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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

A Cidade de Marília, no Estado de São Paulo, realiza as cirurgias de implante coclear pelo SUS. Não há fila de espera e todos os pacientes avaliados e candidatos ao implante coclear podem se beneficiar desta tecnologia aguardando um curto espaço de tempo entre a primeira avaliação e a cirurgia. O contato deve ser feito com o setor de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Marília, pelo telefone (14) 3402-1704.

 

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Eu fui privada de ouvir por anos, não muitos, mas foram o suficiente pra me fazer perceber o quão valioso o sentido da audição é. Só aqueles que foram privados do privilégio de ouvir podem saber o que digo. Há 1 ano e 7 meses, tive meu implante ativado. A emoção foi grande, e as descobertas não param nunca.

Ontem, dia 05/06/2012 eu estava assistindo Grey’s Anatomy foi espetacular poder ouvir os sons e dialogos do seriado, ainda mais sendo o ultimo episodio da temporada. Pude degustar cada sonzinho saído das caixas de som do computador. Preciso confessar que chorei muito, não que eu não chorasse antes, mas quando se tem a oportunidade de ouvir berros e choros de desespero em uma obra de ficção, a emoção é quintuplicada.

As surpresas não se restringem somente à TV, cada dia que passa minha audição melhora, claro que tenho as minhas dificuldades, e agora com o novo mapeamento, estou apanhando pra processar coisas mais complexas, mas consigo falar no telefone, com direito a ouvir minha tia me chamando de folgada porque ainda não fui pra casa e “já é uma da manhã.”

Consigo ouvir barulhos que me soam até irritantes, mas que pelo simples prazer de ouvir, eu não desligo o implante, como por exemplo, o registro do chuveiro está quebrado, então por mais que feche, o chuveiro continua pingando. O som da água pingando é irritante, mas pelo simples prazer de ouvir, eu aturo o som.

Às vezes ainda durmo com ele ligado, por descuido ou por querer, minha vizinha tem um cachorro insuportavel que late demais, sabe há quanto tempo eu não conseguia ouvir o que se passava na rua? Tempo o suficiente pra adorar o cachorro chato latindo.

Mas nada se compara, ao prazer enorme de ouvir as vozes das pessoas que amo, algumas pessoas extremamente importantes na minha vida, só apareceram depois da surdez, eu não fazia ideia de como eram suas vozes, mas com o implante pude saber, e nada no mundo é tão valioso quanto isso.

Essas pequenas conquistas e descobertas, embora singelas e até bobas, representam muito pra mim. Representam a devolução de um sentido perdido, a devolução da minha audição. Antes do implante, a minha alma sedenta por sons, se sentia presa em um corpo surdo, agora não mais. Nunca, as palavras contidas em “Todo som é música” fizeram tanto sentido como agora.

Beijos a todos :smile:

 

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 0 comentários

Não é novidade pros meus leitores de longa data e amigos, que eu morei nos EUA por 6 anos, que foi onde eu perdi minha audição completamente. Como muitos sabem, eu tenho neuropatia, então a compreensão das falas e do som, mesmo quando ainda ouvia um pouco, era de uma qualidade absurdamente baixa.

Muitos me perguntam como fiz pra aprender inglês, em primeiro lugar, eu já tinha uma base de quando ouvia,  mas era mais por conta de vídeo games, filmes e séries, na verdade, eu sabia um pouco de gramática e vocabulário, mas não falava porcaria alguma. Também fiz aulas particulares um tempo, mas depois fiquei mais de um ano parada sem estudar.

Quando cheguei nos EUA, minha audição já estava se deteriorando, fui pra escola e lá me mandaram pras salas de aula de ESL ( English as Second Language), os professores falavam inglês mais devagar, o que dava a chance de captar melhor a leitura labial, em 3 meses fui transferida para salas regulares, foi onde a tormenta começou.

Nas salas regulares, eu não conseguia entender muito bem, por causa da velocidade em que falavam, quando falei que tinha um pouco de dificuldade auditiva, me mandaram pra fazer exames no médico autorizado da escola, que disse que estava tudo bem…mas bom, na época eu ouvia, o problema era discriminar a fala e sons.

Inglês não é um idioma muito bem articulado, o que conta na língua inglesa, é o movimento da língua, não dos lábios…se alguém falar a palavra “Love” por exemplo, pode-se muito bem falar bem articulado pra Deus e o mundo compreender, ou pode nem mexer a boca direito, mas se o movimento da língua estiver certo, ela sai perfeita.

Foi com a ajuda de professores extremamente pacientes e prestativos, assim como excelentes amigos e vizinhos, que consegui superar os obstáculos e ir aprendendo. Todos articulavam bem pra que eu pudesse entender e captar como se falava a palavra, as vezes eu ficava repetindo até eles dizerem “pronuncia está perfeita.”

Mas a atenção deve ser dobrada, porque não vale apenas prestar atenção no movimento dos lábios, é preciso ficar atento ao movimento da língua. Se é fácil? Não, mas não é impossível. Eu sugiro aulas com professores particulares, porque assim fica mais fácil ele prestar atenção e ajudar com a pronuncia, numa sala com vários alunos fica difícil fazer isso.

“ Ah Diéfani, mas quero fazer em um escola porque recebe certificado.” Vá a uma escola então, mas converse com o professor e os colegas da sala de conversação, honestamente? Seria uma aventura até boa, pois assim você vai se acostumando com diferentes pessoas falando além do professor, e se acostuma também com os diferentes sotaques.

Para os surdos usuários de IC e próteses que ouvem legal, eu sugiro que assistam DVDs com legendas em inglês, isso ajuda MUITO.

Se alguém quiser perguntar algo mais especifico, só deixar comentário com email que respondo no comentário e no email depois.

Beijos a todos :smile:

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Hoje, dia 25 de fevereiro de 2012, comemora-se o Dia Internacional do Implante Coclear, foi ha exatos 55 anos, que o primeiro implante coclear foi realizado. A gente para pra pensar e parece ser uma tecnologia tao nova, tao pouco divulgada, mas o fato é que 55 anos é bastante coisa. O primeiro Implante foi realizado pelos médicos franceses Andre Djourno e Charles Eyriès, era monocanal, e bom, de la pra ca, inumeras coisas mudaram, e chegamoa aos nossos atuais modelos…em mais 55 anos, aposto que os implantes cocleares alem de minusculos, terao apenas uma parte interna e nada do lado de fora aparecendo, mas de qualquer maneira, estou muito feliz com o meu, sendo visivel ou nao.

De qualquer maneira, me sinto imensamente feliz, em poder comemorar esse dia, em poder ouvir, nao ha nada no  mundo que pague a sensaçao de se sentir livre e plena. Muitos sons para todos nos implantados. Comemorem o dia se deliciando com os sons que so o IC é capaz de nos dar.

 

Beijos a todos :smile:

Ps: Sim, ainda havera o post sobre como aprendi Ingles, e desculpesm pela falta de acentls, mas detest ficar acentuando as coisas no iMac,

 

 

23
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Férias, aquela época do ano em que muita gente aproveita pra relaxar, pegar um avião tranquilamente e ir pra algum lugar. O que é simples pra uns, às vezes torna-se um pesadelo na vida de nós, surdos e deficientes auditivos.

Essa semana eu havia marcado viagem pros EUA, mas como fui por tarifa mais baixa, peguei passagem na LAN Aerolineas. A viagem foi marcada pra ontem, domingo dia 22 de janeiro, mas como acabei tendo cólica renal e me proibiram de viajar, porque estou com uma pedra no rim e outra obstruindo o ureter o que faz minha pressão despencar, precisei cancelar a passagem.

Bom, primeiro que foi impossível cancelar online, eles não tem serviço de chat online, me restou pedir ao meu tio vir aqui e ligar no call center, porque minha tia é meio lerda. O call center não funciona de domingo, só de segunda à sexta, o que sobrou? Ligar diretamente no guichê no aeroporto pra cancelar, só isso levou 1:30 h pra dar certo.

Custava uma companhia aérea de grande porte que tem parceria com mais duas, colocar um serviço de atendimento online por chat?

Outra coisa que me aconteceu nessas férias, foi uma entrevista de emprego via skype, eu já tinha dito que era surda e pediram pra comparecer mesmo assim, fui confiante, porque aprendi inglês com leitura labial, mas cheguei lá, SURPRESA, a coisa era via skype. Expliquei pra ela, me virei bem, ela só precisou digitar UMA coisa, e modéstia a parte, falo inglês muitíssimo bem, mas obvio que não teve retorno.

Agora me digam, e se essa moda pega? Como nós, surdos oralizados faremos? Vamos continuar na briga ai pessoal, porque tá dificil…

 

Beijos a todos :smile:

 

PS: Nas férias fico sem muita coisa pra contar, por isso ando sumida, mas não abandonei não.

23
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Pensando em atitudes alheias que magoam uma pessoa que tem deficiência auditiva, várias me ocorreram. Porém, como tudo na vida, dói mais quando vem das pessoas que gostamos. Não é verdade? Quando um estranho tem uma atitude dessas, a gente nem dá bola, afinal, não vale o gasto de energia. Mas quando alguém próximo nos magoa (mesmo sem intenção), chega a parecer traição. E das graves.

Duas coisas me tiram do sério – por 5 minutos, mas tiram. Primeiro, quero estrangular a pessoa, depois, esqueço. Mas meu sangue ferve, porque sou humana, né?

PRIMEIRA: Quando alguém que você adora (pode ser mãe, irmão, amigo, namorado, filho, marido, etc) age como um idiota completo que nada sabe sobre surdez apesar dos longos anos de convivência com você e solta a maldita frase:

- Mas você não está de aparelho???

Aaaargh!! Pra completar, só se a pessoa em questão dá aquela olhadinha para as suas orelhas pra confirmar a suspeita. Meu Deus!! Me considero uma pessoa sensata e calma na medida do possível mas, quando isso acontece, minha reação primitiva é a de querer tirar meus AASI e fazer a pessoa engolir. E a triste verdade é que isso acontece MUITO. Acho que a gente se acostuma a a abafar o caso e não surtar quando se trata de familiares e pessoas próximas. Com eles, temos 1.000x mais paciência do que com estranhos. O trágico é que eles deveriam ter 1.000x mais paciência e respeito conosco do que efetivamente têm.

SEGUNDA: Quando estou numa conversa com alguém próximo ou, outra opção, quando estou distraída e a pessoa fala algo que não entendo. A questão é não entender o que foi dito. Aí, a(o) bendita(o) solta a pérola:

- Deixa. Esquece. Não é nada. Não importa.

Jesus!! A reação primitiva é sentir vontade de pegar o interlocutor pelos cabelos como faziam na Idade da Pedra e arrastá-lo pelo chão dizendo “importa siiiiiiiiiimmmm!”.

Do fundo do coração, não acho que eles façam isso de propósito, com a intenção de nos deixar mal, de magoar, de ferir. Mas é tremendamente irritante a desatenção de quem mais convive conosco para coisas básicas. De quantos anos a família, os amigos, os colegas, etc precisam pra entender de uma vez por todas que estar de aparelho auditivo não é garantia de que vamos entender tudo o que é dito e que é horrível quando não entendemos e eles não querem repetir??

E vocês? Que tipo de atitude das pessoas próximas os magoa pra valer??

Até aqui o Texto foi escrito pela Paula e o texto original pode ser encontrado no Crônicas da Surdez. Mas já que a ultima frase dela foi uma pergunta, vou aproveitar pra acrescentar o que me magoa ou deixa brava.

- Falar quando obviamente estou sem o IC

Eu acabo de sair do banho, com o cabelo pingando, e alguém vem falar comigo, e depois ficam extremamente bravos porque eu estava sem o IC e não entendi, porque ao invés de virem e falarem comigo frente a frente, ou falam de costas ou falam quando não estou olhando. Já cansei de discutir aqui em casa e falar que o IC não funciona Wi-FI como a internet, que o processador precisa estar na minha cabeça pra funcionar, que ele não é a prova d’água o que me obriga a tirá-lo pra tomar banho, e que quando eu acordo – embora às vezes durma com ele –  eu não o coloco imediatamente, porque meu mau humor precisa de uma meia hora pra ficar bom e ai sim posso ligar.

- Achar que sei técnicas Ninja de leitura labial

Eu leio lábios muitissimo bem, mas dai achar que consigo entender TUDO que TODO MUNDO fala, em qualquer velocidade, articulação, tipos diferentes de lábios, com barbas e bigodes e outros obstáculos, é demais pra minha cabeça. Não eu não sei nenhuma técnica ninja de leitura labial, sou humana, erro, não entendo, muitas palavras a articulação é parecida, fora outros fatores, então não fiquem achando que tenho obrigação de entender tudo.

- Todo mundo falando ao mesmo tempo

DE NOVO não, eu não tenho técnicas ninja de leitura labial e MUITO MENOS consigo ler os lábios de 3/4 ou mais pessoas ao mesmo tempo – pra quem usa LIBRAS e diz que seria vantagem a LIBRAS em cima disso, se poupe do trabalho, eu tenho dois olhos e não da pra ficar um em cada direção, então mesmo LIBRAS não me salvaria – então me dá nos nervos quando estou falando com alguém e mais dez pessoas falando junto e depois todo mundo reclama que eu não prestei atenção, me sobe o sangue pra cabeça.

- Sair andando pelo cômodo enquanto fala comigo

Não tem coisa que me tira mais do sério do que a pessoa estar conversando comigo e sair andando pelo cômodo em que estamos, ou sair andando pela casa mesmo, pior ainda se estivermos na cozinha e além de sair andando aindar vai lavar louça pra fazer mais barulho e me atrapalhar mais.

- O pior de tudo

Não importa o que aconteça, quem sabe que você usa IC ou AASI e escuta relativamente bem com eles, ou até muito bem, SEMPRE fará questão de retornar a um tópico anterior citado pela Paula e dizer “você tá sem aparelho?” ao que respondo “não ele tá aqui” e dizem “então não tá ouvindo por que? Não tá funcionando direito?”….eu geralmente fico quieta e balanço a cabeça só….mas SIM tá funcionando, mas eu fiquei SETE ANOS sem ouvir, não é rápido assim que vou entender TODAS as palavras que sairem falando pra mim, especialmente porque o pessoal aqui em casa fala rápido demais, embolado demais e dependendo da pessoa, adora falar errado propositalmente, e acham que tenho obrigação de entender. Tem hora que parece que o cidadão está de BRINCADEIRA com a minha cara.

 

Essas são as coisas que me deixam extremamente frustrada. Agora, faço a mesma pergunta que a Paula, o que mais magoa/irrita vocês? 

 

Beijos a todos :smile:

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 3 comentários

Bom, muita gente tem notado que de uns tempos pra cá eu tenho postado vídeos, fotos e estado meio obcecada por um grupo musical de Coreanas. “Ah não, mas até aqui no blog você vai falar delas?” sim, vou, porque quero explicar o motivo da minha obsessão.

Desde que fiz o implante e melhorei a minha audição, eu ouvia as mesmas musicas, bandas e tudo mais de sempre. Foi quando descobri Girl’s Generation, dia 18 de Outubro pra ser mais exata. Foi uma amiga que me mandou. De primeira pensei “menina bonitas que parecem todas iguais”, continuei assistindo, e conforme e música começou e foi passando, tive mais um momento “é isso”, percebi que as vozes delas são bem claras, e que o idioma coreano é bem carregado de fonemas que eu tenho dificuldade em ouvir, então pensei “serão minhas terapeutas.”

Primeiro percebi que cada membro do grupo, tem uma voz bem diferente da outra e bem fácil de diferenciar enquanto cantam. Depois vendo as letras, percebi que o idioma é carregado de fonemas m//l//n//g//j//b//t//b//k que são os que mais tenho dificuldade pra entender.

O que decidi fazer? Passar hora e horas ouvindo os vídeos e musicas sem letra, e com a letra na mão pra depois ver se tinha acertado. Obvio que não sabia a palavra, mas o exemplo, no começo da musica “The Boys” que diz “Keobi naseo hijakjocha anhae bwahtdamyeon Geudaen tudeoldaeji mara jom,” eu ficava prestando atenção pra ver se eu ouvia como p ou b, como n ou m, como j ou g. Embor não saiba as palavras, o som é forte e bem fácil de ouvir. Então fico aqui com um papel do lado ouvindo as musicas e anotando os fonemas que eu ouço, depois comparo com a letra e vejo o que acertei ou errei.

O mesmo faço com os vídeos de entrevistas e reality shows, a maioria tem legendas em inglês ou algo do tipo, então presto atenção, comparo, checo, traduzo, pergunto. E acreditem ou não, tem me ajudado muito. Há também, o fato de elas terem vozes bem diferentes umas das outras, e elas não são 1, 2, 3 ou 5 como eram as Spice Girls, elas são 9. Na internet as letras geralmente tem escrito, na frente quem é que está cantando qual pedaço da música, ou nos vídeos da pra ver, então ouço com atenção as musicas, ou deixo os vídeos passando sem assistir, e fico com o papel ali anotando os nomes quando ouço os solos. Depois vou conferir.

Tem sido um ótimo treino auditivo e tenho notado uma melhora depois disso, uma grande melhora pra ser honesta. É que nesse processo, acabei notando que elas não agem como “super stars,” elas agem como seres humanos. Garotas com seus 20/22 anos, sendo elas mesmas, brincando, fazendo piadas, cometendo gafes, falando besteira sem pensar. Não agem como se estivessem no topo do mundo. Elas são pé no chão, e muito simpáticas, então acabei me apaixonando rs.

De resto, fico usando os vídeos e as musicas pra treinar, ouvir, tentar perceber, tem dado certo. Foi uma maneira alternativa e divertida que descobri de treinar a minha audição.  E eu recomendo esse tipo de treinamento, descobrir um idioma que use bastante fonemas que se tem dificuldade e ficar ouvindo, pra depois ver se acertou ou não. Alemão, russo, chinês, japonês, coreano, inglês, francês, italiano e até mesmo o português com seus NH e LH, por que não? Espero que agora parem de dizer que estou possuída e preciso ser exorcizada kkkkkkk.

Beijos a todos :smile:

13
Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 4 comentários

Gente todo mundo sabe que eu implantei há um ano (Completou um ano sexta- feira passada) e que as emoções não param nunca. Desde que fiquei surda eu assistia filmes nacionais em DVD por causa da legenda, ou até arrisquei ir ver Nosso Lar no ano psssado, mas só fui porque eu já conhecia a história após ler o livro.
Bom, hoje minha tia deu a ideia de irmos ver filme nacional, o filme se chama “O Homem do Futuro”, é o novo do Wagner Moura. Ela pergunto se tinha algum problema pela falta de legendas e eu disse que não, que de qualquer maneira entendo pelo que vejo.

Cartaz do Filme

Gente, eu juro que não tenho palavras pra explicar a minha emoção e minha surpresa ao assistir um filme Nacional, sem legenda absolutamente nenhuma e conseguir ouvir TUDO. Foi maravilhoso, foi tão mágico pra mim que cheguei a dar uma choramingadinha sem que notassem (depois quando minha tia ler o blog ela vai saber kkkk). Foi uma felicidade tão grande, mas tão grande que ainda estou sob o efeito do momento.
Assim como disse antes hoje me sinto livre e o melhor de tudo, realizada e feliz. OBRIGADA TECNOLOGIA.

Beijos a todos :smile:

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Publicado por Diéfani Favareto Piovezan | 4 comentários

Ok, o blog é sobre deficiência auditiva e assuntos relacionados, então o que diabos tem Rock in Rio a ver com isso? TUDO.

Essa semana, no sábado pra ser mais especifica, completarei um ano de implantada, desde a ativação, são momentos e mais momentos de emoção auditiva.

Para quem me conhece antes da surdez, ou pra quem já leu meus perfis do Facebook e Orkut inteiros ou pra quem me aturou postando sobre Rock In Rio esses dias, sabe ou deve ter notado, que eu sou apaixonada por música e que Rock é meu estilo favorito, independente do tipo de Rock.

Lá em 2003 quando comecei a perder audição, minha família achava que era por causa de shows de Rock que eu ia, ou música alta que ouvia. Bom não foi esse  o motivo e pelo menos não preciso ouvir uns “eu te avisei” hoje em dia.

Música pra mim sempre significou muito na minha vida, eu sou o tipo de pessoa que não consegue se expressar. Eu acho difícil às vezes até falar que preciso de algo, acho difícil falar dos meus problemas, e através da música sempre consegui me expressar.
Tanto que até hoje, há certos tipos de músicas que ouço quando estou triste, feliz, brava e por ai vai, e quem me conhece bem sabe quais são e já vem perguntando o que aconteceu.

Em 2007, foi quando minha audição saiu de moderada/severa para severa/profunda, a partir desse ano eu não conseguia mais ver TV, ouvir músicas ou falar ao telefone.

Pra conseguir ter o mínimo de sensação musical, eu gravei um CD com minhas 130 músicas preferidas, e colocava ele no carro com o volume no ultimo, como o carro era fechado e eu não ouvia nada que vinha de fora, aliado à vibração causada pelas caixas de som, eu conseguia saber exatamente que música era, que parte estava (isso fez com que minha mãe re-afirmasse que achava que minha surdez era psicológica, porque ela achava que eu ouvia a música de fato) e assim acompanhar.

Uns 6 meses antes de implantar eu havia meio que desistido de ouvir músicas. E quando ativei o implante a primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi ouvir um CD da Avril Lavigne.

Porém TV ainda estava sendo um grande desafio pra mim e só agora estou ouvindo relativamente bem, então resolvi me aventurar assistindo Rock in Rio que trouxe várias das minhas bandas preferidas. Elton John, Red Hot Chilli Peppers, Coldplay, Pitty, Evanescence e Gun’n Roses.

A minha primeira emoção foi com Elton, na verdade eu deixei a TV ligada e não estava prestando muita atenção, quando de repente, ouvi a melodia lenta e suave do piano tocando a introdução de “Tiny Dancer”, que é a minha música favorita no mundo. Pra quem é fã já é de emocionar, mas pra uma fã que recebeu de volta a audição há menos de um ano foi muito mais emocionante. Chorei muito, feito uma louca, e acompanhei a musica do começo ao fim.

Depois foi a fez de me emocionar com Red Hot Chilli Peppers no sábado dia 24. Estava no MSN e não estava prestando muita atenção no show, porque na verdade eu tinha perdido o comecinho então acabei optando por ficar na net. Estava no auge de um assunto quando ouço a introdução de “Californication”, que além de ser uma das minhas músicas favoritas dele, me trazem muitas lembranças. Eu não contive o choro, e acompanhei a música toda, que foi seguida por “By The Way” a qual também acompanhei chorando, por gostar e pelas boas memórias que o prazer de ouvi-la me trazia.

Coldplay me emocionou com “Clocks”, essa musica me lembra muita coisa, e eu estava vendo o show quase dormindo e ouvi o piano e já fiquei bem acordada ouvindo o show. Pitty me emocionou com quase todas as músicas, mas em especial “Máscara” e “Equalize” que tem pra mim uma carga de lembranças muito grande. No show de Evanescence as músicas “My Immortal”, “Bring me to Life” e “Going Under” me fizeram chorar feito um bebê.

A grande surpresa da noite, foi com o show do Gun’n Roses, que me fez chorar com todas as músicas exceto as do álbum “Chinese Democracy”, mas ao ouvir “Welcome to the Jungle”, “Brownstone”, “It’s so easy”. “Live and Let Die”, “Sweet Child O’Mine”, “November Rain”, “Knocking on Heaven’s Door”, “Patience” e outras (foram mais de 30) meus olhos se encheram de lágrimas, foi choradeira do começo ao fim, minha alma estava em extase.

Todas essas bandas e especialmente as músicas citadas fizeram parte da minha vida enquanto ouvinte, embalaram os melhores momentos da minha vida, são carregadas de lembranças, coisas que espero nunca esquecer e das quais sinto muita saudade. Poder ouvi-los tocando ao vivo mesmo que pela TV me emocionou muito.
Um dos meus maiores medos era nunca mais poder apreciar uma música da mesma maneira, mas hoje, depois de tantos anos eu posso. E só tenho a agradecer ao IC por isso. Estou feliz, porque embora pareça extremamente piegas, minha alma se aquieta com música. Estou feliz, porque minha alma sedenta de sons, já não se encontra mais enclausurada em um corpo surdo, hoje ela é livre.

Elton John

Red Hot Chilli Peppers

Chris Martin do Coldplay

Pitty

Amy Lee do Evanescence

Axl Rose do Guns'n Roses

Beijos cheio de músicas pra todos :smile:

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