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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 1 comentário

Desde que comecei a ter contato com outros surdos, eu noto divergências de pensamentos. Veja bem, quando digo divergências, eu me refiro ao radicalismo de alguns surdos usuários de LIBRAS e de outros tantos surdos usuários de Língua Portuguesa. Existe uma grande parcela que ou é bilíngue ou respeita a escolha do próximo, mas é TRISTE a quantidade de radicais que existem em ambos os lados.

Para falar desse assunto de forma mais aprofundada, vou voltar muitas décadas na história. Durante mais da metade do século XX (vou me ater ao século que nasci) os surdos passaram por diversos problemas. Primeiro existia aquele conceito de que surdo deveria ficar em hospitais psiquiátricos a vida inteira. Naquela época chamavam de hospício mesmo. Muitas famílias não sabiam que seus filhos surdos eram perfeitamente normais e inteligentes e por falta de conhecimento, essas crianças eram enviadas para essas instituições, onde eram maltratadas e viviam em condições péssimas de higiene.

Para as famílias que não enviavam seus filhos para esses lugares, muitas vezes sobrava a vergonha e uma vida inteira tentando esconder seus filhos da sociedade. Logo depois a Língua de Sinais foi tomando mais espaço, as escolas para surdos começaram a surgir e um mundo novo se abriu. Acontece que essas crianças e adolescentes que iam para essas escolas, acabavam ficando segregadas em guetos, não conseguiam se comunicar com a família, nem com o mundo lá fora.

Acredito que foi baseado no fato de estarem se segregando, que alguém, em meados do século XX começou a proibir que Língua de Sinais fosse usada. A criança deveria aprender a ler lábios e a falar. A criança que OUSASSE usá-la, era castigada. Naquela época era permito alunos apanharem na escola, logo, essas crianças sofriam violência física única e simplesmente por estarem se comunicando com a língua que conheciam.

Alguns anos mais tarde, língua de sinais voltou a ser permitida e essas pessoas podiam se comunicar livremente. Mas já adentravam uma década cheia de aparelhos auditivos, métodos de oralização e outras tecnologias. As famílias e muitas pessoas que os conheciam ficavam empurrando aquilo goela abaixo e com isso, começaram a se sentir oprimidos. Passaram muito tempo sendo castigados, hostilizados e violentados por tentarem se comunicar e com tanta novidade, é como se estivessem sendo proibidos disso novamente, especialmente quando alguém dizia “Você não quer fazer parte do mundo e ter uma vida boa? Então, use aparelho, aprenda a falar.”

O que aconteceu, é que muitos já haviam passado da idade adequada para uma oralização eficiente ou uso também eficiente de aparelhos auditivos. As terapias de fala e de audição causavam extrema frustração, cansaço e tristeza. Queriam ser aceitos como são, não queriam que impusessem como deveriam se comunicar. Essa frustração às vezes levava à depressão. Eles percebiam o desapontamento dos familiares ao ver que seus filhos não progrediam como esperado. Era um estado de ansiedade extrema e crônica.

Por tal opressão, frustração com o que lhes foi imposto durante tanto tempo e depois pressão para falarem e ouvirem, eles começaram a lutar pelos seus direitos e o movimento surdo foi ganhando cada vez mais espaço, ganhando mais adeptos e conseguiram até que língua de sinais fosse considerada como uma língua oficial ao invés de uma mera linguagem. Para aqueles que estudavam em escolas regulares, havia a lei que deixava claro que um interprete deveria ser disponibilizado, entre outras coisas.

Mas enquanto esses surdos sinalizantes conquistavam seu espaço, a turma surda de usuários de Língua Portuguesa foi esquecida. Muitos se sentiam ouvintes, mas presos em um corpo surdo. Outros tantos se sentiam excluídos do mundo ouvinte, porque sabiam falar, sabiam ler lábios, mas era muito difícil e cansativo fazer parte desse mundo. Participar de uma conversa com 10 pessoas ao mesmo tempo, assistir uma aula com professor virado de costas em serem dependentes da família para telefone e várias outras coisas causava ansiedade, stress e depressão.

Muitas vezes esses surdos procuravam seus semelhantes, e acabavam encontrando surdis usuários de LIBRAS e acabavam aprendendo a língua de sinais, dessa forma se tornando bilíngues, mas esses surdos faziam parte de uma singela parcela de sortudos que foram aceitos pelos surdos sinalizante. Havia os que se sentiam excluídos da comunidade surda, porque não sabiam usar língua de sinais, eram maltratados e hostilizados pelos surdos usuários de Língua dos Sinais. Outros muitos queriam mesmo fazer parte do mundo ouvinte, mas era estressante e frustrante não conseguir compartilhar plenamente das mesmas sensações.

Ainda hoje, para a maioria das pessoas no mundo, um surdo é sinônimo se Língua dos Sinais. Acham que surdos são mudos e outros conceitos adquiridos de forma errônea. É chato precisar ficar o tempo todo falando da diferença entre surdos e ressaltando que você fala e entende porque lê lábios. É chato também a pessoa precisar ficar explicando que não precisa gritar, que isso não fará diferença e ainda atrapalhará na leitura labial, mas se tornou ainda mais cansativo ter que ficar explicando na escola “não, eu não preciso de  um interprete de LIBRAS, eu preciso de respeito do professor e colegas e um pouco de paciência.” Mais chato e estressante ainda é o fato de que muitas pessoas, incluindo familiares e professores, tentavam a todo custo insistir para que aquele surdo oralizado, usuário de Língua Portuguesa, aprendesse LIBRAS.

Chegou um ponto em que muitas escolas incluíram na grade curricular a aprendizagem de LIBRAS para alunos surdos e suas famílias. E isso era imposto, o aluno tinha obrigação de ir, mas não era aquilo que queria, ele queria falar, ouvir o que conseguisse com suas próteses e ler lábios em paz, mas era difícil.

Na década de 80, começaram a ser comercializados os implantes cocleares. Uma tecnologia inovadora e que tinha uma promessa: FAZER UM SURDO OUVIR. Devagar o implante coclear foi tomando mais espaço e mais e mais pessoas começaram a passar pelo procedimento cirúrgico para poder ouvir. O sucesso foi grande, não que todos tivessem a mesma resposta ao procedimento, mas em sua maioria, foram bem sucedidos.

Anos 80, anos 90, a tecnologia indo cada vez mais longe e a partir de 2000 houve um estouro e uma grande popularização dos implantes cocleares. Pais de crianças surdas enviavam seus filhos ainda bebês para fazerem o procedimento, adolescentes e adultos querendo fazer. O fato é que o implante estava se tornando popular não pela promessa, mas porque cumpria exatamente o que prometia. Com essa popularização e com a possibilidade de ter seus filhos ainda bebês implantados para crescerem ouvindo, as instituições para surdos começaram a entrar em declínio. Muitas foram fechadas e muitas viraram escolas bilíngues.

Quando um bebê nasce e é diagnosticado com surdez é muito comum que ao ser enviado ao otorrinolaringologista ou à fonoaudióloga, esses profissionais indiquem o implante coclear, pois pela alta taxa de sucesso, é provável que seus pais vão querer que os filhos façam parte do mundo com plenitude. Acontece que isso foi mal visto pela comunidade dos surdos sinalizantes, como os profissionais não indicavam LIBRAS e muitos pais nem procuravam saber e pesquisar sobre surdez, eles começaram a achar que uma nova ditadura estava sendo imposta, a dos implantes cocleares e que essa ditadura ameaçava o que eles haviam conquistado até agora.

Desde então, o que se vê, é uma briga constante de surdos usuários de Língua dos Sinais e surdos usuários de Língua Portuguesa. Não todos, claro, apenas os mais radicais, mas e fato que a guerra parece nunca cessar. Os usuários de LIBRAS inventam mentiras sobre aparelhos, sobre oralização, sobre implantes e do outro lado, os que são usuários de Língua Portuguesa, atacam falando do português ruim, da “burrice” e outras ofensas.

O que se vê, é um desrespeito infinito de ambas as partes, porque nenhum dos radicais se coloca no lugar do outro. Ao invés de aprenderem a se unir e lutarem juntos, agem como se fossem raças diferentes. Como se não fossemos todos humanos e fizéssemos parte da mesma escala evolutiva.

Porém, os surdos usuários de Língua Portuguesa, não tentam exterminar e acabar com os direitos que já foram adquiridos pelos surdos usuários de Língua dos Sinais. Esse grupo não é a favor da LIBRAS, se alguém vier e perguntar o que acha melhor, esses radicais dirão “próteses, oralização, leitura labial e implantes cocleares.” E junto dos surdos não radicais que usam a mesma língua, tentam conseguir direitos como aulas transcritas em tempo real, closed caption e legenda em todos os programas de TV e cinemas (mesmo dublados e nacionais), entre outras coisas, mas nunca se teve noticia de que algum surdo usuário de Língua Portuguesa, quisesse que LIBRAS fosse extinta.

Já os surdos usuários de Língua dos Sinais, não só continuam lutando pelos direitos, como fazem alguns pedidos descabidos. Por que descabidos? O mais atual e que tem gerado mais debate atualmente é: Querem que vestibulares e concursos públicos passem a ser 100% em LIBRAS. Ai varia um pouco, porque alguns pedidos enviados ao Ministério Público pedem que os usuários de LIBRAS tenham as perguntas dadas em forma de vídeo e que ela seja respondida por eles usando a Língua de Sinais, com algum interprete escrevendo a resposta no papel. Outros projetos pedem que as provas sejam em conferencias de vídeo e outros pedem que a prova seja dada em LIBRAS, mas em sua forma escrita (sim existe uma forma escrita cheia de símbolos ao invés de palavras).

Além do citado acima, eles lutam para que LIBRAS seja obrigatório nas escolas para TODOS os alunos (até os ouvintes). A luta deles é por Língua de Sinais em todo lugar a todo custo e obrigatória. É impressão minha, ou isso parece um pouco similar ao que esses usuários de Língua dos Sinais viveram quando eram obrigados a falar e a ler lábios ao invés de usar as mãos para se comunicar? Eu respondo, não é impressão, a situação é exatamente a mesma, mas invertida. Parece que criaram de alguma forma, um medo de que aquilo vá acontecer novamente, então tentam impor que seus direitos virem obrigação de todos.

Para todos os pedidos feitos, os juízes negaram os pedidos. Alegaram que é inconstitucional e que a própria lei que reconhece LIBRAS como uma língua, diz que ela não pode substituir a forma escrita da Língua Portuguesa. Porque eles são surdos e usam LIBRAS, mas são cidadãos brasileiros e devem aprender a escrever o idioma do país em que nasceram e domina-lo.

Bom, além de tudo isso, eles alegam que o governo gasta um valor ridiculamente alto para implantes cocleares e nada na educação para surdos. Outros ainda criam comunidades e grupos como “Sou Contra o Implante Coclear” e ficam falando que dá choque, que causa retardamento cognitivo entre outras mentiras.

Eu particularmente acho que o uso de aparelhos, LIBRAS, Língua Portuguesa, Implante Coclear e seja lá o que for, deve ser opção e não imposição, e que a escolha das pessoas e dos pais deve ser respeitada. Nenhum pai envia um filho pra fazer implante porque quer o mal dele, assim como nenhum adulto vai fazer o implante achando que vai morrer. Todos querem qualidade de vida. Também não acho que LIBRAS seja péssima escolha, acredito que o que falta é um bom apoio e uma boa base educacional nas escolhas por eles frequentadas, para que aprendam a dominar a escrita da Língua Portuguesa. Infelizmente a educação em nosso país é falha para a maioria da população seja ela ouvinte ou não.

Nessa história toda, não existe o mocinho e o vilão. Existe apenas pessoas com medo. Não podemos no entanto, deixar que o medo cegue a todos. Eu proponho novamente que nós, surdos, bilíngues, usuários de Língua dos Sinais, usuários de Língua Portuguesa, devemos nos unir e lutar por uma causa em comum, lutar para que independente das escolhas, todos tenham seus direitos atendidos para viver com dignidade de acordo com aquilo que faz bem para a alma de cada um. Somados, somos mais de 9 milhões de surdos, acho que a luta de todos seria bem mais valida se houvesse união.

E peço encarecidamente aos amigos usuários de LIBRAS ou Língua Portuguesa que fazem parte dos radicais, que  por favor, parem de brigar. Aos amigos usuários de LIBRAS, não tentem fazer com os outros o que por tanto tempo fizeram com vocês e causou tanto sofrimento, não é correto. Aos amigos usuários de Língua Portuguesa, peço paciência e tolerância, vocês sabem o quanto foi difícil dominar o idioma e aprender certas coisas, então não desmereçam o esforço dos outros. Somos todos humanos, somos todos iguais e todos queremos dignidade e respeito. Digam NÃO à imposição, seja ela qual for.

sayno

 

Beijos a todos.

🙂

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

PROGRAMA QUALIFICAR PARA INCLUIR
Novas Oportunidades para profissionais com deficiência.

PQI

O Programa Qualificar para Incluir foi criado no CPqD em 2008 e desde então vem capacitando pessoas com deficiência em Tecnologia da Informação e Comunicação para o mercado de trabalho.

Sem custos para os interessados, o programa tem foco nas áreas de tecnologia e trabalha o desenvolvimento humano, oferece como diferencial a oportunidade para os alunos de aumentarem as chances de sucesso no mercado de trabalho, cada vez mais exigente nos dias de hoje.

Não fique fora desta você também , e para se inscrever acesse o site:http://programapqi.jimdo.com


Mais informações de como se inscrever no programa podem ser obtidas através do e-mail:alinenunes.sqi@gmail.com e do telefone: (19) 3705-4225 ou 3705-6585.

Faça sua inscrição, e ao ser convidado para entrevista tenha em mãos:

1. Laudo Médico atestando a deficiência

2. Apresentar os exames que comprovem a deficiência:

– Auditiva

– Visual (avaliação de acuidade visual e campimetria – quando for o caso de redução do campo visual).

 
Link para inscrição :

http://programapqi.jimdo.com/inscri%C3%A7%C3%B5es/

LINK COM VÍDEOS QUE EXPLICAM MAIS SOBRE O PROGRAMA :

http://www.youtube.com/watch?v=oowwBq5jJDA

 
 
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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Há um tempo atrás um amigo gravou um vídeo falando sobre ele, sobre ser oralizado e sobre o implante coclear e muita gente fez, e eu disse que quando eu fosse implantada bilateralmente eu também faria. Bom, 11 meses depois, segue o vídeo pra vocês. Closed Caption em Português e Inglês disponível, basta trocar o idioma na opção onde liga o CC.

 

 

 

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 11 comentários

Eu ando meio sumida ultimamente, muita coisa tem acontecido e eu tenho assunto pra pelo menos mais 3 posts aqui no blog, mas no momento gostaria de tratar de um assunto que muitos desconhecem, muitos sentem na pele e outros fingem não ver: O PRECONCEITO COM SURDOS.

A ideia surgiu a partir de uma postagem de um primo meu no facebook. A postagem em questão era uma entrevista com Antonio Fagundes, falando sobre seu personagem homofobico na novela Amor à Vida na qual seu personagem tem um filho gay e a ultima pergunta que fizeram foi sobre a peça que ele está ensaiando e onde contracenará com seu filho. A resposta foi “É sobre uma família disfuncional, formada por pai, mãe e três filhos. E um dos filhos é surdo. Mas ele é criado como se não fosse. Eles o ensinam a falar e a ler lábios. Tudo corre bem até que ele conhece um garota, que também está ficando, por quem ele se apaixona. O problema é que ela está aprendendo a linguagem dos sinais e ensina pra ele. Isso causa um alvoroço na família. Agora, troque filho surdo por filho gay. Não parece a mesma discussão da novela? Estreia de 14 de setembro, no Tuca, em São Paulo. Meu filho, o Bruno Fagundes, faz o surdo.”

Esse primo meu, que é gay, ativista e militante da causa homossexual comentou o seguinte ao compartilhar o link não, não é o mesmo “problema” entre o preconceito contra o surdo e o preconceito contra o homossexual, mesmo porque ninguém apanha na rua por ser surdo, nenhum pai deserda um filho por ser surdo.”

Minha primeira reação foi primitiva, fiquei brava, como ele poderia falar algo sem conhecer? Minha segunda reação foi comentar calmamente sobre discordar e o motivo de eu discordar. Minha terceira reação foi pensar e depois repensar e escrever no blog sobre o assunto.

Caros leitores, embora muitos desconheçam histórias e até pensem “mas quem vai fazer algo assim com um surdo ou um deficiente, coitadinhos” quem vive cercado por surdos sabe que o buraco é bem mais embaixo e o problema pode sim ser considerado o mesmo. “Ah Diéfani, para de querer causar polêmica e de querer fazer os surdos de coitados.” Não, eu não estou exagerando.

Homossexuais apanham na rua, na escola, são alvos de chacota, são expulsos de casa pelos pais, são abusados sexualmente, são deserdados pela família, são humilhados, são proibidos de demonstrarem afeto em publico, em muitos lugares são proibidos de casar e muitos pais dizem que preferiam filho ladrão, bandido do que gay. “Tá a gente sabe tudo isso, mas como você ainda pode falar algo assim sobre os surdos?” amigos, os homossexuais, tem VOZ, tem espaço na mídia e não só tem muitos direitos, como são vistos pelo mundo e os surdos?

Conheci surdos usuários de LIBRAS, surdos oralizados e surdos bilíngues e vocês ficariam horrorizados com a quantidade deles, homens e mulheres que foram abusados sexualmente pelos pais ou algum cretino oportunista. Na maioria das vezes o que eles ouviram de quando eram crianças até o começo da adolescência foi “Isso vai te ajudar” e a criança sem entender o que acontecia nunca falava nada, mas mesmo depois de entenderem, aprenderam apenas a evitar, porque ao tentar contar achavam que estavam mentindo porque “quem faria isso com uma criança que nem pode ouvir?”

Na escola e nas ruas não é diferente, são apontados, são alvo de bullying e piadinhas cruéis. Conheci incontáveis surdos que disseram que apanhavam na rua pelo simples fato de serem surdos, eram agredidos porque eram “aberrações” e alvos fáceis. Há surdos que ficam na casa dos pais apenas até os 18 anos porque a lei obriga, mas com 18 anos os filhos são EXPULSOS de casa e a família nunca mais quer saber, se está morto ou se está vivo “não é problema deles.”

Muitas crianças surdas são criadas sem aprender nenhuma forma de comunicação, cresce com os pais que são dois estranhos com quem mal conseguem se comunicar e o contato com o mundo exterior é ZERO, se ela for inserida na sociedade ela não vai conseguir nem dar oi pra uma pessoa. Muitos desses são mais tarde “salvos” por alguém, que com muita paciência os levam pra escolas de surdos, onde se alfabetizam e aprender a se comunicar, mas é assustadora a quantidade de surdos que ficam pra trás.

Para uma criança nascida em família ouvinte, antigamente muitas vezes eram trancados em hospitais psiquiátricos até o fim da vida, mas existe os casos das famílias que levam a criança em uma fono para falarem, usarem aparelhos auditivos, fazem implantes cocleares, ensinam a ler lábios mas se o filho acaba se interessando pelo “mundo” surdo e quer ter amigos surdos, aprender LIBRAS e coisas desse tipo, é como se estivessem assassinando alguém. A família não aceita, acha errado e quer que o filho viva uma vida “normal” com gente “normal”.

Por outro lado, há as crianças surdas que nascem em famílias surdas e são deserdadas, humilhadas pela família e comunidade surda em que vivem, quando querem aprender a falar ou até usar um implante coclear. Para a família não existe coisa pior, eles dizem que se sentem rejeitados pelo membro da família que quer “ser ouvinte” e dizem coisas como “ele vai ser uma aberração, não vai ser surdo e nem ouvinte, ninguém vai aceita-lo é melhor que morresse.”

Há ainda os casos de preconceito de Surdos usuários de LIBRAS contra os Surdos usuários da Língua Portuguesa. Em fóruns de discussão já vi Surdos sinalizantes desejarem a morte para a filha de uma amiga minha, que é surda oralizada e falarem que surdos oralizados são potenciais suicidas.

Fora aqueles probleminhas HUMILHANTES que acontecem com praticamente todos no dia-a-dia. Tem que pegar senha mas não dá pra ouvir chamar e não tem monitor, tem que resolver algo pelo SAC de uma empresa mas não pode ser outra pessoa, não pode ser numa loja física da empresa e nem por e-mail ou chat, TEM QUE SER POR TELEFONE. Vai estudar e às vezes acontece de alguém dizer “seu lugar não é aqui, deveria ir pra escola especial”, precisa pedir acompanhante em um aeroporto porque não ouve os auto falantes e não dá pra se virar completamente sozinho. Tem que quase ajoelhar na frente de um professor e implorar pra que ele explique a matéria virado pra frente pra que possa ler os lábios. Acabar não indo a certos lugares como teatro, cinema porque não tem legenda e interprete de LIBRAS. Mercado de trabalho? Até por cota é difícil conseguir um emprego, na maioria dos lugares eles aceitam deficientes físicos, visuais, mas surdos não, porque a surdez “atrapalha a comunicação”. Um a amiga uma vez disse que estava com o marido na feira e falavam sem som, já que ele apesar de ouvinte aprendeu a ler lábios e uma senhora perguntou o motivo para aquilo e ele explicou que a minha amiga é surda e a mulher “Ah que bom que você trouxe ela pra dar uma voltinha” como se a minha amiga fosse um cachorro ou uma inutil. Outros ainda ficam horrorizados ao saber que podemos dirigir porque somos “perigosos” por não ouvir sirenes e buzinas.

E quem fala por todos esses que sofrem discriminação? Ninguém. Quando aparecem na mídia falando de direitos e acessibilidade para surdos o que já é raro, é focado pros surdos usuários de LIBRAS e o resto fica de fora. O fato é que num geral, somos invisíveis pra sociedade. Não temos assim como homossexuais, boates, bares, restaurantes, hotéis e outras coisas que são focadas naquele grupo e seus simpatizantes. Mal há escolas especiais (que alguns preferem), algumas escolas se recusam a aceitar um aluno por ele ser surdo. É como se por sermos surdos, deveríamos ficar enfiados em casa.

Para um gay, a opção de dizer “Eu sou gay” existe, mas para um surdo não, se um surdo quer ter uma boa comunicação com todos ao seu redor, precisa sempre avisar e falar “Eu sou surdo” ao que quase instantaneamente se ouve depois “mas tão bonita” ou “nossa que dó” entre outros absurdos. Isso quando não acham que é contagioso e tiram seus filhos de perto (sim em pleno século XXI isso ainda existe). Ai dizem “Ah mas na maioria dos lugares gays não podem casar” bom sabiam que até pouco atrás em muitos países, casamentos entre surdos era proibido, assim como casamento inter racial e que isso só mudou porque nem sei quem, viu que era ridículo demais, ainda mais vendo o fato de que muitos surdos passavam a vida inteira tendo contato unica e exclusivamente com surdos sem nunca terem conversado ou interagido de verdade com um ouvinte?

Estamos há anos tentando conquistar um direito MINIMO de ter closed caption ou legendas em programas de TV, cinemas, teatros, mesmo quando for algo dublado ou nacional e nem isso conseguimos. E o motivo? Como eu disse, somos invisíveis. Só pra deixar claro, deficientes num geral são invisíveis e às vezes ser invisível cansa e muitas vezes leva a querer desistir de tudo, inclusive da própria vida. Enquanto isso, gays conquistaram espaços exclusivos pra eles, casamento tá sendo legalizado, entre muitas outras coisas.

Tudo isso me fez lembrar uma frase do filme Filadélfia, com Tom Hanks “O Ato Federal de Reabilitação Vocacional de 1973 proíbe discriminação contra pessoas deficientes e com qualificação capazes de executar as tarefas exigidas pelo seu emprego. Apesar da lei não se referir diretamente à discriminação relacionada ao HIV e à AIDS, decisões subsequentes sustentaram que a AIDS é considerada como deficiência dentro da lei, não apenas por causa das limitações físicas que impõe, mas porque o preconceito que a envolve causa uma morte social que precede a morte física. Esta é a essência da discriminação: formular opiniões sobre outros, baseadas não em seus méritos individuais, mas em sua afiliação a um grupo com supostas características.”

As palavras desse projeto de Lei são diferentes, essa frase tem o intuito de explicar de uma forma que possa ser compreendido, e o foco do filme era AIDS, mas a parte da morte social que precede a morte física está lá mesmo antes da AIDS ter sido introduzida como uma deficiência perante a lei. Refletindo, morte social é um termo extremamente pesado, mas o preconceito em relação às pessoas com deficiência e isso inclui os surdos causa uma morte social e o que pode ser pior do que estar vivo, mas morto pra sociedade?

Esse post teve o intuito de única e simplesmente dizer que ninguém deve falar daquilo que não sabe, daquilo que não conhece e de meios em que não vive, a grama do vizinho sempre parece mais verde e os nossos problemas sempre nos parecem piores. E como eu disse, ser invisível às vezes cansa, queremos ser vistos, mais do que vistos, queremos ser ouvidos e sermos vivos aos olhos da sociedade.

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Como todos sabem, eu sou oralizada, usuária de IC e sei LIBRAS muito porcamente. Recentemente, conheci um aplicativo do iPhone (infelizmente só tem pra iPhone) que você escreve em Português e ele traduz para LIBRAS. Achei muito bacana, não só é uma forma de se comunicar com os usuários da Língua de Sinais Brasileira, como também uma forma de aprender. Há a opção de colocar o Hugo (personagem 3D criado para traduzir as frases) para sinalizar de maneira bem mais lenta e aprender as palavras. Eu baixei e achei muito legal, dou nota 10 pro app.
Falta agora algum grupo desenvolver um BOM aplicativo que transcreva fala para texto de maneira pelo menos 90% satisfatória. Eu pretendo criar algo para projeto de pesquisa e TCC, mas só dá pra fazer disso um app de verdade com um enorme banco de palavras, se eu tiver ajuda de alguma empresa, pois é um projeto muito extenso. Bom, segue um texto sobre o Hand Talk, que foi retirado do próprio site do aplicativo que é http://www.handtalk.me

Hand Talk

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Hand Talk: Uma solução digital para inclusão social

A Hand Talk é uma plataforma de tradução digital do português para LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais, comandada por um simpático intérprete virtual, o Hugo, personagem 3D que torna a utilização da solução interativa e de fácil compreensão. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui quase 10 milhões de pessoas com algum tipo de problema auditivo, entre eles, há uma parcela que não compreende corretamente o português e dependem exclusivamente da LIBRAS para se comunicar.

Diante desse cenário, a solução surge como uma ferramenta para auxiliar a comunicação entre surdos e ouvintes e trazer mais conhecimento para seus usuários, possibilitando uma troca continua de informação entre eles. “Pretendemos oferecer acessibilidade à comunidade surda e as pessoas que de alguma forma necessitam da LIBRAS para se comunicar. Além disso, um dos nossos objetivos é difundir ainda mais a Língua Brasileira de Sinais em nosso país”, comenta Ronaldo Tenório, CEO da Hand Talk.

Aplicativo Hand Talk:

O Hand Talk App é um tradutor mobile para smartphones e tablets, que converte, em tempo real, conteúdos em Português para LIBRAS, seja ele digitado, falado ou até fotografado. Através da opção de tradução de texto, o usuário pode escrever uma frase ou uma simples palavra e o Hugo se encarrega de interpretá-la. Com a opção de conversão de áudio, o aplicativo reconhece a voz e traduz em LIBRAS.

Além dessas opções, o app também consegue converter fotografias. Basta capturar uma foto, por exemplo, de uma frase curta na capa de um livro, e a mensagem é interpretada simultaneamente para a Língua Brasileira de Sinais. O aplicativo, que foi eleito pela ONU o melhor App social do mundo, está disponível para download gratuitamente na App Store (www.handtalk.me/app) e em breve também será lançado para dispositivos Android.

HT Plus

Para oferecer ainda mais acessibilidade aos surdos, a Hand Talk criou o HT Plus, soluções coorporativas de tradução em LIBRAS sob medida. Com esta solução, é possível inserir o tradutor em Totens em eventos ou empresas, como também obter vídeos personalizados com o Hugo interpretando na Língua Brasileira de Sinais. Para conhecer melhor este serviço, acesse www.handtalk.me/plus.

Premiações

Desde sua criação, a empresa vem conquistando destaque e recebendo prêmios no mercado nacional e internacional A solução foi eleita em 2012 a mais inovadora do Brasil na Rio Info, um dos maiores eventos de Tecnologia do país. Em 2013, concorrendo com cerca de 15.000 aplicativos de várias partes do planeta, o Hand Talk foi eleito o melhor app social do mundo, no WSA-mobile, evento organizado pela ONU – Organização das Nações Unidas – realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. “Já foi uma vitória participar desse evento. Sabemos de sua importância, afinal, trata-se do “Oscar dos Aplicativos”. Estamos muito felizes em saber que fomos considerados por todos os jurados os melhores do mundo. Isso só nos deixa com mais ânimo para trabalhar cada vez mais”, diz Carlos Wanderlan, CTO da Hand Talk.

Futuro:

Após o evento do WSA-mobile e o lançamento oficial do aplicativo Hand Talk, várias portas se abriram. Foram iniciadas negociações para sua expansão até mesmo para outros países, refletindo a preocupação mundial com a inclusão social e acessibilidade. “Queremos levar nossa ideia para todos os lugares do mundo. Esperamos contribuir para estreitar ainda mais a relação entre surdos e ouvintes”, comenta Thadeu Luz, COO – da Hand Talk.

 

 

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Queria compartilhar uma coisa com vocês (não é pra ninguém sentir dózinha e nem peninha). A ideia do post foi depois de eu comentar em um post do facebook da Lak Lobato (Sim a dona do Desculpe Não Ouvi) Aos 14 anos eu comecei a perder a audição e fiquei completamente surda aos 18. A ultima vez que falei ao telefone foi exatamente no meu aniversário de 18 anos e a ultima pessoa com quem falei foi a minha tia Rita. Nessa época descobri que havia o implante coclear, que poderia me fazer ouvir novamente, mas bom eu queria esperar e ver se era o caso mesmo. Usei aparelhos auditivos e o ganho com eles era zero. Em 2009 aos 20 anos, decidi que voltaria ao Brasil para fazer aqui o implante coclear, pelo SUS e com um médico muito competente.
Em janeiro de 2010 deu-se inicio à uma saga que ainda não terminou e eu honestamente não sei quando termina. Eu iria fazer o implante coclear, mas a questão era “de onde veio a surdez?”. Em outubro de 2010 recebi o primeiro IC e foi um sucesso, mas também foi nesse mês que deu inicio à uma investigação genetica para saber a causa da surdez. Nesse processo de investigação genetica, foi descoberto que o problema “era um pouco mais embaixo”. O problema era no sistema nervoso central, mas o que? Bom estou desde então alternando entre médico particular em São Paulo e o HC…dizem que a possibilidade devido aos sintomas fisicos que incluem mobilidade reduzida, falta de equilibrio, falta de coordenação motora, reflexos abolidos, surdez e etc e aos resultados de exames, pode ser uma doença genetica rarissima (em 100 anos ouviu-se falar de pouco menos de 100 casos) chamada Sindrome de Brown Vialetto Van Laere.
Bom ano passado fiz o segundo implante coclear, também em outubro e também foi um sucesso. Uso o telefone (não sem alguma dificuldade, mas uso) consigo ver TV sem legenda ou closed caption, consigo ouvir musicas, enfim tirando o fato de que preciso dele pra ouvir, estou feliz e plena. Claro que nem sempre fui tão positiva, mas isso ai não importa, todo mundo quando descobre que está com algum problema de saude mais sério passa pelas fases do luto.
Bom, minha saga ainda não terminou, estou fazendo meus tratamentos, mas ainda não tem um diagnostico fechado, só precisei compartilhar um pouco disso tudo com vocês porque eu estava ouvindo a música Aquarela, do Toquinho. Sim, aquela música da propaganda da Faber Castell, e poder ouvir essa música novamente, depois de tantos anos e depois de ter passado por tanta coisa (inclusive a perda do meu avô no começo do ano, que agradeço imensamente pelo apoio dos amigos) faz TANTO sentido. Eu sempre amei a música, mas é só agora depois de um LONGO e arduo caminho que as palavras “E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar, sem pedir licença muda a nossa vida e depois convida a rir ou chorar…” fazem TANTO sentido e estão carregadas de tanto significado. É uma música linda, simples, mas que me toca na alma e me convida a chorar.

Claro que eu não sei o que o futuro me reserva, mas uma coisa é fato, com o apoio da minha familia, dos meus amigos, dos amigos surdos que me apoiam demais e da pessoa que amo, tem tudo ficado imensamente mais facil e leve. E eu agradeço à Deus, todos os dias por tê-los em minha vida. Bom segue a música.

 

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Retirado do Blog Antigo:

 

 

Como eu havia prometido eu fiz uma pequena entrevista com a minha captionista e vou postar hoje pra vocês.

Francesca

 

O nome da entrevistada é Francesca DiBella, ela irá completar 42 anos em agosto. Fran (como prefere ser chamada) trabalha com estenografia há 20 anos, mas esse é o seu sexto trabalhando como CART reporter  ( é como eles chamam o  Captionista para surdos e pessoas com problemas de aprendizagem. )

 

Igualmente Diferentes: Para se tornar relator ( esse é o termo correto pra captionista “vice”?) , você precisa de alguma formação acadêmica especifica? Faculdade, curso técnico? Quanto tempo demorou o seu treinamento até que você pudesse trabalhar?

Fran: Para se tornar um relator CART repórter ( prefiro esse termo porque relator é muito feinho CART repórter é mais chique ), você tem que treinar como relator de tribunais. Se você irá receber um diploma ou certificado isso depende de em qual escola você vai. Aqui no nordeste dos EUA, escolas técnicas oferecem um certificado quando se consegue atingir a meta de 225 palavras por minuto. Há também faculdade na Florida e Colorado que oferecem diplomas. Eu terminei a escola em um ano e meio. Eu sei de pessoas que precisaram de cinco anos e pessoas que precisaram somente de 9 meses. Esses curso tem uma grande taxa de abandono, se não estiver errada a taxa de abandono é de 85%. ( uxi é alta hein?)

Igualmente Diferentes: Quais são suas condições de trabalho? Quantas horas você trabalha por dia/ semana? Você está feliz com o seu salário? ( Não perguntei quanto ela ganha não viu gente?Isso seria anti ético)

Fran: Eu trabalho em todos os tipos de locais com horários variados. Eu trabalho em faculdade, reunião de negócios, consultórios médicos, escritórios de advocacia, tribunais e igrejas. Eu relato reuniões de negócios para grandes companhias por causa de um ou dois empregados que são surdos ou deficientes auditivos. Eu relato colações de grau/ formaturas porque o avô/ avó ficaram surdos por causa da idade e querem ver seus netos receberem o diploma. Eu também relato a distancia para estudantes universitários em diferentes estados enquanto eu estou no escritório de casa. Eu trabalho com seminários para o estado de Nova Jérsei. Eu trabalho para grupos que  defendem as causas da comunidade surda e deficientes auditivos. E eu também relato casamentos quando um amigo ou parente não pode mais ouvir.

Eu tenho muito orgulho do meu salário. Eu tenho um salário que é impressionante. O lado ruim é que eu tenho que pagar pelas minhas despesas como gasolina, pedágio, contas do carro, plano de saúde, equipamento, manutenção, telefone, internet que são coisas que eu preciso para trabalhar.

Igualmente Diferentes: Quais as dificuldades que você encontra no seu trabalho?

Fran: Meu trabalho tem dificuldades assim como todos os outros, entretanto eu os considero como desafios e não dificuldades. As vezes chega a ser penoso ter que aceitar um trabalho que está um pouco além do que eu posso fazer; por exemplo, eu tive que relatar um Bar Mitzvah (é o  nome da cerimônia que insere meninos judeus como um membro maduro da comunidade judaica, isso ocorre aos 12 anos e um dia, para meninas o nome é Bat Mitzvah e ocorre aos 13 anos e um dia–  Igualmente Diferentes também é cultura) para uma família de surdos. Aquilo foi um desafio e sinceramente eu acho que eu desapontei a família. Escrever palavras em Iídiche ( que significa Judeu que é um pouco mais atualizado e novo que o Hebraico e tem origem alemã) vai além da minha capacitação.  Outro trabalho foi um casamento Indiano. O noivo era surdo. Esses trabalhos são difíceis porque você tem que se preparar muito antes do tempo e não importa o quanto você se prepare, você nunca sabe tudo que vai acontecer ou está pronto para o que estará fazendo.

Igualmente Diferentes:  O equipamento que você trabalha é seu ou da companhia que você trabalha?

Fran: Eu pago pelo meu próprio equipamento. Uma maquina de esteno nova custa em torno de $5000,00 ( WOW isso sai quase R$ 12000,00). O software é exclusivo- você não pode simplesmente entrar na RadioShack (loja de eletrônicos) e pedir por ele-  e custa uns $ 5000,00 (De novo quase R$12000,00). Depois você também vai precisar de um laptop , os preços variam de acordo com marca e modelo. E então você também pode comprar um projetor e tela mas, esse é opcional, usado para grupos grandes.

Igualmente Diferentes: Porque você escolheu essa profissão?

Fran: Essa pergunta é meio complicada. Eu tenho que explicar essa historia do começo. Quando eu estava no ensino médio, eu queria ir para a faculdade. Minha família são Sicilianos e muito rígidos, e eles não acreditavam que mulheres deveriam ir para a faculdade. Meus pais acharam que era perda de tempo para uma mulher ter diploma universitário porque uma mulher deveria começar uma família e ficar em casa. Era uma mentalidade bem anos 50. Bom, teve então Dia das Profissões na minha escola e um relator de tribunais foi e demonstrou como era o trabalho. Eu fui pra casa e perguntei pro meu pai se era uma boa idéia eu fazer aquilo, e ele AMOU a idéia. Já que ele tinha me autorizado, eu apliquei para a escola e ganhei uma bolsa de estudos, e desde então eu jamais olhei pra trás. Eu me formei na escola de relator de tribunais bem rápido. Logo depois eu comecei a trabalhar na cidade de Nova Iorque. Meu primeiro chefe foi meu mentor e eu amei aprender sob a sua tutela. Quando eu me casei e tive minhas três filhas, essa carreira me deu a flexibilidade de estar em casa pra elas e me dar um pagamento respeitável. Eu amo essa profissão. Tenho orgulho de dizer que foi meu pai quem me deu o bom conselho de escolhe-lha.

 

Bom gente espero que tenham gostado.

Beijos a todos 🙂

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

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Helen Adams Keller (Tuscumbia27 de junho de 1880 —Westport1 de junho de 1968) foi uma escritora, conferencista e ativista social estadunidense. Tornou-se uma célebre escritora, filosofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas com deficiência.

Biografia

Filha do capitão Arthur H. Keller e de Kate Adams Keller, que eram de famílias respeitadas e tradicionais na região.Nascida no Alabama, foi dos maiores exemplos de que as deficiências sensoriais não são obstáculos para se obter sucesso. Helen Keller foi uma extraordinária mulher, triplamente deficiente, que ficou cega e surda e consequentemente muda desde tenra idade, devido a uma doença diagnosticada na época como febre cerebral (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina). Através do contato que teve com Martha Washington a filha de seis anos da cozinheira, ela desenvolveu uma linguagem de sinais própria, qual a qual se comunicava com a família. Helen dizia que Martha fazia tudo que ela pedisse e raramente dizia não, e que isso era extremamente prazeroso para ela que tinha gênio forte.

Os pais de Helen após ouvirem falar do sucesso na educação de Laura Bridgman (cega e surda), a levaram até o Dr. J. Julian Chisolm,  especialista em olhos, nariz, ouvidos e garganta e nada podendo fazer, o médico lhes encaminhou para Alexander Graham Bell que na época trabalhava com crianças surdas. Bell aconselhou que eles entrassem em contato com o Instituto Perkins Para Cegos, que era a mesma escola aonde Bridgman foi educada. Michael Anaganos, diretor do instituto, pediu a uma antiga estudante, Anne Sullivan que contava com então 20 anos e era deficiente visual (ainda enxergava um pouco) para que fosse tutora de Helen Keller. Era então o começo de uma relação que durou 49 anos.

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Helen Keller e Anne Sullivan.

 Anne chegou na casa dos Keller em março de 1887 e imediatamente começou a ensinar Helen. A primeira palavra sinalizada e soletrada em sua mão foi doll ( boneca) para mostrar a boneca que ela havia levado de presente para Helen. O grande avanço na comunicação de Helen Keller foi em Abril daquele mesmo ano, quando ela notou que aqueles movimentos feitos por sua professora na palma de sua mão enquanto deixava escorrer água fria em sua outra mão, simbolizavam a ideia de água.  Ela então quase exauriu Anne Sullivan correndo e pedindo o nome de todos os objetos familiares de seu mundo. A história do encontro entre as duas é contada na peça The Miracle Worker, de William Gibson, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962, dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller).

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Cena do filme The Miracle Worker quando Helen percebeu que aqueles sinais

simbolizavam coisas e palavras.

Sullivan ensinou a Helen o metodo de comunicação chamado de Tadoma, em que a pessoa toca os labios e garganta de outras pessoas enquanto eles conversam, combinado com soletrar ( em alfabeto de linguagem dos sinais)  na palma da mão da criança as palavras. Mais tarde, Helen aprendeu Braile e com ele aprendeu não somente a ler em Ingles, mas também em Alemão, Latim, Grego e Francês.

Em maio de 1888, foi estudar no Instituto Perkins. Em 1894, ela e Anne se mudaram para Nova York para que ela estudasse no Wright-Humason e Horace Mann, ambas escolas para surdos. Em 1890 após saber sobe Ragnhild Kaata uma surda-cega que aprendera a falar, Keller também quis aprender. Na primavera de 1890 teve aulas com Mrs Fuller que através das vibrações da garganta e movimentos da boca e língua, ensinou Helen a falar. Helen ficou contente que com o tempo todos passaram a entende-la e principalmente de como era mais fácil falar do que soletrar as palavras em linguagem dos sinais. Em 1896 retornaram para Massachusetts e Keller ingressou em Cambridge Para Jovens Senhoritas e permaneceu por lá até ser admitida em Radcliffe College em 1900. Seu admirador, Mark Twain a apresentou para Henry Huttleston Rogers, um magnata do óleo, que com sua esposa, pagou pela educação de Helen. Em 1904 graduou-se bacharel em filosofia pelo Radcliffe College, tornando-se aos 24 anos se tornou a primeira mulher surda- cega a ter um diploma de bacharel em artes, a instituição a agraciou com o prêmio Destaque ao Aluno, no aniversário de cinquenta anos de sua formatura. Falava os idiomas francês, latim e alemão.

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Foto de sua graduação

Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade deHarvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia eÁfrica do Sul. Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil, com a do Tesouro Sagrado, no Japão, dentre outras. Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.

Anne continuou como sua companheira, se casou em 1905 com John Macy e sua saúde começou a definhar em 1914. Polly Thompson foi contratada para cuidar da casa. Era uma jovem mulher Escocesa e não tinha experiencia com cegos ou surdos. Ela fez grande progresso, passando mais tarde ao cargo de secretaria e consequentemente se tornou companheira constante de Helen. Depois que Anne morreu em 1936, Keller e Thompson se mudaram para Connecticut. Elas viajaram ao redor do mundo levantando fundos para dos cegos. Thompson teve um enfarte em 1957, mas nunca se recuperou completamente vindo a falecer em 1960. Winnie Corbally, que foi a enfermeira contratada para cuidar de Thompson, acabou ficando depois de sua morte e se tornou companheira de Helen até o fim de sua vida.

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Keller e Polly Thompson.

Em 1961 Keller teve vários enfartes, e passou o resto de seus anos em sua casa. Em 14 de Setembro de 1964, o presidente Lyndon B. Johson a agraciou com a Medalha Pesidencial da Liberdade, uma das duas maiores honras para um cidadão dos Estados Unidos. Em 1965 ela foi eleita ao Women’s Hall of Fame ( Corredor da Fama Feminino) na Feira Mundial de Nova York. Ela morreu enquanto dormia em 1 de Junho de 1968 em sua casa. Foi feito uma homenagem a ela na Catedral Nacional em Washington D.C e suas cinzas foram colocadas ao lado de suas constantes companheiras Anne Sullivan e Polly Thompson.

 

 Beijos a todos 🙂

 

Ps: Em breve mais pessoas surdas famosas.

 

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

A Cidade de Marília, no Estado de São Paulo, realiza as cirurgias de implante coclear pelo SUS. Não há fila de espera e todos os pacientes avaliados e candidatos ao implante coclear podem se beneficiar desta tecnologia aguardando um curto espaço de tempo entre a primeira avaliação e a cirurgia. O contato deve ser feito com o setor de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Marília, pelo telefone (14) 3402-1704.

 

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Gente, no dia que embarquei pros EUA, um surdo vendendo chaveiros com aqueles papeizinhos “sou surdo me ajude comprando esse chaveiro por dois reais” apareceu, eu não comprei, mas comentei com minha tia que às vezes compro, porque ser surdo no mercado de trabalho é complicado, pra achar algo é uma labuta, mas que também não confiava em todos que apareciam vendendo essas coisas e acabei citando esse video:

Que é uma surda tentando conseguir um emprego numa cafeteria, mas não consegue por causa da surdez. O cara alega várias coisas e muitos clientes se revoltam saindo da cafeteria ou defendendo a moça. Entretanto, aparece uma falando que pessoas com deficiência tem mais direitos do que qualquer um, e que se ele não aceitasse a aplicação de trabalho dela, poderia ser processado e então a mulher diz “aceite a aplicação, só não ligue depois.” No fim ele passa a aceitar a aplicação e finge que vai ligar.

Uma amiga minha viu o video e ficou revoltada dizendo “Deve ser isso que fazem quando você manda o seu curriculo, isso é ridiculo e ultrajante.”

Pois bem, comentei tudo isso com minha tia e ela disse o seguinte “Às vezes acho que não é nem preconceito, mas desespero, na verdade dá uma certa angustia falar com um surdo, especialmente se ele não foi oralizado ou não usar protese auditiva, porque ai você vai ter a certeza de que a comunicação vai ser dificil e limitada. Você mesma antes do implante, a gente te falava as coisas e se você não dissesse nada a gente ficava naquela coisa de “ai será q ela entendeu?”, porque quando a gente conversa com um cego, ele não está vendo você, mas ele te entende, se comunica, não existem barreiras pra isso, com um surdo não acontee o mesmo, é angustiante não saber se a pessoa tá balançando a cabeça porque entendeu ou se é porque não entendeu e não quer perguntar de novo, ou ver a pessoa sinalizar sem você entender nada. Acredito que no final, pra se livrarem dessa barreira, eles pulam fora e descartam logo quem tiver surdez.”

Pois bem, eu nunca havia pensado dessa forma, que talvez não seja sempre somente por preconceito ou falta de informação, mas angustia pela dificuldade ou limitação na hora de se comunicar. Porque a gente sempre pensa na NOSSA  angustia de não entender os outros, na nossa agonia de querer se comunicar direito sem às vezes conseguir, mas nunca pensei que no lado de lá isso também rolasse. Vivendo e aprendendo.

Beijos a todos 🙂

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