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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Bom, muita gente tem notado que de uns tempos pra cá eu tenho postado vídeos, fotos e estado meio obcecada por um grupo musical de Coreanas. “Ah não, mas até aqui no blog você vai falar delas?” sim, vou, porque quero explicar o motivo da minha obsessão.

Desde que fiz o implante e melhorei a minha audição, eu ouvia as mesmas musicas, bandas e tudo mais de sempre. Foi quando descobri Girl’s Generation, dia 18 de Outubro pra ser mais exata. Foi uma amiga que me mandou. De primeira pensei “menina bonitas que parecem todas iguais”, continuei assistindo, e conforme e música começou e foi passando, tive mais um momento “é isso”, percebi que as vozes delas são bem claras, e que o idioma coreano é bem carregado de fonemas que eu tenho dificuldade em ouvir, então pensei “serão minhas terapeutas.”

Primeiro percebi que cada membro do grupo, tem uma voz bem diferente da outra e bem fácil de diferenciar enquanto cantam. Depois vendo as letras, percebi que o idioma é carregado de fonemas m//l//n//g//j//b//t//b//k que são os que mais tenho dificuldade pra entender.

O que decidi fazer? Passar hora e horas ouvindo os vídeos e musicas sem letra, e com a letra na mão pra depois ver se tinha acertado. Obvio que não sabia a palavra, mas o exemplo, no começo da musica “The Boys” que diz “Keobi naseo hijakjocha anhae bwahtdamyeon Geudaen tudeoldaeji mara jom,” eu ficava prestando atenção pra ver se eu ouvia como p ou b, como n ou m, como j ou g. Embor não saiba as palavras, o som é forte e bem fácil de ouvir. Então fico aqui com um papel do lado ouvindo as musicas e anotando os fonemas que eu ouço, depois comparo com a letra e vejo o que acertei ou errei.

O mesmo faço com os vídeos de entrevistas e reality shows, a maioria tem legendas em inglês ou algo do tipo, então presto atenção, comparo, checo, traduzo, pergunto. E acreditem ou não, tem me ajudado muito. Há também, o fato de elas terem vozes bem diferentes umas das outras, e elas não são 1, 2, 3 ou 5 como eram as Spice Girls, elas são 9. Na internet as letras geralmente tem escrito, na frente quem é que está cantando qual pedaço da música, ou nos vídeos da pra ver, então ouço com atenção as musicas, ou deixo os vídeos passando sem assistir, e fico com o papel ali anotando os nomes quando ouço os solos. Depois vou conferir.

Tem sido um ótimo treino auditivo e tenho notado uma melhora depois disso, uma grande melhora pra ser honesta. É que nesse processo, acabei notando que elas não agem como “super stars,” elas agem como seres humanos. Garotas com seus 20/22 anos, sendo elas mesmas, brincando, fazendo piadas, cometendo gafes, falando besteira sem pensar. Não agem como se estivessem no topo do mundo. Elas são pé no chão, e muito simpáticas, então acabei me apaixonando rs.

De resto, fico usando os vídeos e as musicas pra treinar, ouvir, tentar perceber, tem dado certo. Foi uma maneira alternativa e divertida que descobri de treinar a minha audição.  E eu recomendo esse tipo de treinamento, descobrir um idioma que use bastante fonemas que se tem dificuldade e ficar ouvindo, pra depois ver se acertou ou não. Alemão, russo, chinês, japonês, coreano, inglês, francês, italiano e até mesmo o português com seus NH e LH, por que não? Espero que agora parem de dizer que estou possuída e preciso ser exorcizada kkkkkkk.

Beijos a todos 🙂

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 4 comentários

Gente todo mundo sabe que eu implantei há um ano (Completou um ano sexta- feira passada) e que as emoções não param nunca. Desde que fiquei surda eu assistia filmes nacionais em DVD por causa da legenda, ou até arrisquei ir ver Nosso Lar no ano psssado, mas só fui porque eu já conhecia a história após ler o livro.
Bom, hoje minha tia deu a ideia de irmos ver filme nacional, o filme se chama “O Homem do Futuro”, é o novo do Wagner Moura. Ela pergunto se tinha algum problema pela falta de legendas e eu disse que não, que de qualquer maneira entendo pelo que vejo.

Cartaz do Filme

Gente, eu juro que não tenho palavras pra explicar a minha emoção e minha surpresa ao assistir um filme Nacional, sem legenda absolutamente nenhuma e conseguir ouvir TUDO. Foi maravilhoso, foi tão mágico pra mim que cheguei a dar uma choramingadinha sem que notassem (depois quando minha tia ler o blog ela vai saber kkkk). Foi uma felicidade tão grande, mas tão grande que ainda estou sob o efeito do momento.
Assim como disse antes hoje me sinto livre e o melhor de tudo, realizada e feliz. OBRIGADA TECNOLOGIA.

Beijos a todos 🙂

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 4 comentários

Ok, o blog é sobre deficiência auditiva e assuntos relacionados, então o que diabos tem Rock in Rio a ver com isso? TUDO.

Essa semana, no sábado pra ser mais especifica, completarei um ano de implantada, desde a ativação, são momentos e mais momentos de emoção auditiva.

Para quem me conhece antes da surdez, ou pra quem já leu meus perfis do Facebook e Orkut inteiros ou pra quem me aturou postando sobre Rock In Rio esses dias, sabe ou deve ter notado, que eu sou apaixonada por música e que Rock é meu estilo favorito, independente do tipo de Rock.

Lá em 2003 quando comecei a perder audição, minha família achava que era por causa de shows de Rock que eu ia, ou música alta que ouvia. Bom não foi esse  o motivo e pelo menos não preciso ouvir uns “eu te avisei” hoje em dia.

Música pra mim sempre significou muito na minha vida, eu sou o tipo de pessoa que não consegue se expressar. Eu acho difícil às vezes até falar que preciso de algo, acho difícil falar dos meus problemas, e através da música sempre consegui me expressar.
Tanto que até hoje, há certos tipos de músicas que ouço quando estou triste, feliz, brava e por ai vai, e quem me conhece bem sabe quais são e já vem perguntando o que aconteceu.

Em 2007, foi quando minha audição saiu de moderada/severa para severa/profunda, a partir desse ano eu não conseguia mais ver TV, ouvir músicas ou falar ao telefone.

Pra conseguir ter o mínimo de sensação musical, eu gravei um CD com minhas 130 músicas preferidas, e colocava ele no carro com o volume no ultimo, como o carro era fechado e eu não ouvia nada que vinha de fora, aliado à vibração causada pelas caixas de som, eu conseguia saber exatamente que música era, que parte estava (isso fez com que minha mãe re-afirmasse que achava que minha surdez era psicológica, porque ela achava que eu ouvia a música de fato) e assim acompanhar.

Uns 6 meses antes de implantar eu havia meio que desistido de ouvir músicas. E quando ativei o implante a primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi ouvir um CD da Avril Lavigne.

Porém TV ainda estava sendo um grande desafio pra mim e só agora estou ouvindo relativamente bem, então resolvi me aventurar assistindo Rock in Rio que trouxe várias das minhas bandas preferidas. Elton John, Red Hot Chilli Peppers, Coldplay, Pitty, Evanescence e Gun’n Roses.

A minha primeira emoção foi com Elton, na verdade eu deixei a TV ligada e não estava prestando muita atenção, quando de repente, ouvi a melodia lenta e suave do piano tocando a introdução de “Tiny Dancer”, que é a minha música favorita no mundo. Pra quem é fã já é de emocionar, mas pra uma fã que recebeu de volta a audição há menos de um ano foi muito mais emocionante. Chorei muito, feito uma louca, e acompanhei a musica do começo ao fim.

Depois foi a fez de me emocionar com Red Hot Chilli Peppers no sábado dia 24. Estava no MSN e não estava prestando muita atenção no show, porque na verdade eu tinha perdido o comecinho então acabei optando por ficar na net. Estava no auge de um assunto quando ouço a introdução de “Californication”, que além de ser uma das minhas músicas favoritas dele, me trazem muitas lembranças. Eu não contive o choro, e acompanhei a música toda, que foi seguida por “By The Way” a qual também acompanhei chorando, por gostar e pelas boas memórias que o prazer de ouvi-la me trazia.

Coldplay me emocionou com “Clocks”, essa musica me lembra muita coisa, e eu estava vendo o show quase dormindo e ouvi o piano e já fiquei bem acordada ouvindo o show. Pitty me emocionou com quase todas as músicas, mas em especial “Máscara” e “Equalize” que tem pra mim uma carga de lembranças muito grande. No show de Evanescence as músicas “My Immortal”, “Bring me to Life” e “Going Under” me fizeram chorar feito um bebê.

A grande surpresa da noite, foi com o show do Gun’n Roses, que me fez chorar com todas as músicas exceto as do álbum “Chinese Democracy”, mas ao ouvir “Welcome to the Jungle”, “Brownstone”, “It’s so easy”. “Live and Let Die”, “Sweet Child O’Mine”, “November Rain”, “Knocking on Heaven’s Door”, “Patience” e outras (foram mais de 30) meus olhos se encheram de lágrimas, foi choradeira do começo ao fim, minha alma estava em extase.

Todas essas bandas e especialmente as músicas citadas fizeram parte da minha vida enquanto ouvinte, embalaram os melhores momentos da minha vida, são carregadas de lembranças, coisas que espero nunca esquecer e das quais sinto muita saudade. Poder ouvi-los tocando ao vivo mesmo que pela TV me emocionou muito.
Um dos meus maiores medos era nunca mais poder apreciar uma música da mesma maneira, mas hoje, depois de tantos anos eu posso. E só tenho a agradecer ao IC por isso. Estou feliz, porque embora pareça extremamente piegas, minha alma se aquieta com música. Estou feliz, porque minha alma sedenta de sons, já não se encontra mais enclausurada em um corpo surdo, hoje ela é livre.

Elton John

Red Hot Chilli Peppers

Chris Martin do Coldplay

Pitty

Amy Lee do Evanescence

Axl Rose do Guns'n Roses

Beijos cheio de músicas pra todos 🙂

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