o investimento. Quando comprei, os leitores do Crônicas da Surdez estavam tendo 30% de desconto no Roger Pen, em tods as lojas Audium do Brasil e agora a promoção voltou, leitores do Crônicas terão 30% de desconto até o final de março. Vale MUITO pena.

Quero apenas fazer uma observação, alguns processadores de fala não são compatíveis com a tecnologia Roger Pen, PORTANTO, antes de compra o seu e depois ir dar dor de cabeça para o pessoal reclamando e pedindo reembolso, MARQUE UM TESTE, o teste é de graça e 100% livre de compromisso, você não precisa comprar só porque testou.

Agora quero fazer outras observações referentes ao Roger, pois muita gente anda com preguiça de ler o manual de instruções.

1 – O Bluetooth não serve para ouvir música, ele serve somente para realizar/atender chamadas telefônicas, se quiser ouvir música, basta conectar no Roger e no dispositivo de audio, aquele cabo de aúdio que vem no Kit, com o cabo dá para ouvir música no iPod, no computador, no smartphone e até ouvir o audio da TV (nesse caso só você ouve, bloqueando o som para o resto da família).

2 – O microfone possui 3 modos (por ordem em que acontecem) : O de apontar (você liga ele, sincroniza e basta apontar para quem ou o que quer ouvir e pronto) e quando ele está ativado, a luz lilás do microfone piscará UMA VEZ (com intervalos). O modo de conferência é para quando você quer ouvir várias pessoas ao mesmo tempo OU alguém que não vai sair de onde está, para ativa-lo, basta apertar o botão com o símbolo do microfone apenas UMA vez e rápido, a luz lilás piscará DUAS VEZES indicando que esse modo está ativo ai basta deixar em cima da mesa e pronto. Caso o som ambiente esteja muito alto e atrapalhando, basta colocar no modo microfone, para usar ele, basta você apertar o botão do microfone uma vez e rápido e a luz lilás piscará TRÊS VEZES indicando que está ativo, ai basta colocar ele preso naquele cordãozinho ou na lapela do locutor. É importante que ele esteja a mais ou menos 20 cm de distância da boca para não ficar cortando o som.

3 – Luz lilás ligada direto sem piscar, indica microfone MUDO. Luz verde indica dispositivo com bateria carregada, laranja indica mais ou menos carregada e vermelha descarregada.

4 – É importante que o microfone nunca esteja obstruído para não haver microfonia OU o usuário não ficar sem ouvir.

5 – Se usá-lo com telefone via bluetooth, não atenda o telefone DIRETAMENTE NO APARELHO, aperte o botão dom o simbolo de um telefone para atende-lo, senão você atenderá direto pelo celular e não pelo Roger.

6 – Deixem de preguiça, leiam o manual e perguntem TUDO para a profissional durante o teste.

7 – A bateria dele carrega surpreendentemente rápido, no máximo 1:30 hora para carga completa via USB no computador.

O Roger Pen é uma tecnologia nova e ainda é bastante cara, mas as lojas Audium possuem vários métodos de pagamento e parcelamento que ACREDITO caberem em quase todos os bolsos. Vale a pena testar, vale mais a pena ainda o investimento e mais uma coisa, o Roger Pen não funciona somente com implantes cocleares, ele funciona também com AASI e outras próteses que possuem entrada para FM mas como eu disse anteriormente, nem todos são compatíveis, por isso é muito importante que você antes marque testes.

Queria agradecer especialmente a Bianca Silva e Camila Barata que além de amigas queridas da Audium de Ribeirão Preto, me apresentaram o Roger, me tiraram todas as dúvidas no dia do teste e até mesmo depois, a Roberta também da Audium de Ribeirão Preto que foi quem me entregou o Roger e me tirou muitas 0utras dúvidas e a Marília Botelho que SEMPRE me atualiza das tecnologias e novidades que vão surgindo. Vocês são nota 10!!!!

E em suma o Roger é PERFEITO!!!!!!

Beijos a todos!

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Eu havia dito que testaria o sistema Roger Pen na sexta, mas eu estava indisposta e remarquei para hoje e finalmente pude ter o prazer de experimenta-lo.

Antes de mais nada, devo ressaltar que eu nunca fiz um teste decente com sistemas FM, o teste que fiz foi quando eu era implantada unilateral e estava no segundo ou terceiro mapeamento.

Embora eu tenha feito teste com sistema FM apenas uma vez (e achado bom) uma coisa é fato, a maior desvantagem desse tipo de sistema são as interferências. Se houver dois ou mais sinais de FM emitidos na mesma frequência, o receptor FM irá responder ao sinal de maior protência e ignorar os restantes, além de ter váriações de frequências de acordo com q distância, podendo oscilar em lugares mais altos e baixos. E sim, essa frequência FM é a mesma FM dos rádios, ou seja, interferência é o que não falta.

Logo que cheguei na Phonak/Audium de Ribeirão, as meninas foram me introduzindo ao dispositivo. Tem o microfone que dá pra usar pendurado na blusa e é pequeno e meio quadrado e tem o em formato de caneta, que além de tudo, é super leve. Quando olhei para o dispositivo que mais se parecia com aquelas canetas com ponteira laser, não levei muita fé. Quando se trata de tecnologia, só acredito no resultado depois de testar.

 

 

052-3187_Roger_Clip_On_Mic_Front-1

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Coloquei os receptores e precisei trocar a bateria do IC porque ela não estava boa o suficiente pro “negócio” conectar. Minha primeira boa impressão foi a rapidez pra conectar. É questão de 1 segundo e pronto, está funcionando. A segunda boa impressão foi a leveza dos receptores, os de sistema FM são bem mais pesados. Ai começamos a testar, batemos papo, conversaram enquanto eu estava de costas, até ai beleza, funcionando muito bem.

“Vamos fazer uma ligação? Liga o bluetooth do seu celular”

Liguei o bluetooth, pareei e liguei pra minha tia, porque precisava de um favor e ia ligar de todo jeito. Ouvi perfeitamente o que ela falava e ouvi perfeitamente a televisão, o problema é que a televisão estava ridiculamente alta e ELA não me ouvia nem quando eu pedia pra desligar a TV pra eu poder falar (depois que eu falo que ela ouve TV nas alturas, sou exagerada).

Ai fui testar ouvir música, como o iTunes fez o favor de desligar o iMatch, eu não tinha músicas no celular, fiz o teste com alguns videos, alguns gravados com smartphones e outros que me mandaram mas foram baixados do youtube. A única diferença entre falar no telefone e ouvir música com ele, é que ligações são 100% bluetooth, já músicas precisa conectar um cabo no dispositivo e ele é conectado na saída de audio do iPod, smartphone e seja lá mais o que for, mas é um cabo bem curtinho e dessa forma, eu ouço a música pelo Roger Pen e os sons ambientes pelo IC normalmente. Bem legal isso e o MELHOR, não preciso usar cabos extremamente longos e um duplicador pra poder conectar os dois cabos de audio que vem com os ICs rs. Ficava um emaranhado de fios sem fim.

Tudo testado, tudo lindo, bora pra rua ver como fica o som lá e eis a maior vantagem do Roger Pen, o microfone vai captar melhor o som de onde ele estiver direcionado, portanto, enquanto o microfone estava apontado pra Camila, eu ouvia a voz dela e nenhum ruído absurdo de carro e estavamos na esquina de uma das Avenidas mais lotadas de Ribeirão Preto e em pleno horário de almoço, só passei a ouvir os carros quando direcionei o microfone para a rua. Ele bloqueia muitissimo bem os ruidos do ambiente, de forma que o som seja focado onde o microfone estiver “mirando”.

Pra mim, a maior vantagem do Roger em cima dos sistemas FM, é o fato de que ele é uma caneta. Não é algo que chama atenção, dá pra levar pra qualquer lugar porque não ocupa espaço e com os olhos famintos da bandidagem, ele passa despercebido aos olhos dos ladrões e assaltantes (sim, me chamem de neurótica). Porque pagar uma pequena fortuna em algo pra ser assaltado depois, é pedir pra sumir do mundo.

Outra enorme vantagem dele em cima dos FMs convêncionais, é o fato de que ele NÃO precisa ficar o tempo todo pendurado no pescoço do locutor, o usuário pode simplesmente pegar o dispositivo e mirar o microfone pra quem estiver falando e pronto, ele consegue ouvir. Isso facilita em conversas com várias pessoas, pois o FM não dá pra ficar tirando de uma pessoa e colocando na outra, dá pra por em cima da mesa do restaurante e acompanhar conversa com a galera numa boa e ele possui “zoom” para vozes mais fracas ou distantes.

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Ele possui algumas limitações como a bateria dele aguentar o uso por 7 horas “apenas” ou 5 horas com o bluetooth ativado, mas não é como se ele fosse realmente necessário por mais tempo que isso durante o dia. Ele também gasta um pouco mais de bateria do IC, testei com as descartáveis, mas acredito que as recarregaveis não aguentem muito tempo. A faixa de operação dele varia entre 10 e 20 metros, mas se você pensar bem, 10 metros já é uma BOA distância e eu não fico a menos de 5 dos meus professores da faculdade.

O saldo do teste foi que eu achei o Roger Pen um dispositivo EXCELENTE e vou comprar o meu. Mês passado ele estava com 50% de desconto e eu perdi a promoção, porque estava super enrolada, mas o pessoal da Audium está com uma parceria com o blog Crônicas da Surdez e sendo leitor do blog, você pode adquirir o seu Roger Pen com 30% de desconto, mas a promoção é válida somente até o dia 31/02/2015 (como já perdi uma, estou aproveitando essa), então se tiver interesse, marque um teste, pode apostar que não vai se decepcionar, ele funciona com implantes cocleares e aparelhos auditivos.

Para mais informações (técnicas) sobre o Roger Pen, acesse: http://www.phonak.com/br/b2c/pt/products/wireless-accessories.html

 

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Queridos leitores, pois é eu sumi. Confesso que foi um pouco de preguiça, mas a faculdade tomou conta da minha vida no semestre passado, foi uma correria do caramba, muitos trabalhos pra serem entregues (e trabalhos dificeis) e acabei largando o blog jogado pras traças mas estou de volta e com várias coisas pra contar.

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“Surpresa!!! Aposto que acharam que não me veriam mais” (tradução não literal e sem o palavrão rs)

No ínicio do ano passado, fiz processo seletivo pra me tornar membro de uma ONG e depois fui promovida ao cargo de Diretora de Recursos Humanos e Supervisora de TI, sendo assim, minhas responsabilidades aumentaram, controle de membros, processos seletivos, procurar novos membros, agendar reuniões, agendar salas para eventos, organizar eventos com o resto do pessoal, enfim, uma correria, mas uma correria extremamente prazerosa, pois eu detesto ficar parada e todos sabem disso. Gosto de me sentir util.

Quem me acompanha pelo facebook, sabe que eu há muito estava procurando um trabalho, fosse efetivo ou estágio, eu queria encontrar algo não pelo dinheiro (claro que é importante, pois tenho contas pra pagar), mas porque por mais que eu estude na faculdade e tenha uma excelente base educativa, tudo que vemos no mercado de trabalho foge completamente da nossa zona e conforto acadêmica. Minha ânsia era por experiência.

Em outubro eu havia sido contatada pelo dono de uma empresa, sobre uma vaga de estágio para a qual eu havia enviado curriculo e depois de conversarmos um pouco por e-mail, ele agendou uma entrevista no começo de novembro. Algumas semanas já haviam passado e eu achei que já tinham contratado alguém, mas pouco antes de dezembro iniciar, recebi um e-mail dele, dizendo que gostariam que eu ficasse com a vaga e que começasse no dia primeiro. Pois é pessoal, fiquei feliz pra caramba.

A felicidade em encontrar um trabalho, foi além do fato de agora eu poder ser mais independente financeiramente e adquirir experiência no mercado de trabalho, a felicidade MAIOR foi porque para o meu chefe, a minha deficiência auditiva pouco importou, não fez diferença alguma, eu não fui contratada para preencher cotas, fui contratada pelo meu potencial.

A gente sabe que ser pessoa com deficiência no Brasil não é fácil, encontrar um emprego é tarefa dificil, mesmo quando é por cotas, pois nas vagas para cotistas a preferência é por quem tem deficiência física. Cegos e surdos só sonham com a vaga, mesmo que ela não necessite de usar telefone e que as próteses auditivas, leitura labial ou LIBRAS bastem para a comunicação. Poder ter a oportunidade de trabalhar em uma boa empresa, com colegas e chefes bacanas e sem ser por cotas é dificil. E meu chefe ainda foi super atencioso perguntando se precisava falar mais alto, mais baixo, como que ficava melhor pra ele conversar comigo. Agora trabalho com desenvolvimento e manutenção de software e sistemas web.

Depois que comecei a trabalhar (faz 1 mês e 6 dias rs), o pessoal da ONG se reuniu e resolvemos abrir um instituto dentro da ONG, esse instituto seria o dono dos projetos, ou seja, chegará o ponto em que os projetos da ONG não precisarão mais da ONG e o instituto fará com que seja dada a continuidade nos projetos. Claro, óbvio que topei fazer parte do instituto como co-fundadora e ter o mesmo cargo nele, que tenho na ONG.

O ano acabou de começar, eu sei, mas sinto que 2015 será um ano excelente. Tenho os cargos na ONG e no instituto, a faculdade, meu trabalho, minha irmã (na verdade prima, mas fomos criadas juntas e somos filhas únicas, então nos vemos como irmãs) está grávida e eu serei “titia” e acho que está tudo encaminhado, só fico com coração apertado porque não pude ir ver minha família e amigos nos Estados Unidos essas férias, mas ainda terei tempo para vê-los.

Quanto ao IC, vai tudo muito bem, obrigada rs. Testarei o sistema Roger essa semana para ver se cumpre o que promete (sou crítica, vejamos rs). E tem dia que sinto prazer enorme em ter a possibilidade de me desligar do mundo e poder descansar de verdade. Ser surda tem suas vantagens, tem quem acha que não, mas tem. No ano novo falei ao telefone, com direito a gritaria e fogos de artificio no fundo e claro que tive que pedir para repetirem, até quem tem audição perfeita pede, mas o importante é poder transmitir o carinho aos que amo em um dia especial.

Por hoje fico por aqui, depois que testar o Roger venho contar pra vocês. Feliz 2015 para todos vocês, que seja um ano cheio de dádivas para todos.

 

Beijos

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Os leitores mais atentos devem ter notado que eu fiz uma ligeira mudança na imagem do cabeçalho. Troquei imagens, tirei o velho coração formado por um aparelho auditivo e um implante coclear e troquei por um formado com meus dois implantes cocleares que ao invés de ficarem no canto, ficam no centro da imagem. Porque é ali o lugar que ele deve ficar. E devem ter notado que eu adicionei um elefantinho ali. Poucos sabem, mas ele é o mascotinho da Med-EL, marca dos meus implantes.

A Med-EL o chama de Med-Elephant, mas o meu, coloquei o nome de Dumbo. Ai vão pensar “nossa, que cliché, todo mundo pensaria nesse nome logo de cara para dar a um elefante”. A questão é que eu escolhi o nome não porque o Dumbo (do desenho) é também um elefante, mas pela história do personagem.

O desenho é sobre um filhote de elefante que desde o moment0 que foi entregue pela cegonha para a sua mãe, foi ridicularizado e zombado por ter orelhas muito grandes. A Sra. Jumbo, mãe de Dumbo, o defende com unhas e dentes a ponto de ser confinada por seu comportamento agressivo. O pequeno Dumbo tem como amigo, apenas o ratinho Timoteo, que decide fazer de Dumbo uma estrela de circo. Dumbo tem problemas com suas grandes orelhas e acaba sendo “rebaixado” ao cargo de palhaço, e fica ainda mais triste do que já era.

Depois de uma visita a sua mãe enjaulada e uma bebedeira acidental, Dumbo e Timoteo acordam em cima de uma árvore e Timoteo chega a conclusão de que Dumbo voou até ali com suas orelhas e junto de um bando de corvos, o ratinho se determina a ensinar Dumbo a voar. Eles dão a Dumbo uma “pena mágica” e quando o pequeno elefante consegue voar, isso melhora muito a sua auto estima.

De volta ao circo, Dumbo precisa fazer o seu número que é pular de uma plataforma muito alta e ao pular, ele perde sua “pena mágica” e entra em pânico. Timoteo diz a ele que a pena nunca foi mágica, que ele é que era capaz de voar. Pouco antes de atingir o chão, Dumbo consegue alçar voo, esfregando na cara daqueles que o atormentaram, o quanto ele com sua diferença, que era motivo de risos, era maravilhoso e capaz de tudo e muito mais. Depois disso, Dumbo ganha um grande espaço na mídia. Timoteo se torna o seu empresário e Dumbo e sua mãe ganham um vagão particular no trem do circo.

Quantas vezes não tentamos esconder nossa deficiência auditiva ou enfrentamos calados e com coração pesado o preconceito alheio? Por esse motivo, me sinto próxima do personagem e dei ao meu elefantinho o nome de Dumbo, que aliás é bi-implantado como eu!!!!

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Para quem convive com pessoas que nasceram surdas ou ficaram surdas muito jovens e que foram oralizadas, é comum se acostumarem com o sotaque do deficiente auditivo. Normalmente a voz desses indivíduos, é meio nasalada, meio rouca, meio fanha. Como ela é, depende um pouco de cada um. Cada pessoa tem seu tempo e ritmo.

Como a maioria dos meus amigos, seguidores, leitores e companhia limitada sabem, eu passei metade da minha vida nos EUA e metade no Brasil. O período mais critico da minha perda auditiva foi vivido nos Estados Unidos. Comecei a perder audição aos 14 anos e aos 18 havia perdido completamente.
Assim como no Português, eu não conheço todas as palavras que existem em Inglês e muita coisa eu aprendi por pura leitura labial, o que também aconteceu com palavras em Português quando voltei ao Brasil para fazer a cirurgia do Implante Coclear. Além de falar Inglês e Português, eu sei um pouco de Italiano, pois meu bisavô materno ensinava aos netos e bisnetos e nos Estados Unidos aprendi Espanhol com 17 anos (era a minha idade quando freqüentei as aulas).

A questão é que: Nos Estados Unidos ou no Brasil a pergunta que nunca cala é “de onde você é?”
Aqui no Brasil, muitos acham que meu sotaque é meio americanizado, pois apesar de ser do interior de São Paulo, eu puxo mais o “R” do que o normal e exalto muito o “L” nas palavras. Nos Estados Unidos sempre me perguntam “Você é de algum estado do Sul?” pelo mesmo motivo.
Minha família e amigos que são acostumados com meu jeito de falar, dizem que não notam diferença, mas quando comecei a fazer fonoterapia (fiz apenas um ano e na base do esculacho) elas disseram que eu tinha uma deterioraçãozinha na fala para alguns fonemas. Sempre me perguntei se isso seria de fato uma deterioração ou se seria causado por viver metade da vida em cada país e eu literalmente penso em dois idiomas ao mesmo tempo, não consigo falar algo em Português sem pensar em Inglês e vice-versa, é muito comum eu misturar os idiomas ao conversar.

Acho que de fato, nunca vou descobrir se o meu sotaque é deterioração, se é “caipirês” como meus amigos Paulistanos chamam ou se é por causa desse “metade cá e metade lá”, o que importa é: Aonde quer que eu vá, entendo e sou entendida.

Tenho aqui no Brasil, muitos amigos surdos oralizados com sotaque. Eu particularmente adoro o da Lak Lobato, autora do Desculpe Não Ouvi. É uma voz rouca, porém não é forçada (muitos surdos a gente percebe que forçam pra falar, por causa da dificuldade), é suave, sai quase deslizando, misturada com um leve sotaque carioca (Lak é do RJ) e unido ao fato dela falar Francês perfeitamente, ela faz biquinhos para falar. Se eu não a conhecesse e esbarrasse com ela hoje em algum lugar, poderia jurar por Deus, que é Francesa.

Tenho ainda, amigos com voz irritante, a voz é um ganido fino, chega a doer o tímpano quando a pessoa fala, parecem Japoneses ou Coreanos ao falar as vogais, mas importa? Absolutamente não. Pelo contrário, tenho tanto prazer em ouvi-los quanto qualquer outra pessoa, porque o sotaque é a prova do esforço da pessoa em falar, em se fazer entender, em se fazer ouvir.

Tem gente que tem vergonha ou insegurança em relação a própria voz por causa disso, pois não deveriam. A voz de cada um é única e LINDA e por trás dela há toda uma história. Tem também aqueles que hesitam em aprender um novo idioma com medo do sotaque atrapalhar, de não conseguir se fazer entender e eu acho isso um medo bobo. Vocês foram capazes de aprender a verbalizar em Português, por quê não conseguiriam em outro idioma? Eu, antes dos 21 anos nunca nem pensei que eu falasse com “sotaque” diferente, mas nunca deixei o fato de eu não ouvir, me impedisse de aprender novos idiomas.

Isso aqui também vale para as mães dos pequenos implantados. Crianças que são implantadas antes de aprenderem a falar, geralmente desenvolvem a fala normalmente, não apresentam sotaque (não é regra), mas os que foram implantados um pouco depois ou que foram oralizados sem o apoio de próteses auditivas, geralmente tem um sotaque carregado.

O importante nesses casos é a família dar apoio, incentivar e o MAIS importante é tentar manter ansiedade em baixa, porque isso atrapalha imensamente. Vi casos de pais que atrapalham o progresso dos filhos porque a velocidade do progresso deles não acompanha a do desejo e expectativa dos pais. Aí ficam procurando problemas no IC ou na terapia e chega um ponto que a criança fica estressada a ponto de não querer mais usar os implantes. Acompanhamento psicológico é importantíssimo.

O fato é que cada surdo, assim como qualquer pessoa no mundo, tem o seu próprio tempo e passo para tudo, cada um tem sua voz, seu sotaque e tudo isso é LINDO. Você não precisa ter medo de esconder isso do mundo, pelo contrário, precisamos mostrar cada vez mais tudo que somos capazes pra nos tornarmos mais visíveis e assim, o movimento dos Surdos Usuários da Língua Portuguesa, terá mais força e mais vozes, que juntas se tornarão uma só.

Beijos a todos 🙂

06
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 1 comentário

Desde que comecei a ter contato com outros surdos, eu noto divergências de pensamentos. Veja bem, quando digo divergências, eu me refiro ao radicalismo de alguns surdos usuários de LIBRAS e de outros tantos surdos usuários de Língua Portuguesa. Existe uma grande parcela que ou é bilíngue ou respeita a escolha do próximo, mas é TRISTE a quantidade de radicais que existem em ambos os lados.

Para falar desse assunto de forma mais aprofundada, vou voltar muitas décadas na história. Durante mais da metade do século XX (vou me ater ao século que nasci) os surdos passaram por diversos problemas. Primeiro existia aquele conceito de que surdo deveria ficar em hospitais psiquiátricos a vida inteira. Naquela época chamavam de hospício mesmo. Muitas famílias não sabiam que seus filhos surdos eram perfeitamente normais e inteligentes e por falta de conhecimento, essas crianças eram enviadas para essas instituições, onde eram maltratadas e viviam em condições péssimas de higiene.

Para as famílias que não enviavam seus filhos para esses lugares, muitas vezes sobrava a vergonha e uma vida inteira tentando esconder seus filhos da sociedade. Logo depois a Língua de Sinais foi tomando mais espaço, as escolas para surdos começaram a surgir e um mundo novo se abriu. Acontece que essas crianças e adolescentes que iam para essas escolas, acabavam ficando segregadas em guetos, não conseguiam se comunicar com a família, nem com o mundo lá fora.

Acredito que foi baseado no fato de estarem se segregando, que alguém, em meados do século XX começou a proibir que Língua de Sinais fosse usada. A criança deveria aprender a ler lábios e a falar. A criança que OUSASSE usá-la, era castigada. Naquela época era permito alunos apanharem na escola, logo, essas crianças sofriam violência física única e simplesmente por estarem se comunicando com a língua que conheciam.

Alguns anos mais tarde, língua de sinais voltou a ser permitida e essas pessoas podiam se comunicar livremente. Mas já adentravam uma década cheia de aparelhos auditivos, métodos de oralização e outras tecnologias. As famílias e muitas pessoas que os conheciam ficavam empurrando aquilo goela abaixo e com isso, começaram a se sentir oprimidos. Passaram muito tempo sendo castigados, hostilizados e violentados por tentarem se comunicar e com tanta novidade, é como se estivessem sendo proibidos disso novamente, especialmente quando alguém dizia “Você não quer fazer parte do mundo e ter uma vida boa? Então, use aparelho, aprenda a falar.”

O que aconteceu, é que muitos já haviam passado da idade adequada para uma oralização eficiente ou uso também eficiente de aparelhos auditivos. As terapias de fala e de audição causavam extrema frustração, cansaço e tristeza. Queriam ser aceitos como são, não queriam que impusessem como deveriam se comunicar. Essa frustração às vezes levava à depressão. Eles percebiam o desapontamento dos familiares ao ver que seus filhos não progrediam como esperado. Era um estado de ansiedade extrema e crônica.

Por tal opressão, frustração com o que lhes foi imposto durante tanto tempo e depois pressão para falarem e ouvirem, eles começaram a lutar pelos seus direitos e o movimento surdo foi ganhando cada vez mais espaço, ganhando mais adeptos e conseguiram até que língua de sinais fosse considerada como uma língua oficial ao invés de uma mera linguagem. Para aqueles que estudavam em escolas regulares, havia a lei que deixava claro que um interprete deveria ser disponibilizado, entre outras coisas.

Mas enquanto esses surdos sinalizantes conquistavam seu espaço, a turma surda de usuários de Língua Portuguesa foi esquecida. Muitos se sentiam ouvintes, mas presos em um corpo surdo. Outros tantos se sentiam excluídos do mundo ouvinte, porque sabiam falar, sabiam ler lábios, mas era muito difícil e cansativo fazer parte desse mundo. Participar de uma conversa com 10 pessoas ao mesmo tempo, assistir uma aula com professor virado de costas em serem dependentes da família para telefone e várias outras coisas causava ansiedade, stress e depressão.

Muitas vezes esses surdos procuravam seus semelhantes, e acabavam encontrando surdis usuários de LIBRAS e acabavam aprendendo a língua de sinais, dessa forma se tornando bilíngues, mas esses surdos faziam parte de uma singela parcela de sortudos que foram aceitos pelos surdos sinalizante. Havia os que se sentiam excluídos da comunidade surda, porque não sabiam usar língua de sinais, eram maltratados e hostilizados pelos surdos usuários de Língua dos Sinais. Outros muitos queriam mesmo fazer parte do mundo ouvinte, mas era estressante e frustrante não conseguir compartilhar plenamente das mesmas sensações.

Ainda hoje, para a maioria das pessoas no mundo, um surdo é sinônimo se Língua dos Sinais. Acham que surdos são mudos e outros conceitos adquiridos de forma errônea. É chato precisar ficar o tempo todo falando da diferença entre surdos e ressaltando que você fala e entende porque lê lábios. É chato também a pessoa precisar ficar explicando que não precisa gritar, que isso não fará diferença e ainda atrapalhará na leitura labial, mas se tornou ainda mais cansativo ter que ficar explicando na escola “não, eu não preciso de  um interprete de LIBRAS, eu preciso de respeito do professor e colegas e um pouco de paciência.” Mais chato e estressante ainda é o fato de que muitas pessoas, incluindo familiares e professores, tentavam a todo custo insistir para que aquele surdo oralizado, usuário de Língua Portuguesa, aprendesse LIBRAS.

Chegou um ponto em que muitas escolas incluíram na grade curricular a aprendizagem de LIBRAS para alunos surdos e suas famílias. E isso era imposto, o aluno tinha obrigação de ir, mas não era aquilo que queria, ele queria falar, ouvir o que conseguisse com suas próteses e ler lábios em paz, mas era difícil.

Na década de 80, começaram a ser comercializados os implantes cocleares. Uma tecnologia inovadora e que tinha uma promessa: FAZER UM SURDO OUVIR. Devagar o implante coclear foi tomando mais espaço e mais e mais pessoas começaram a passar pelo procedimento cirúrgico para poder ouvir. O sucesso foi grande, não que todos tivessem a mesma resposta ao procedimento, mas em sua maioria, foram bem sucedidos.

Anos 80, anos 90, a tecnologia indo cada vez mais longe e a partir de 2000 houve um estouro e uma grande popularização dos implantes cocleares. Pais de crianças surdas enviavam seus filhos ainda bebês para fazerem o procedimento, adolescentes e adultos querendo fazer. O fato é que o implante estava se tornando popular não pela promessa, mas porque cumpria exatamente o que prometia. Com essa popularização e com a possibilidade de ter seus filhos ainda bebês implantados para crescerem ouvindo, as instituições para surdos começaram a entrar em declínio. Muitas foram fechadas e muitas viraram escolas bilíngues.

Quando um bebê nasce e é diagnosticado com surdez é muito comum que ao ser enviado ao otorrinolaringologista ou à fonoaudióloga, esses profissionais indiquem o implante coclear, pois pela alta taxa de sucesso, é provável que seus pais vão querer que os filhos façam parte do mundo com plenitude. Acontece que isso foi mal visto pela comunidade dos surdos sinalizantes, como os profissionais não indicavam LIBRAS e muitos pais nem procuravam saber e pesquisar sobre surdez, eles começaram a achar que uma nova ditadura estava sendo imposta, a dos implantes cocleares e que essa ditadura ameaçava o que eles haviam conquistado até agora.

Desde então, o que se vê, é uma briga constante de surdos usuários de Língua dos Sinais e surdos usuários de Língua Portuguesa. Não todos, claro, apenas os mais radicais, mas e fato que a guerra parece nunca cessar. Os usuários de LIBRAS inventam mentiras sobre aparelhos, sobre oralização, sobre implantes e do outro lado, os que são usuários de Língua Portuguesa, atacam falando do português ruim, da “burrice” e outras ofensas.

O que se vê, é um desrespeito infinito de ambas as partes, porque nenhum dos radicais se coloca no lugar do outro. Ao invés de aprenderem a se unir e lutarem juntos, agem como se fossem raças diferentes. Como se não fossemos todos humanos e fizéssemos parte da mesma escala evolutiva.

Porém, os surdos usuários de Língua Portuguesa, não tentam exterminar e acabar com os direitos que já foram adquiridos pelos surdos usuários de Língua dos Sinais. Esse grupo não é a favor da LIBRAS, se alguém vier e perguntar o que acha melhor, esses radicais dirão “próteses, oralização, leitura labial e implantes cocleares.” E junto dos surdos não radicais que usam a mesma língua, tentam conseguir direitos como aulas transcritas em tempo real, closed caption e legenda em todos os programas de TV e cinemas (mesmo dublados e nacionais), entre outras coisas, mas nunca se teve noticia de que algum surdo usuário de Língua Portuguesa, quisesse que LIBRAS fosse extinta.

Já os surdos usuários de Língua dos Sinais, não só continuam lutando pelos direitos, como fazem alguns pedidos descabidos. Por que descabidos? O mais atual e que tem gerado mais debate atualmente é: Querem que vestibulares e concursos públicos passem a ser 100% em LIBRAS. Ai varia um pouco, porque alguns pedidos enviados ao Ministério Público pedem que os usuários de LIBRAS tenham as perguntas dadas em forma de vídeo e que ela seja respondida por eles usando a Língua de Sinais, com algum interprete escrevendo a resposta no papel. Outros projetos pedem que as provas sejam em conferencias de vídeo e outros pedem que a prova seja dada em LIBRAS, mas em sua forma escrita (sim existe uma forma escrita cheia de símbolos ao invés de palavras).

Além do citado acima, eles lutam para que LIBRAS seja obrigatório nas escolas para TODOS os alunos (até os ouvintes). A luta deles é por Língua de Sinais em todo lugar a todo custo e obrigatória. É impressão minha, ou isso parece um pouco similar ao que esses usuários de Língua dos Sinais viveram quando eram obrigados a falar e a ler lábios ao invés de usar as mãos para se comunicar? Eu respondo, não é impressão, a situação é exatamente a mesma, mas invertida. Parece que criaram de alguma forma, um medo de que aquilo vá acontecer novamente, então tentam impor que seus direitos virem obrigação de todos.

Para todos os pedidos feitos, os juízes negaram os pedidos. Alegaram que é inconstitucional e que a própria lei que reconhece LIBRAS como uma língua, diz que ela não pode substituir a forma escrita da Língua Portuguesa. Porque eles são surdos e usam LIBRAS, mas são cidadãos brasileiros e devem aprender a escrever o idioma do país em que nasceram e domina-lo.

Bom, além de tudo isso, eles alegam que o governo gasta um valor ridiculamente alto para implantes cocleares e nada na educação para surdos. Outros ainda criam comunidades e grupos como “Sou Contra o Implante Coclear” e ficam falando que dá choque, que causa retardamento cognitivo entre outras mentiras.

Eu particularmente acho que o uso de aparelhos, LIBRAS, Língua Portuguesa, Implante Coclear e seja lá o que for, deve ser opção e não imposição, e que a escolha das pessoas e dos pais deve ser respeitada. Nenhum pai envia um filho pra fazer implante porque quer o mal dele, assim como nenhum adulto vai fazer o implante achando que vai morrer. Todos querem qualidade de vida. Também não acho que LIBRAS seja péssima escolha, acredito que o que falta é um bom apoio e uma boa base educacional nas escolhas por eles frequentadas, para que aprendam a dominar a escrita da Língua Portuguesa. Infelizmente a educação em nosso país é falha para a maioria da população seja ela ouvinte ou não.

Nessa história toda, não existe o mocinho e o vilão. Existe apenas pessoas com medo. Não podemos no entanto, deixar que o medo cegue a todos. Eu proponho novamente que nós, surdos, bilíngues, usuários de Língua dos Sinais, usuários de Língua Portuguesa, devemos nos unir e lutar por uma causa em comum, lutar para que independente das escolhas, todos tenham seus direitos atendidos para viver com dignidade de acordo com aquilo que faz bem para a alma de cada um. Somados, somos mais de 9 milhões de surdos, acho que a luta de todos seria bem mais valida se houvesse união.

E peço encarecidamente aos amigos usuários de LIBRAS ou Língua Portuguesa que fazem parte dos radicais, que  por favor, parem de brigar. Aos amigos usuários de LIBRAS, não tentem fazer com os outros o que por tanto tempo fizeram com vocês e causou tanto sofrimento, não é correto. Aos amigos usuários de Língua Portuguesa, peço paciência e tolerância, vocês sabem o quanto foi difícil dominar o idioma e aprender certas coisas, então não desmereçam o esforço dos outros. Somos todos humanos, somos todos iguais e todos queremos dignidade e respeito. Digam NÃO à imposição, seja ela qual for.

sayno

 

Beijos a todos.

🙂

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